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De acordo com dados divulgados pelo Departamento do Trabalho, cita a BBC, os preços no consumidor aumentaram 3,3% em termos homólogos, acima dos 2,4% registados em fevereiro. Trata-se da maior variação mensal desde 2022, período marcado pelo choque energético provocado pela invasão da Ucrânia pela Rússia.
A principal pressão inflacionista veio dos combustíveis, com destaque para o aumento acentuado dos preços da gasolina, após a disrupção no Estreito de Ormuz associada ao conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão.
Segundo o relatório, os preços da gasolina subiram 21,2% entre fevereiro e março, o maior aumento mensal desde que estes dados começaram a ser registados, em 1967. Já os preços do óleo combustível dispararam mais de 30%, representando a maior subida desde fevereiro de 2000.
O impacto tem sido particularmente visível em estados como a Califórnia, onde os combustíveis já apresentavam preços superiores à média nacional. Na quinta-feira, o preço médio de um galão de gasolina naquele estado situava-se nos 5,93 dólares (cerca de cinco euros) , comparando com uma média nacional de 4,16 dólares (quase quatro euros), de acordo com a Associação Automóvel Americana.
Segundo a CNN, responsáveis da Reserva Federal norte-americana consideram que é prematuro tirar conclusões definitivas sobre a evolução da inflação. Em intervenções recentes, vários dirigentes defenderam a necessidade de aguardar para perceber se o impacto do conflito será duradouro, admitindo que o atual choque de preços poderá ser temporário.
Neste contexto, os mercados antecipam que as taxas de juro se mantenham inalteradas nas próximas duas reuniões do banco central, agendadas para este mês e para junho.
No entanto, a possibilidade de novas subidas não está excluída. Caso as pressões inflacionistas se alarguem para além da energia e afetem a chamada inflação subjacente, a Reserva Federal poderá voltar a aumentar os juros. De acordo com as atas da reunião de março, divulgadas esta semana, vários responsáveis chegaram mesmo a considerar essa hipótese.
O presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, já tinha sinalizado uma abordagem cautelosa, afirmando que a tendência será “olhar através” de choques de oferta desta natureza. Jerome Powell sublinhou ainda que as decisões do banco central continuam fortemente dependentes das expectativas de inflação dos consumidores a médio e longo prazo, que, para já, se mantêm estáveis.
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