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Apesar de ter sido titular contra o Congo, e o treinador Roberto Martínez ter defendido não o substituir, argumentando que Ronaldo é "o melhor marcador de golos no futebol mundial" e que faria pouco sentido tirá-lo quando a equipa precisa de marcar, a performance de Ronaldo tem gerado dúvidas sobre o seu papel como ponta-de-lança inquestionável.
Vários analistas sublinham que Ronaldo, aos 41 anos, já não reúne os atributos físicos e posicionais que um avançado moderno exige num torneio deste nível, salientando que a escolha de colocá-lo como número 9 prejudica o modelo ofensivo de Portugal, porque ele "não é um verdadeiro ponta-de-lança" e não oferece características essenciais como mobilidade, pressão alta ou participação na construção de jogo.
"No futebol atual, os avançados não vivem apenas de finalizar, precisam de dinâmicas de apoio, movimentação entre linhas e capacidade de interagir com extremos e médios. Ronaldo, cuja carreira sempre se pautou pela eficácia, hoje sofre para gerar perigo quando a bola não lhe chega em condições ideais, tal como aconteceu contra o Congo, onde teve poucas ações relevantes e recebeu marcação apertada durante grande parte do tempo", diz ao 24notícias o ex-jogador e agora comentador Chris Sutton, um dos mais críticos após o empate de ontem: "Ele [Roberto Martínez] tem medo de tirá-lo de campo. Ele não é o treinador. Pode até marcar o golo da vitória, mas ele passou ao lado do jogo hoje".
"O problema não é a qualidade do Cristiano, que é indiscutível, nem o respeito que todos lhe devem. O problema é o papel que ele ocupa em campo. Está a jogar como um número 9, mas nunca foi verdadeiramente um 9 e, neste momento, também não interpreta essa posição como a equipa precisa"2Chris Sutton, ex-jogador
Nas redes sociais e fóruns de opinião têm surgido vozes que defendem que a seleção portuguesa beneficiaria mais se Ronaldo fosse utilizado de forma diferente, por exemplo, como suplente de luxo para entrar nos últimos 20-30 minutos, quando a equipa precisa de um finalizador dentro da área, em vez de ser figura central desde o apito inicial.
"O problema não é a qualidade do Cristiano, que é indiscutível, nem o respeito que todos lhe devem. O problema é o papel que ele ocupa em campo. Está a jogar como um número 9, mas nunca foi verdadeiramente um 9 e, neste momento, também não interpreta essa posição como a equipa precisa”, salienta.
Segundo o antigo avançado, a seleção acaba por perder dinâmica coletiva quando Ronaldo atua como referência ofensiva fixa. "Um ponta-de-lança moderno tem de pressionar, atacar o primeiro poste, abrir espaços para os médios que chegam de trás. O Cristiano já não faz isso com regularidade. Fica muitas vezes à espera da bola em zonas onde o jogo não passa", explicou.
Sutton considera que esta realidade ficou evidente nos jogos mais recentes de Portugal. "Vê-se uma equipa partida. Há talento enorme atrás dele, jogadores rápidos, técnicos, com capacidade para atacar a profundidade, mas tudo abranda porque o jogo é constantemente canalizado para um jogador que já não consegue oferecer mobilidade", acrescenta.
O comentador britânico sublinha que a questão não é emocional, mas estritamente futebolística. "Isto não é falta de respeito, é leitura de jogo. Se tens um avançado que não pressiona nem dá linhas de passe constantes, estás a jogar com menos um em muitos momentos. Ao mais alto nível, isso paga-se caro. É um luxo que condiciona a equipa", assinala.
Na opinião de Sutton, a solução passa por um papel diferente para o capitão português. "Ronaldo pode ser decisivo a sair do banco, com defesas cansadas, em jogos que pedem presença na área ou bolas paradas. Mas começar de início obriga Portugal a adaptar-se a ele, quando deveria ser o contrário", afirma o antigo avançado.
O ex-jogador deixa ainda um aviso ao selecionador Roberto Martínez. "Um selecionador tem de ser corajoso. A história e o estatuto não ganham jogos por si só. Se Portugal quiser competir para ganhar o Mundial, tem de colocar em campo o onze que melhor funcione como equipa e, neste momento, isso pode significar deixar Cristiano Ronaldo fora do onze inicial", concluiu.
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