O Championship Tour, circuito de elite da Liga Mundial de Surf (World Surd League), toca esta noite o sino de arranque da temporada 2026. As direitas de Bells Beach, no Estado de Victoria, Sul da Austrália, 1 a 11 de abril, recebem às primeiras horas da manhã locais, 7h45 (21h45 de Portugal Continental), 60 surfistas, 36 no quadro masculino e 24, no feminino. Nesta lista alargada, os olhares portugueses estarão especialmente atentos à competição feminina.
Entre as 24 surfistas, mais seis (18) do que foi norma, uma das novidades a partir do corrente ano, estarão as portuguesas Yolanda Hopkins e Francisca Veselko.
Yo-Yo, 27 anos, surfista algarvia de ascendência galesa por parte mãe e Kika Veselko, 22, de Carcavelos, terminaram a temporada 2025-2026 integradas no restrito grupo das sete primeiras do ranking do Challenger Series (CS), circuito de qualificação para a elite mundial.
A dupla lusa fará, assim, a estreia no circuito mundial de surf, seguindo as pisadas de Tiago Pires e Frederico Morais, pioneiros no CT em anos e temporadas distintas.
Carimbada a inédita qualificação ao quadrado do surf feminino português para o World Tour, Hopkins, vice-campeã do Challenger Series, circuito de qualificação para o CT, escolheu manter o número 98 (ano de nascimento) na decoração traseira da licra. Faz questão ainda de colocar as duas bandeiras que lhe correm no sangue no equipamento de competição: a bandeira portuguesa e a Union Jack, em prol da família galesa.
Veselko estampou o número 19, uma numerologia cuja desconstrução é conhecida: nove, em memória da estreia na modalidade e 19, quando foi campeã mundial júnior WSL, em 2019.
Yolanda versus Sally, Veselko estreia-se frente a Hennessy
Hopkins fará as honras de primeira portuguesa, e primeira surfista em 2026, a pisar a competição do Championship Tour como membro permanente, depois de o ter feito na qualidade de wildcard (convite) em 2023 (terminou em 5.º após eliminar Carissa Moore, na ronda 16) e 2025 (9.ª classificada, afastada por Caitlin Simmers), ambas em Supertubos, Peniche, etapa portuguesa do CT.
Na ronda inaugural do Rip Curl Pro Bells Beach, Yolanda Hopkins, cuja ligação de mais de sete anos ao treinador John Tranter mergulha em territórios de segunda paternidade, tem duelo marcado com a australiana Sally Fitzgibbons. Aos 35 anos, a aussie regressa à elite após qualificação via CS e fará a 16.ª aparição na etapa australiana do afamado sino.
Kika Veselko, terá pela frente, na bateria 3, Brisa Hennessy. Aos 26 anos, a costa-riquenha completará a nona temporada entre os “grandes” das ondas. Orientada por Rodrigo Sousa, Kika Veselko, surfista de Carcavelos, Cascais já vestiu, à imagem de Yopkins, a licra da Liga dos Campeões na qualidade de convidada.
A “jogar em casa”, no ano transato foi afastada por Bettylou Sakura Johnson, na ronda de eliminação (17.º). Um ano antes, no MEO Rip Curl Pro Portugal, caiu aos pés na mesma fase de competição.
Na lista das sete apuradas para o CT, destaque para Anat Lelior, olímpica e primeira israelita a qualificar-se para o CT, treinada pelo português Manuel Gameiro, treinador de Guilherme Ribeiro, apurado para a Challenger Series 2026 e Nadia Erostarbe, a primeira surfista espanhola a competir como membro oficial do Championship Tour (CT) da WSL.
Anat e Nadia, tal como as duas portuguesas e Tya Zebrowski (França) são as rookies do ano 2026. No quadro masculino, são quatro as caras novas. Na entrada pela primeira vez, salienta-se o francês Kauli Vaast, campeão olímpico, Luke Thompson (África do Sul), Oscar Berry (Austrália) e Mateus Herdy (Brasil).
Novo formato à meia idade
As celebrações do 50.º aniversário do World Tour ficam marcadas pela mudança do formato competitivo e o regresso à contabilidade corrida. Doze etapas seguidas, sem cut de meio de temporada (redução de surfistas), nem finais reduzidas aos cinco primeiros surfistas masculinos e femininos do ranking. O novo formato inclui heats head-to-head, duelos entre dois surfistas desde a ronda inicial.
Ao longo de nove meses e passagem por nove países, 60 surfistas disputarão os títulos de campeões mundiais de surf, procurando suceder a Yago Dora e Molly Picklum, detentores em título da licra amarela.
A época está dividida em nove etapas decorridas numa fase regular, terminada em setembro, no Lexus Trestles Pro, nos Estados Unidos da América. São contabilizados os sete melhores resultados de nove eventos. Após a nona etapa (Lower Trestles), o quadro competitivo reduz-se para 24 homens e 16 mulheres.
Seguem-se duas etapas de pós-temporada, Abu Dhabi e Peniche. A etapa portuguesa, em Supertubos, regressa ao calendário de outubro depois da “experiência de abril”. Estes dois resultados entram nas contas do ranking final.
A temporada termina numa grande final no Havai, Banzai Pipeline. O evento na mítica onda havaiana terá uma especificidade. Abre a porta à participação de todos os atletas do CT (homens e mulheres), incluindo os eliminados à ronda 9 (top 24/16) e atribuirá uma pontuação de 15 mil pontos. Para coroar os surfistas detentores do título mundial, serão contabilizados os nove melhores resultados das 12 etapas.
16 títulos mundiais concentrados em três regressos
Em 2026, assiste-se ao regresso de alguns dos dinossauros do surf mundial. Destaque na folha de ilustres para três caras conhecidas: Gabriel Medina, Stephanie Gilmore e Carrissa Moore. Todos, curiosamente, wildcards da WSL
Juntos, somam 16 títulos mundiais. Gabriel Medina, tricampeão, Stephanie Gilmore, oito vezes campeã do mundo e Carissa Moore, pentacampeã mundial.
Gilmore, australiana de 37 anos, deixou a competição em 2024, dois anos depois de conquistar o último dos oito títulos mundiais, 2007, 2008, 2009, 2010, 2012, 2014, 2018 e 2022.
Carissa Moore, havaiana de 33 anos, a surfista mais jovem da história a conquistar o Championship Tour (CT), aos 18 anos, regressa com o convite da World Surf League na mão exatos dois anos depois da última bateria disputada no Tahiti Pro, Polinésia francesa, num ano em que só entrou na água em duas etapas.
Medalha de ouro nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, e campeã do circuito principal feminino em 2011, 2013, 2015, 2019 e 2020, fez uma pausa voluntária de dois anos.
No circuito masculino, Gabriel Medina, tricampeão mundial (2014, 2018 e 2021) e nota 10 recebida nos JO Paris2024, é um dos nomes mais aguardados e mediáticos. Detentor de três títulos (2016, 2017 e 2024), Medina regressa ao Tour depois de ter estado afastado da competição devido a uma lesão no ombro esquerdo. Um retorno que promete animar mediaticamente e desportivamente o Tour.
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