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O consumo alimentar em Portugal registou em 2025 um desempenho superior ao da média europeia, evidenciando uma recuperação real do mercado, apesar de persistirem sinais de contenção por parte das famílias e fragilidades em alguns canais de venda. Os dados mais recentes, segundo um estudo da McKinsey e Eurocommerce, apontam para um crescimento de 5,2% no mercado português, acima dos 3,1% registados na Europa.
Mais relevante, Portugal apresenta também crescimento em termos reais (+2,3%), superando largamente a média europeia (+0,5%), o que indica uma retoma efetiva do consumo interno e não apenas um efeito associado à inflação.
Apesar do crescimento global, o volume de compras em Portugal continua em ligeira contração (-0,5%), contrastando com o crescimento de 0,6% observado na Europa. Os dados revelam um ajustamento claro no comportamento do consumidor português, nomeadamente que as famílias fazem menos visitas às lojas, mas aumentam o valor gasto em cada compra.
O tamanho médio do cabaz cresceu 1,5%, numa trajetória oposta à europeia, onde se regista uma queda de 1,8%. Em contrapartida, a frequência de compra caiu 2,1%, enquanto na Europa aumentou 2,4%, sugerindo uma maior racionalização das deslocações e das decisões de consumo.
Portugal mantém-se como um dos mercados europeus mais avançados na adoção de marcas próprias, que representam já 47,7% das vendas, bem acima da média europeia (40%). Este dado reflete uma preferência crescente por soluções mais económicas, mas também uma maior confiança dos consumidores na qualidade da oferta disponível nas cadeias nacionais.
Em paralelo, a intensidade promocional diminuiu 1,5 pontos percentuais, num contexto em que a Europa registou uma ligeira subida, sinalizando uma estratégia mais prudente por parte dos retalhistas portugueses.
Entre os sinais mais negativos do mercado destacam-se a forte retração do canal online, que registou uma quebra de 13,9%, em contraste com o crescimento de 6,8% na Europa. Também o segmento dos discounters apresentou uma contração de 4,3%, enquanto a nível europeu cresceu 5%.
Esta divergência sugere uma reorientação do consumo para formatos mais tradicionais e uma maior valorização da proximidade, da conveniência e da confiança nas lojas físicas, sobretudo no contexto nacional.
Apesar das pressões económicas, a confiança do consumidor em Portugal registou uma melhoria de 0,8%, num cenário oposto ao europeu, onde caiu 0,9%. Este indicador reforça a leitura de um mercado mais resiliente, sustentado pelo consumo interno, ainda que marcado por escolhas mais ponderadas.
No conjunto, os dados mostram um consumidor português mais cauteloso, mas confiante, que ajusta hábitos sem abdicar do consumo, contribuindo para um desempenho do mercado alimentar acima da média europeia.
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