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A UEFA, com a CONCACAF (associação de futebol da América Central e do norte) e a AFC (confederação da Ásia) representam143 das 211 federações nacionais no planeta, maioria absoluta que agora valeu para abortar o plano de Gianni Infantino para a entrega das provas da FIFA a uma empresa privada (FIFA Forward Enterprise, FFE) que a JP Morgan estimou valer 20.000 milhões de dólares. Seria a empresa que Gianni Infantino ambicionava liderar quando deixar de poder ser presidente da FIFA.
A Europa do futebol soube evidenciar, através da UEFA, o que muitas vezes falta à Europa política: como é possível em apenas dois dias, impor a força da união e arrasar o delírio ultraliberal engendrado por Infantino, de privatizar 20% das muito lucrativas máximas competições do futebol mundial, pondo-as nas mãos de uma holding que passaria a gerir os multimilionários direitos das competições da FIFA e a organizá-las segundo a conveniência dessa empresa.
Esta visão de Infantino tirava o futebol mundial de uma associação multipolar oficialmente sem fins lucrativos e com objetivo cimeiro de promover o jogo de futebol, para o entregar aos interesses de capitais de risco.
Para este plano pessoal, Infantino confiou a procura de acionistas à Thrive Capital, um fundo fundado por Joshua Kushner, irmão de Jared, genro de Trump. Se o projeto fosse bem-sucedido para os interesses de Infantino, a FIFA tornar-se-ia uma plataforma de negócios aberta ao capital privado, com interesses sem compromisso com a ética baseada no fair play e na honestidade. Para o futebol, o plano de Infantino, seria uma derrota estrondosa. Era um projeto em que as grandes marcas, obviamente, iriam procurar mais rentabilidade, o preço dos bilhetes aumentaria ainda mais, os direitos de transmissão também. Ficava evidente o conflito de interesses entre a função reguladora da FIFA e os interesses comerciais em que estaria envolvida.
A presidência Infantino na FIFA já estava marcada por grande pressão sobre o calendário internacional de futebol e o interesse dos clubes, traduzida, por exemplo, na intenção de Mundiais cada vez mais longos (depois do aumento de 32 para 48 equipas na fase final do Mundial 26, já se falava de 64 no Mundial 30, organizado por Portugal com Espanha e Marrocos)
A tentativa de Infantino não é nova. Já tínhamos sabido dela em 2018, com o projeto de um acordo de 25 mil milhões de dólares, discutido com o banco japonês SoftBank, apoiado pelo fundo soberano da Arábia Saudita, para um novo Mundial de Clubes e uma Liga Mundial das Nações. Então, como agora, Infantino foi obrigado a recuar. Desta vez, provavelmente, não lhe vai bastar o passo atrás. É forte a tendência para que a maioria formada pela UEFA, pela CONCACAF e pela AFC o obriguem a seguir para a porta de saída. E já há um nome na porta de entrada para suceder ao italo-suiço Infantino: é Victor Montagliani, canadiano de origem italiana, baseado em Vancouver, influente presidente da CONCACAF. Foi homem forte da vencedora candidatura americana à organização do Mundial deste ano.
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