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A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou para um abrandamento da economia global na sequência da guerra no Médio Oriente, sublinhando que mesmo o cenário mais otimista aponta para uma revisão em baixa do crescimento mundial.

No discurso de abertura da assembleia de primavera da instituição, que decorre em Washington, Kristalina Georgieva destacou os impactos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão nas cadeias de abastecimento, na confiança económica e nas infraestruturas. “Mesmo no melhor cenário, não haverá um regresso limpo e ordenado à situação anterior”, cita o El País.

A responsável sublinhou que a economia global enfrenta um “choque de oferta de grande magnitude”, sobretudo devido à disrupção no fornecimento de petróleo. O encerramento do estratégico Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, provocou uma subida dos preços da energia, com efeitos globais e assimétricos.

Kristalina Georgieva alertou ainda para o risco inflacionista associado a este contexto, defendendo prudência por parte dos governos. A economista apelou a que os países evitem respostas unilaterais à crise energética e recomendou aos bancos centrais que estejam preparados para subir taxas de juro caso as expectativas de inflação aumentem.

O impacto económico dependerá, segundo o FMI, da duração do cessar-fogo e da estabilidade futura na região. Ainda assim, a instituição antecipa danos prolongados. Como exemplo, Kristalina Georgieva referiu os ataques ao complexo de gás de Ras Laffan, no Qatar, cuja recuperação poderá demorar entre três a cinco anos, mantendo os preços energéticos elevados durante um período prolongado.

A diretora-geral avisou também para a fragilidade das finanças públicas em vários países após a pandemia, defendendo que o apoio estatal deve ser “focalizado e temporário”. Medidas financiadas por défice, alertou, poderão agravar os desequilíbrios económicos.

Além da crise energética, Kristalina Georgieva destacou riscos emergentes no sistema financeiro, incluindo uma possível sobrevalorização associada ao investimento em inteligência artificial. Segundo a responsável, uma eventual quebra de confiança, agravada por limitações energéticas, poderá ter efeitos negativos significativos.

O FMI prevê ainda um aumento dos pedidos de ajuda financeira por parte de países mais vulneráveis, nomeadamente na África subsaariana e em pequenas economias insulares. A instituição estima que o apoio à balança de pagamentos possa atingir entre 20 mil e 50 mil milhões de dólares (mais de 40 mil milhões de euros) a curto prazo.

“Podem contar connosco para ajudar a encontrar um caminho no meio da incerteza”, concluiu Georgieva, sublinhando o papel do FMI no apoio aos países mais afetados pela crise.

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