Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
A ActiveCap, gestora de fundos capital de risco, quer duplicar os ativos sob gestão e atingir os 250 milhões de euros num horizonte de dois a três anos. Atualmente, a empresa tem já investidos 120 milhões em 14 empresas de diversos setores de actividade.
Pedro Correia da Silva, CEO e partner da companhia fundada há sete anos, explica que o objetivo é entrar nas empresas e "dobrar a facturação". A estratégia passa por adquirir um participação minoritária no capital, "normalmente acima dos 20%", sempre com poder de gestão, e, através de recursos que esta não tem, dar-lhe "escala europeia ou global".
O perfil das empresas alvo é variável, mas devem ter "dimensão", ou seja, uma faturação de, pelo menos, 10 milhões de euros. Quanto ao setor de actividade, "não somos agnósticos" e "o ideal é diversificar"; neste momento, fazem parte do portfólio da ActiveCap têxteis (Tintex e Hata), material de escritório (Firmo e Staples), drones (Beyond Vision), doçaria (Fabridoce), cerâmica (Moma), vidro (Cristalmax), saúde (PMH), produção de abacate (Agrocate) e software de som (Sound Particles), entre outras.
Com uma rendibilidade de 15% ao ano, a ActiveCap tem uma equipa de cerca de 14 pessoas, nove na área e investimento e as restantes em áreas de apoio. "Procuramos que o retorno esteja em linha com as melhores práticas globais", diz Pedro Correia da Silva, "caso contrário, os investidores não vão querer voltar a investir".
Até à data, tem sido possível cumprir os objetivos, mesmo com todas as crises, nacionais (como as tempestades, que afetaram algumas empresas), e internacionais (como a questão das tarifas ou dos combustíveis). Neste momento, 40% do capital da gestora é estrangeiro, "mas queremos aumentar". O crescimento passa também pelo lançamento de novos fundos.
Há uma análise inicial, seguida de uma conversa com as empresas. Se cumprem os critérios essenciais de elegibilidade de acordo com a política de investimento do fundo, fazemos uma visita à empresa. É um trabalho bastante minuciosoPedro Correia da Silva, CEO da ActiveCap
Nesta altura, a gestora tem dois fundos: o ActiveCap I, de 40 milhões de euros, está fechado e já em fase de desinvestimento; e o ActiveCap II, lançado no âmbito do Programa Consolidar, do Banco Português de Fomento, de 80 milhões de euros, cerca de 61 milhões investidos até hoje.
A gestora tem atualmente o equivalente a "170 milhões de euros em análise" em diferentes fases de avaliação. Alguns projetos não passam no crivo e acabam por cair. O valor do investimento da ActiveCap também varia: "Temos investimentos de oito milhões, outros de dez milhões, outros de três milhões, depende".
"Há uma análise inicial, seguida de uma conversa com as empresas. Se cumprem os critérios essenciais de elegibilidade de acordo com a política de investimento do fundo, fazemos uma visita à empresa. É um trabalho bastante minucioso", considera Pedro Silva Correia. O rácio é de um investimento por cada dez oportunidades analisadas. Até ao final do ano, serão concretizados mais dois ou três investimentos.
A saída do capital das participadas é um tema delicado, embora faça parte da análise inicial. "Há saídas fáceis e outras que são um desafio", reconhece o CEO. A Bolsa de Valores seria a "saída perfeita" para o capital de risco, já que “substitui uma posição minoritária por vários acionistas". No entanto, Pedro Correia da Silva admite que "não faz sentido para todos".
As opções não se esgotam aqui e a saída pode passar pela venda da participação do fundo ou pela venda total da empresa, incluindo a parte dos acionistas fundadores. A fusão de empresas, a forma mais rápida de crescer, é outra hipótese e a ActiveCap tem alvos identificados para avançar nessa direção.
Se antes as empresas familiares portuguesas viam a entrada de fundos de capital de risco como um sinal de dificuldade, hoje isso é encarado com naturalidade. "As empresas estão muito mais abertas a este tipo de instrumentos. Muitos casos estão associados a questões de sucessão, a segundas gerações que querem entrar de forma mais profissional e estruturada. Muitas vezes, são elas próprias que chamam os fundos".
__
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários