Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

A derrota sofrida pelos socialistas neste último domingo na Andaluzia –  a comunidade mais povoada de toda a Espanha (8,7 milhões de pessoas), a mais representada no parlamento espanhol (61 dos 350 deputados)  e que foi feudo socialista nos primeiros 37 anos de democracia em Espanha é, sem surpresa, a quarta consecutiva sofrida pelo PSOE em eleições autonómicas nos últimos cinco meses: perdeu na Extremadura em 21 de dezembro (PP, 43,1%; PSOE, 25,7%), voltou a perder em 8 de fevereiro em Aragão (PP, 34,1%; PSOE, 24,3%) e também perdeu as eleições em 15 de março em Castela e Leão (PP, 35,4%; PSOE, 30,7%).

As questões para o futuro próximo em Espanha, com horizonte de um ano: o PSOE de Sánchez vai continuar a acumular fracassos até à derrota final em eleições gerais, em 2027? Sánchez vai continuar a resistir às exigências das direitas de convocação de eleições antecipadas? Sánchez vai continuar a manter a coesão da heterogénea maioria parlamentar que sustenta o governo?

Pedro Sánchez vai, provavelmente, continuar a negociar com os parceiros parlamentares e, assim, como pretende, vai manter-se à cabeça do governo de Espanha até às eleições gerais em junho do ano que vem. Então vai decidir-se o interminável muito azedo confronto entre as direitas e as esquerdas com os nacionalistas: Alberto Nuñez Feijóo acredita (e as sondagens dão-lhe alento) que pode triunfar com maioria absoluta do PP; a direita ultra do VOX,  de Santiago Abascal, deseja ter peso para conter o crescimento do PP e tornar-se parceiro indispensável para que a Espanha tenha um governo das direitas; o PSOE, de Pedro Sánchez, anseia continuar a reunir nas candidaturas socialistas o voto útil procedcente das esquerdas territoriais e que o voto nacionalista continue a viabilizar maioria para a “geringonça espanhola”. Neste momento, a corrente da opinião política em Espanha está a puxar para maioria à direita, mas as esquerdas e os nacionalistas já mostraram que têm em eleições gerais a forte capacidade de mobilização que não conseguem em outras votações.

Na Andaluzia, neste domingo, a derrota do PSOE não tem paliativos. Sánchez colocou à frente da candidatura, Maria Jesús Montero, a dirigente que era a nº2 dele, poderosa vice-presidente do governo de Espanha. Não foi capaz de seduzir o eleitorado andaluz. Ao conseguir 22,7% dos votos e eleger apenas 28 deputados, fica com o pior resultado de sempre dos socialistas na Andaluzia. A 19 pontos percentuais do PP.

O PP ganha, mas é uma vitória agridoce. Governava a Andaluzia com maioria absoluta (57 dos 109 deputados), agora ficou com apenas 53. Juanma Moreno, dispõe-se a continuar a formar governo, desta vez minoritário. Moreno é a figura principal da ala moderada do PP de Feijóo, recusa os discursos demagógicos e alguma aliança com os ultranacionalistas do Vox.

Nestas eleições andaluzas, o Vox teve um discreto avanço. Subiu de 14 para 15 deputados. No outro extremo do arco político, sobressai o grande salto do Adelante Andaluzia, que capta eleitorado jovem e da esquerda que o PSOE não soube despertar e cresce de dois para oito deputodos. Também nas esquerdas, Por Andalucia, elegeu cinco deputados.

O PP Juanma Moreno vai dedicar os próximos dias a consultas sobre a formação do próximo governo. O Vox vai pressionar para participar, mas o líder do PP andaluz dispõe-se a não ceder.

Agora, o próximo grande combate eleitoral em Espanha são as eleições gerais que vão decidir quem governa Espanha, a direita ou a esquerda, Feijóo ou Sánchez. 

O líder socialista publicou em 2019 o livro Manual de Resistência. É, de facto, o guia da ação política que cultiva. Sánchez enfrentou os “barões” do PSOE, entre eles Felipe Gonzalez, para conquistar a liderança do partido. Chegou à liderança do governo de Espanhaem 2 de junho de 2018 com o impulso político de ter reunido a maioria parlamentar inédita em Espanha de uma espécie de geringonça liderada pelo PSOE que agregou as esquerdas e vários partidos nacionalistas, sobretudo os da Catalunha e do País Basco, que aprovaram uma moção de censura ao governo PP de Mariano Rajoy. Sánchez ficou imediatamente na presidência do governo, mas só teria primeira passagem pela prova do voto popular nas duas eleições gerais de 2019: foi o mais votado em 28 de abril, mas por falta de maioria para governar, houve nova ida às urnas em 10 de novembro, o PSOE voltou a ganhar e conseguiu a heterogénea maioria parlamentar formada por partidos das esquerdas com os nacionalistas das comunidades periféricas. Esta maioria continuou a funcionar após as eleições seguintes, em 23 de julho de 2023, quando o Partido Popular (33%) superou o PSOE (31,6%), mas o conjunto da “geringonça espanhola” manteve a maioria absoluta no parlamento. 

A ver como sai Espanha depois das próximas eleições gerais, provavelmente em junho de 2027. Sánchez sabe que a grande maioria dos nacionalismos do País Basco e da Catalunha são muito hostis à ideia de governo PP. Mas a Espanha tem estado a chegar-se para a direita.

___

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.