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Quando a racionalidade desaparece e o cenário fica dominado pelo império da loucura, com a brutalidade do lança-chamas verbal na Casa Branca que instala modos de imperialismo externo a par de repressão interna, há que reconhecer que Trump entra para o lado de Putin na lista de ameaças. 

Este presidente dos Estados Unidos faz da alfândega um muro moderno, instrumento do neoprotecionismo, com a tarifa erguida como o novo critério que rege as relações entre países, enquanto o espaço para a política é agora calculado em percentagens – no Brasil. Lula falou grosso e Trump recuou..

Dentro dos EUA de Trump, o pensamento crítico está sob fogo cerrado, a independência do saber e o espírito rebelde no mundo académico está sob ataque, o sistema judicial está a ser utilizado para suprimir a liberdade de expressão com processos milionários contra os media que ousam questionar, a polícia tem cobertura para assassinar impunemente a alegada "terrorista de Minneapolis”, Renee Good, e para fabricar uma ameaça criminosa contra outro inimigo do regime Trump, o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell.

Para o resto do mundo, o presidente que tinha prometido em campanha que com ele, fiel ao princípio de "América Primeiro", não haveria mais intervenções militares no estrangeiro, o resto do mundo que se arranjasse, temos que em um ano no lugar de presidente, Trump se dedicou a jogos com o poder militar dos Estados Unidos: ataques à Venezuela e Irão, na Nigéria, no Iémen e na Síria, com Cuba, a Colômbia, e agora a Gronelândia no horizonte. Na Venezuela, justifica que é por causa do narcotráfico e pela ditadura, mas mantem o regime e deixa à vista que o motivo do assalto com captura de Maduro é o negócio com o petróleo.

Trump tem um mérito: estancou a matança em Gaza, embora esteja a deixar os palestinianos à deriva.

Perante a guerra na Ucrânia, colocou-se como árbitro mas sem definir as regras do jogo para construir um percurso de paz. Nunca invocou o direito internacional, nunca censurou a agressão russa à soberania da Ucrânia, nunca referiu a Ucrânia como país agredido. A cimeira no Alaska entre Trump e Putin, plenipotenciários no planeta (juntamente com Xi Jinping), fica como negociação fantasma que só serviu para dar reacreditação internacional ao dono do Kremlin, alvo de mandado de captura emitido pela justiça do TPI. 

Trump fez o juramento presidencial há um ano, atribuiu-se o papel de pacificador, tem sido tudo o oposto: sentou-se à mesa da Sala Oval a instalar a desordem mundial com destruição das instituições multilaterais, tudo em nome de uma nova autoridade imperial em instalação, na qual cabem três poderes imperiais, o americano, o russo e o chinês, com a Europa, desprezada, sonâmbula, a assistir, confiando manter a custódia da liberdade e da democracia.

A atual presidência dos Estados Unidos ainda não tinha completado um mês em funções quando o vice J.D. Vance veio a Berlim mostrar as intenções, ao vaticinar o declínio do continente a menos que a extrema-direita se imponha.

Está evidenciado que a América de Trump deixou de se colocar como guarda-chuva protetor da Europa, da nossa soberania, da nossa independência, do nosso modo de vida. 

Trump quer a Europa vassala do que ele quer. Ele rompe com a fraternidade que prevaleceu nos últimos 80 anos. 

Agora, está a atacar um dos mais fiéis aliados europeus. Quando, a seguir ao ataque terrorista da al Qaeda em Nova Iorque e Washington, a América mobilizou a NATO para ir à caça do terrorismo no Afeganistão.  O Reino da Dinamarca esteve entre os primeiros a avançar com tropas. Veio a perder 40 soldados, a mais alta taxa de mortalidade por habitante entre todos os países da NATO.

Nestes dias em que passa um ano de desordem mundial que está a dinamitar a arquitetura de segurança levantada a seguir à II Grande Guerra, o presidente do principal aliado destes últimos 80 anos posiciona-se tão inimigo quanto Putin, pretende tomar, “a bem ou a mal” um território de um leal aliado europeu e ataca com tarifas alfandegárias os países que estão a apoiar o agredido.

Perante esta espécie de regresso dos bárbaros que pretende fazer da Gronelândia o 51º estado dos EUA, por mais que isso implique com o futuro da Ucrânia, não se entende que possa haver tibieza mais tibieza europeia.

Há que, com firmeza, mostrar a Trump que a Europa tem armas de dissuasão, desde sanções caso intervenha na Gronelândia a represálias contra as empresas tecnológicas americanas, e até a possibilidade de alargar parcerias com a China.

Insistir nas tentativas de apaziguamento, está demonstrado, é erro.

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