Há dias em que uma camisola pesa mais do que um segundo lugar.
Rui Oliveira ainda procurava palavras quando desceu do pódio instalado diante do Palácio Nacional de Queluz para a zona de entrevistas.
Não venceu etapa, a primeira em linha, mas saiu vestido de camisola amarela da 87.ª Volta a Portugal Jogos Santa Casa. Para o campeão olímpico, bastava.
“Ainda não foi a vitória tão desejada, mas acho que não podia pedir melhor do que vestir a camisola amarela”, atirou em declarações aos jornalistas.
Segundo no prólogo de Lisboa, o corredor da UAE Team Emirates-XRG voltou a estar entre os protagonistas na etapa disputada entre a Lourinhã e o Palácio de Queluz.
Terminou integrado no grupo de 48 corredores que discutiu a chegada ao sprint, com o mesmo tempo de Francisco Campos (Team Tavira / Crédito Agrícola), vencedor da etapa, e assumiu a liderança da classificação geral.
“Vir à Volta já era um sonho. Vestir de amarelo, o que posso pedir mais?", confessou o ciclista português integrado na UAE Team Emirates-XRG, a melhor equipa do mundo, líder do ranking da União Ciclista Internacional e a única formação WorldTour presente na edição deste ano.
A estreia na principal prova do ciclismo nacional já tinha um significado especial para Rui Oliveira. Agora, soma-lhe outro momento que dificilmente esquecerá.
“Estou feliz porque vestir a camisola amarela é um sonho tornado realidade”, exclamou, emocionado.
Um dia especial
O sorriso do ciclista de Vila Nova de Gaia encontrou eco no senhor que seguiu nas declarações a quem acompanha a Volta a Portugal.
Francisco Campos acabava de conquistar a primeira vitória da carreira na Volta a Portugal.
O corredor do Team Tavira / Crédito Agrícola ergueu os braços após uma etapa que começou da pior forma para a formação algarvia. Noah Campos adoeceu e nem sequer conseguiu alinhar à partida, reduzindo a equipa de sete para seis elementos.
“Foi um dia difícil desde o início. Perdemos o Noah logo antes da partida porque estava doente”, explicou o corredor de Penafiel.
Apesar do contratempo, a equipa, a mais antiga do Pelotão (de forma contínua desde 1980) e líder na classificação, conseguiu transformar um início complicado numa jornada memorável. “Foi um dia muito especial, muito feliz para mim e para a equipa”, confessou.
Reconhecendo que o percurso lhe assentava às suas características de sprinter, transformou essa oportunidade numa vitória.
“Já cá ando há alguns anos e tenho tentado estar sempre entre os primeiros. Mas ganhar é outro nível”, considerou o corredor para quem conquistar uma etapa da Volta era um objetivo assumido desde que começou a rolar entre os profissionais.
“Era uma oportunidade de ouro e estou muito feliz”, avançou Francisco Campos para quem ganhar uma etapa era um objetivo de carreira. “Já consegui”, exclamou.
Sem pressão adicional, mas sem perder ambição, o vencedor da etapa e dono da camisola Laranja olha agora para o resto da corrida. “Daqui para a frente, tudo o que vier é bónus”, destacou.
A ligação entre Sines e Albufeira poderá voltar a favorecer os homens rápidos e Francisco Campos acredita que a equipa terá novamente argumentos.
“Teoricamente será uma etapa para sprinters, adapta-se às minhas características. Vamos ver que cartas teremos para jogar e tudo faremos para tentar ganhar outra etapa”, prometeu.
Primeira baixa da Volta
A primeira etapa fica marcada pela primeira desistência da edição de 2026. Depois de 119 corredores terem iniciado a corrida no prólogo de Lisboa, apenas 118 partiram da Lourinhã e chegaram a Queluz, consequência da ausência de Noah Campos.
O pelotão passa assim a contar com 43 portugueses. Os espanhóis continuam a constituir o maior contingente estrangeiro, com 28 corredores, seguindo-se os brasileiros, em número de oito, sete dos quais representam a Localiza Meoo / Swift Pro Cycling, equipa liderada pelo experiente Henrique Avancini, 568 mil seguidores no Instagram.
Entre as nacionalidades de corredor único na Volta destacam-se Jasim Al-Ali Abdulla (UAE Team Emirates-XRG), ciclista com a bandeira dos Emirados Árabes Unidos, o mongol Jambaljamts Sainbayar (Burgos Burpellet BH), o único ciclista profissional da Mongólia, o israelita Itamar Inbar (Israel Premier Tech Academy) e o porto-riquenho Abner González (Feirense-Beeceler).
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