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Os democratas estão com 5,2 pontos percentuais de avanço sobre os republicanos e o balanço da avaliação de Trump está com 15 pontos negativos.

Donald Trump quer que se fale apenas dele, vê-se personagem com carisma insuperável, que nunca pode ser derrotado, sempre o maior, o mais forte, o que consegue os êxitos que ninguém mais conseguiu. Sabe que as sondagens não enganam e que a sua prática política dele e as posições da gente dele estão perdedoras e em vias de sair derrotadas nas eleições midterm no próximo dia 3 de novembro. Por isso, através da solenidade de um discurso à nação, não hesitou em atacar o coração da democracia na América, tratou de desacreditar as eleições declarando-as falsificadas por uma conspiração internacional encabeçada pela China e que o tem a ele, o “insuperável e temido Trump”, como alvo. 

O atual presidente dos EUA está a tentar tudo para impedir a conquista da Câmara dos Representantes e do Senado pelos democratas. Ele já tinha denunciado a falha de fiabilidade do voto eletrónico. Também fraudes no voto por correspondência. Agora, ao denunciar uma conspiração internacional, liderada pela China, com a participação da Coreia do Norte e (mencionou de raspão, como a não querer irritar o amigo Putin) também a Rússia, Trump abre o caminho para voltar às denúncias de fraude que fez em 2020 quando foi declarado derrotado por Joe Biden.

Seis anos depois, Trump continua a não aceitar que perdeu; essa derrota é uma fixação dele e, desta vez, com o poder presidencial de que abusa, já há quem, como o influente neocon Robert Kagan admita que, caso se confirme a derrota dos dele a 3 de novembro, argumente que o resultado das midterm está falsificado por interferência manipuladora do exterior e, assim, ter a tentação de com recurso a todos os argumentos legais ou ilegais, ignorando o Congresso, declarar que o resultado dessas eleições é nulo. Poderá, por exemplo, ter a tentação de pôr as forças federais a sequestrar as urnas de voto.  O que a acontecer seria um golpe de estado não muito diferente das práticas que o casal Ortega está a usar na ditadura da Nicarágua.

Para Trump, tudo se resume a manter o poder de todas as formas possíveis, maximizar os interesses pessoais dele e obrigar o governo federal a satisfazer os desejos dele. Tudo o que desafie esse poder deve ser minado ou destruído. Portanto, se as eleições midterm o desafiarem, Trump parece disposto a fazer tudo para impedir que elas consigam enfraquecê-lo.

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