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Os avisos são deixados no relatório produzido pela equipa do Fundo Monetário Internacional (FMI) que esteve em Portugal no âmbito do programa de ajustamento para avaliar a evolução da economia, das contas públicas e do sistema financeiro.

"A resposta ao choque energético deverá ser cuidadosamente concebida. Embora um apoio temporário e direcionado possa justificar-se, os preços mais elevados da energia devem continuar a repercutir-se nos consumidores finais, de forma a preservar os sinais de preços e reduzir a procura", lê-se no comunicado emitido esta quarta-feira.

Em alternativa, o FMI sugere que em vez de reduzir o ISP - Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos o governo deve concentrar-se nos "apoios bem direcionados para os agregados familiares de rendimentos mais baixos e para empresas em dificuldades, mas viáveis".

Os técnicos recomendam ao executivo liderado por Luís Montenegro que evite uma "redução generalizada de impostos, como o IVA e reverta políticas como o IRS Jovem ou a garantia pública no crédito à habitação.

O relatório deixa três indicações fundamentais: simplificar o sistema fiscal e reduzir isenções para aumentar a receita e melhorar a eficiência; reforçar a gestão do investimento público para reduzir custos e aumentar crescimento; conter pressões orçamentais associadas ao envelhecimento da população, já que se prevê que as despesas com pensões e saúde aumentem significativamente.

Embora não cite a reforma da lei laboral proposta pelo governo, os técnicos avisam: "No mercado de trabalho, tornar os contratos sem termo mais flexíveis incentivará a sua maior utilização, reduzirá a dualidade do mercado laboral e ajudará a melhorar a afectação de recursos aos sectores ou empresas mais produtivas".

Caso estas medidas apontadas no relatório não sejam adoptadas, o FMI alerta para o risco de deterioração das contas públicas em 2027. Num cenário severo — caso a guerra com o Irão se prolongue —, a inflação poderá atingir os 4,2% este ano e disparar para 5,7% no próximo.

O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, já tinha antecipado, em Março de 2026, uma inflação de 4,7%, num cenário severo, devido à guerra no Médio Oriente — e um abrandamento do crescimento económico para 0,8%, caso os preços da energia continuem a subir.

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