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Fundada por 12 países (Portugal incluído), em 1949, a Aliança tem atualmente nada menos do que 32 membros: Albânia, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Croácia, República Checa, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estados Unidos da América do Norte, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Estónia, Lituânia, Luxemburgo, Macedónia do Norte, Montenegro, Noruega, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, Roménia, Suécia, Turquia.

Resumidamente, passou por duas fases, antes de chegar à atual. Na primeira, foi uma aliança defensiva, conforme expressamente declarado no famoso Artigo 5º; se um país fosse atacado, todos os outros participavam na sua defesa. Era de facto uma defesa comum contra a URSS de Estaline. Quando a URSS implodiu, em 1989, houve quem propusesse acabar com a Aliança, uma vez que o inimigo nunca expresso nos estatutos deixara de existir, mas aconteceu exatamente o contrário; os países que pertenciam ao bloco soviético estavam traumatizados pela submissão aos russos e quiseram aderir para se sentirem protegidos. Assim a Aliança cresceu a Leste até chegar a 30 novas democracias nominais – algumas mais autocracias do que democracias, casos da Hungria e Turquia, que entrou em 1952. Em 2022, a antiga União Soviética, agora denominada Federação Russa sob a direção ditatorial de Vladimir Putin, voltou a ser uma ameaça aberta a todos os países à sua volta, o que levou à entrada da Finlândia e da Suécia na NATO. A invasão da Ucrânia em 2024, com a desculpa (entre outras) de que se queria filiar à Aliança, provocou uma reação quase unânime dos países NATO – quase, mas não total, porque os Estados Unidos, na pessoa de Donald Trump, tomaram uma posição ambígua, que não se percebe bem se é contra a Ucrânia e a favor da Federação Russa, ou vice-versa. Assim, estamos na fase atual da NATO, que é basicamente de confusão.

É neste contexto que houve esta semana a reunião em Ankara. Logo para começar, Trump declarou que só comparecia porque é muito amigo de Erdogan, “um líder muito forte, uma pessoa forte, se não eu não iria”. Acrescentou que vai anular a proibição da Turquia comprar jatos F-35 porque “a Turquia se tem mostrado muito leal, mais leal que outros países da Nato.”

Foi esta a postura de Trump durante toda a cimeira, que foi mais sobre o poder geopolítico ocidental do que sobre valores democráticos. Falou muito sobre a situação da guerra contra o Irão, que é um assunto que não faz parte da agenda da NATO.

Quer dizer, uma vez que foram os Estados Unidos que atacaram o Irão, não podem invocar os estatutos na NATO para tomar qualquer atitude em relação à guerra. Esta situação irrita o presidente norte-americano desde que atacou o Irão, em 28 de Fevereiro, acusando a NATO de não o ajudar, com ódio particular à Espanha, que recusou o uso de bases no seu território para os aviões norte-americanos. Aliás, Trump deu ordens ao seu Secretário do Comércio, Scott Bessent, para cortar todas as relações comerciais com a Espanha. (O que é impossível, fazendo a Espanha parte da UE; seria o mesmo que proibir os Estados Unidos de ter relações comerciais com a Flórida, como comentou o jornalista Paulo Kruger),

Além de não se calar com a guerra com o Irão que, como já dissemos, é um assunto que nada tem a ver com a NATO, voltou a ameaçar a invasão da Greenlândia, dizendo que a Dinamarca “não tem categoria” para defender o território convenientemente.

Como reagiram os europeus a está sucessão de disparates? Os governantes dos vários países fizeram de conta que não estavam a ouvir. O Secretário Geral da NATO, Mark Rutte (que já foi PM dos Países Baixos) continuou com a sua postura lamentável de lamber a gravata (ou o cabelo...) de Trump, elogiando-o por fortalecer a NATO ao obrigar os membros a gastarem mais (até 5%) dos seus orçamentos em material bélico: “Acho que o que ele está a fazer com a NATO são muito boas notícias”!

Resumindo, esta cimeira da NATO não foi sobre a NATO, foi sobre os ódios de estimação de Trump e uma boa cartada para Erdogan.

Colocando a situação numa só frase: O melhor é esquecer que houve cimeira, esquecer os disparates do norte-americano e a abjeta aceitação e bajulação dos europeus, que vivem aterrorizados com a possibilidade dos Estados Unidos saírem da Aliança, mesmo não tendo garantias nenhumas de ajuda em relação à Federação Russa.

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