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Numa entrevista transmitida esta terça-feira pela rádio France Inter, Fatih Birol foi categórico: “Esta é, de facto, a maior crise da história”. O responsável acrescentou que “a crise já é enorme, se juntarmos os efeitos da crise do petróleo e da crise do gás com a Rússia”.

A turbulência energética agravou-se após os ataques levados a cabo pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão no final de fevereiro. Em resposta, Teerão avançou com o encerramento efetivo do Estreito de Ormuz, permitindo apenas a passagem de um número limitado de embarcações provenientes de países considerados “amigos”, como a China, a Malásia e o Paquistão.

O Estreito de Ormuz é uma das principais artérias do comércio energético mundial, por onde transitam habitualmente cerca de 20% do petróleo global e uma parte significativa do gás natural liquefeito. O bloqueio, aliado aos danos registados em infraestruturas energéticas da região, desencadeou aquilo que a AIE classifica como a maior disrupção da história do mercado petrolífero internacional.

Segundo Fatih Birol, a recuperação da produção de energia perdida no Médio Oriente devido ao conflito poderá demorar cerca de dois anos, prolongando os efeitos da crise nos mercados globais.

O impacto da instabilidade regional e do bloqueio marítimo fez disparar os preços internacionais da energia, alimentando receios de uma recessão à escala mundial. Vários países já anunciaram medidas de emergência, incluindo racionamento de combustíveis e restrições ao consumo de eletricidade, numa tentativa de mitigar os efeitos da escassez.

Entretanto, os Estados Unidos mantêm o bloqueio do Estreito de Ormuz, depois de terem apreendido, no domingo, um navio cargueiro de bandeira iraniana. A decisão prolonga o impasse e intensifica o impacto económico global, com efeitos particularmente severos nos países mais pobres e dependentes da importação de energia.

A combinação de conflito militar, estrangulamento de rotas estratégicas e perturbações prolongadas na produção está a colocar o sistema energético internacional sob uma pressão sem precedentes, num cenário que a própria Agência Internacional de Energia não hesita em classificar como histórico.

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