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A 109.ª edição da Volta a Itália começou a rolar hoje na Bulgária, em Nesebar, cidade de veraneio no Mar Negro e termina a 31 de maio, em Roma. Cumpre três dias em solo búlgaro, uma estreia, cabendo à capital, Sofia, fazer a ponte das 23 equipas e 184 ciclistas para território transalpino.

O pelotão conta com três ciclistas portugueses, António Morgado (UAE Emirates), 22 anos, em estreia no Giro, Afonso Eulálio (Bahrain Victorious), 24, na segunda corsa rosa (estreou-se em 2025) e o veterano Nelson Oliveira (Movistar), 37, na quarta participação (2012, 2013 e 2021) na prova italiana, estatística que engrossa o curriculum do ciclista português com mais Grandes Voltas, 23 ao todo.

João Almeida (UAE Emirates), 4.º classificado em 2020 (ano de estreia) e 3.º, em 2023, a recuperar fisicamente, é a grande baixa das aspirações portuguesas, anúncio feito pelo “bota lume” em finais de abril.

A ausência do equatoriano Richard Carapaz (EF Education), vencedor do Giro em 2019, 3.º em 2025, a recuperar ainda de uma intervenção cirúrgica e a opção estratégica do esloveno Tadej Pogačar em prescindir das estradas italianas efocar-se em conquistar, este ano, o recorde de vitórias no Tour de France, abre caminho para a glória do super favorito, Jonas Vingegaard (Team Visma | Lease a Bike).

Aos 29 anos, o dinamarquês, vencedor da Vuelta (2025) e do Tour (2022 e 2023), é apontado como o mais que provável vencedor da Maglia Rosa (camisola cor-de-rosa) no final das 21 etapas, 3460 quilómetros espalhados ao longo de três semanas.

“É sempre muito especial a primeira Grande Volta, porque partimos para o desconhecido”

Jens Voigt, antigo ciclista e atual comentador no Eurosport (canal que transmite o Giro) adjetiva, em declarações ao 24noticias, a estreia de António Morgado, ciclista de 22 anos natural de Salir do Porto, Caldas da Rainha.

“É sempre muito especial a primeira Grande Volta, porque partimos para o desconhecido”, qualificou.

Voigt, ciclista alemão que participou em 21 Grandes Voltas, três Volta a Itália (2006, 2008 e 2009) e 17 na Volta a França, segundo corredor com mais participações, a par de George Hincapie, Stuart O'Grady, atrás de Sylvain Chavanel (18), deixa alguns conselhos ao estreante português.

“Seja bravo, pense positivo e acredite em si mesmo”, disse, taxativamente.

Para fazer face à longa prova, a receita passa por uma regra de contabilidade. “No primeiro dia, não diga que faltam 20. Dissemos que um dia está feito. Dois dias, feito. Quando chegar aos 12, 14 dias, aí, passamos a dizer são apenas seis dias, cinco dias...”.

Continuou a análise à primeira vez de Morgado. “Nunca correu numa prova de três semanas. Pode ser que diga que é o melhor nestas três semanas, ou é mais difícil do que pensava”, alertou.

A equipa, UAE, pode ser uma ajuda crucial no caminho que António Morgado, vencedor este ano do Figueira Champions Classic e especialista em clássicas e contrarrelógio, se prepara para fazer, como candidato a vencer provas por etapas.

“Tem muitos ciclistas com experiência. Podem dizer-lhe para relaxar, quando tiverem de o dizer, ou acelerar. Está inserido num bom ambiente, num bom grupo”, descreveu.

“Mas também há pressão, é claro. Igor Arrietae o Adam Yates (líder), são dois ciclistas fortes, logo pode ter menos liberdade e ter que trabalhar um pouco”, alertou Jens Voigt, em resposta ao 24noticias.

Morgado sem pressão na estreia

Apesar dos alertas do antigo ciclista, hoje comentador, António Morgado diz não sentir pressão nesta primeira Grande Volta.

"Para as clássicas e assim, em que tenho que preparar a performance e tenho que estar nos grupos da frente, sim tenho pressão, mas aqui tenho zero pressão. Vou tentar aproveitar a corrida", explicou em entrevista à Agência LUSA.

Estreante nas Voltas de três semanas, cabe a António Morgado a tarefa de apoio à equipa liderada pelo britânico Adam Yates e o suíço Jan Christen.

No entanto, “se tiver uma oportunidade, não a vou desperdiçar", admitiu, não descartando uma eventual possibilidade entrar numa fuga ou lutar por um etapa.

Nas vésperas de consumar a estreia, António Morgado congratulou-se por estar acompanhado de Oliveira e Eulálio mas lamentou a ausência de João Almeida.

“Gostava que a primeira vez fosse com um português do gabarito do João, mas sei que o melhor para ele é estar em casa, neste momento, e recuperar para as próximas corridas", apontando ainda Vingegaard como o principal favorito.

“Ele está super forte, mas vamos ver como vai correr. Claramente é o favorito número um, com grande espaço. Vai ser toda a gente para o derrotar", referiu à LUSA.

“Para ganhar, eu só posso ver o Jonas”

A vitória do “pescador” ou “Rei da Dinamarca”, como é tratado Jonas Vingegaard, entra também nas previsões de Jens Voigt.

“Diria que Vingegaard vai ganhar, provavelmente, com pelo menos 5 minutos para o segundo lugar”, prevê o comentador do Eurosport.

O ponto-chave deste caminho triunfante até Roma pode estar na etapa 7, a 15 de maio.

O percurso mais longo da edição 109 do Giro, 244 quilómetros, liga Formia a Blockhaus, uma das subidas mais míticas e duras, considerada a primeira grande batalha de alta montanha desta edição.

Será um teste a Jonas, Yates e Pellizzari. “Acredito que ele (Vingegaard) vai colocar o seu marco na corrida, ganhar a etapa, tomar a liderança do pelotão e não vai desistir”, antecipou em declarações ao 24noticias. “É, com certeza, o único favorito”, avisou.

“E tem uma equipa para o proteger”, salientou. “Têm apenas um objetivo. Jonas e a Rosa (camisola) em Roma”, anteviu.

Destaca outros ciclistas “interessantes e bons”, como sejam Giulio Pellizzari (Red Bull-BORA-hansgrohe), a grande esperança dos italianos, Adam Yates (UAE Team Emirates-XRG) ou gan Bernal (Netcompany INEOS), “mas para ganhar, eu só posso ver o Jonas, Jonas, Jonas”, repetiu Voigt.

À procura da história. Vencer as três Grandes Voltas

Se vestir a camisola rosa no dia 31 de maio em Roma, Vingegaard torna-se no oitavo corredor da história a conquistar as três Grandes Voltas: Tour de France, Giro e Vuelta, uma galeria onde estão Jacques Anquetil, Felice Gimondi, Eddy Merckx, Bernard Hinault, Alberto Contador, Vincenzo Nibali e Chris Froome.

“Estar aqui e começar o Giro é um sonho transformado em realidade”, disse o dinamarquês da Visma-Lease a Bike a propósito da estreia na longa prova nas estradas transalpinas.

“Posso fazer uma boa corrida nas próximas três semanas e depois logo se vê o resultado em Roma”, declarou aos jornalistas antes da partida para a 109.ª edição do Giro, descartando o título de favorito à vitória em Roma. “Não acho que seja o único favorito. Há bons ciclistas e não acho que o termo favorito esteja correto”, afirmou.

Favorito, ou não, objetivo, esse, está traçado na mente do dinamarquês. “Conquistar esta tripla coroa, vencendo todas as Grandes Voltas da minha carreira, é um objetivo para mim... nada mais. Significa fazer história”, sintetizou Jonas Vingegaard nas últimas declarações aos jornalistas antes do início do Giro.

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