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Os empresários alertaram que a “economia inadequada” do Reino Unido está a travar o crescimento e a colocar postos de trabalho em risco, apelando a uma resposta mais firme por parte do governo, revela o The Guardian. O grupo, que representa centenas de empresas, acusa sucessivos governos de anos de negligência na proteção da economia face a choques externos.

Num contexto marcado por tensões geopolíticas, pelo impacto do Brexit, pela pandemia, pela guerra na Ucrânia e pelo conflito no Médio Oriente, as empresas britânicas operam, segundo a Câmara do Comércio, num ambiente de elevada incerteza. A este cenário soma-se a recente ameaça do presidente norte-americano, que advertiu para a imposição de “grandes tarifas” ao Reino Unido caso Londres não elimine uma taxa sobre serviços digitais que afeta as tecnológicas norte-americanas.

O que é a taxa sobre serviços digitais do Reino Unido?

O Reino Unido introduziu o Imposto sobre Serviços Digitais a 1 de abril de 2020, aplicando uma taxa de 2% sobre as receitas de plataformas de redes sociais, motores de busca e mercados online que geram valor a partir de utilizadores britânicos.
O imposto aplica-se a empresas com receitas globais provenientes de atividades digitais superiores a 500 milhões de libras (cerca de 576 milhões de euros), desde que pelo menos 25 milhões de libras (28,75 milhões de euros) sejam obtidas no Reino Unido.

Segundo a Euronews, a medida gerou 944 milhões de libras (1,1 mil milhões de euros) em 2025-26, um aumento de 17% face ao ano anterior, de acordo com dados das autoridades fiscais britânicas.

Inicialmente apresentado como uma solução temporária, o imposto foi criado enquanto se aguardava um acordo internacional para reformar o sistema fiscal global, um entendimento que nunca chegou a concretizar-se. O governo britânico mantém-no como uma medida transitória, comprometendo-se a revogá-lo assim que existir uma solução internacional adequada.

O que é a “bazuca comercial”?

Num relatório com várias recomendações, empresários britânicos defendem agora a criação de um conjunto de instrumentos de resposta económica semelhante à chamada “bazuca” da União Europeia.

O Instrumento Anti-Coerção, criado pela União Europeia em 2023, é uma ferramenta concebida para responder a pressões económicas externas, embora nunca tenha sido utilizada até ao momento. O mecanismo permite aplicar um vasto leque de medidas, incluindo restrições comerciais, controlo de exportações, limitação do acesso ao mercado único e suspensão de direitos de propriedade intelectual.

Na prática, a chamada “bazuca comercial” permitiria à UE limitar de forma significativa o acesso de países terceiros a um mercado com cerca de 500 milhões de consumidores.

Inspirando-se neste modelo, a Câmara de Comércio Britânica defende que o Reino Unido deveria desenvolver uma estratégia equivalente, com poderes para aplicar tarifas, restringir o acesso a mercados, reforçar o controlo de investimentos estrangeiros e ajustar políticas de subsídios, sempre com salvaguardas para proteger os interesses comerciais nacionais. A proposta inclui ainda a criação de um comité governamental dedicado à segurança económica.

A diretora-geral da Câmara de Comércio , Shevaun Haviland, afirmou que a segurança económica do país “se tornou um travão ao crescimento e à competitividade”, defendendo uma abordagem mais musculada face ao atual contexto internacional.

Já o ministro do Comércio, Chris Bryant, considerou que o relatório “identifica corretamente” a importância do comércio livre e justo para a prosperidade do Reino Unido, sublinhando que o governo já tomou medidas para reforçar cadeias de abastecimento e reduzir vulnerabilidades. Acrescentou ainda que Londres está a avaliar a necessidade de “instrumentos adicionais de último recurso” para responder a pressões económicas.

O governante destacou também a cooperação com parceiros europeus no âmbito da iniciativa “Made in Europe”, garantindo que o Reino Unido continuará empenhado em manter mercados abertos e seguros.

Ainda assim, qualquer resposta retaliatória aos Estados Unidos comporta riscos significativos, dada a forte interdependência económica entre os dois países. Os EUA são o maior parceiro comercial do Reino Unido, representando cerca de um quinto do comércio global britânico, e empresas norte-americanas investiram mais de 640 mil milhões de libras no país.

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