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Quando falamos em sofrimento psicológico estamos a falar de um campo complexo, sem respostas absolutamente certas ou erradas e que nos confronta com sentimentos mais ou menos desejados via empatia por quem está ao lado. Estar ao lado de quem sofre, física e psicologicamente, é uma tarefa dura que nos coloca desafios muito próprios. Quando atravessamos um período difícil ao lado de alguém em sofrimento, várias são as questões para quem tenta cuidar de quem sofre. Não é infrequente existir uma sensação de culpa por não ser eu, o cuidador, também a sofrer. Tal como quem sofre se pergunta “Porquê eu?”, muitas vezes quem acompanha poderá pensar “Como é que eu consigo sentir-me bem quando esta pessoa, de quem gosto tanto, sofre desta maneira? Porque não a mim?”. Esta questão acaba por estar muito presente em relações muito próximas, sobretudo na relação pais-filho. A auto compaixão, juntamente com a necessidade do cuidador também procurar apoio, poderá ser fundamental para que não se cristalizem modelos de desesperança e culpa.

Por outro lado, também existem situações de sofrimento psicológico que impactam o cuidador pela dessensibilização. A repetição, duração ou persistência do sofrimento poderão conduzir a uma necessidade de afastamento e distância, para que, enquanto estratégia de proteção, a pessoa que acompanha não se sinta contaminada ou continuamente mergulhada num sofrimento que não cede. Também aqui, o que geralmente acontece é que a culpa aparece sob a forma de “Eu não devia sentir esta vontade de me ir embora” ou “Sou um péssimo amigo se não estiver sempre disponível”. Esta culpa, ao não ser bem integrada ou gerida, pode levar à sobrecarga de quem acompanha ou ao abandono da pessoa em sofrimento. Para conseguir apoiar e estar presente no sofrimento é preciso também ter tempo e espaço para experienciar coisas mais leves e descontraídas, só assim se torna possível este caminho.

Há também a ansiedade que nasce da necessidade de quem acompanha o sofrimento, de controlar o sofrimento do outro. É algo que nasce de um impulso bem-intencionado, mas que pode complicar todo o contexto de sofrimento. Se eu, enquanto cuidador, sentir que tenho o poder, ou a obrigação, de controlar o sofrimento desta pessoa de quem gosto, poderei tornar-me pouco responsivo às suas necessidades, demasiado exigente e até confundir o sofrimento com relação: “Eu estou a esforçar-me tanto para fazermos programas giros e tu continuas triste, sinto que não valorizas o que eu faço.”.

O sofrimento é inerente à vida e é menos duro quando pode ser partilhado. Partilhar o sofrimento é um acontecimento íntimo e de relação, ainda que difícil e complexo. Muda quem sofre e muda quem está ao lado e pode tornar-se desenvolvimento ou rutura. Para cuidar do sofrimento é preciso autocuidado e, também, deixar-se cuidar.

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