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Rui Oliveira (UAE Emirates) começou e terminou de amarelo na 3.ª etapa da Volta a Portugal Jogos Santa Casa, a mais longa da 87.ª edição da prova, que está nas estradas portuguesas até dia 16.
Apesar da natural satisfação pessoal, o inesperado feito marca o início das despedidas da camisola mais ambicionada da caravana. A entrega da Camisola Amarela a outro dono, noutra bicicleta, deverá acontecer na tarde de domingo, na mítica subida à Torre, na Serra da Estrela.
Foi o próprio ciclista português, velocista e especialista em pista, mas não trepador, quem o assumiu aos jornalistas, depois de cumprir os 182 quilómetros entre Beja e Elvas debaixo de calor tórrido.
A etapa percorreu uma paisagem marcada por alguns dos mais imponentes exemplares da arquitetura militar portuguesa. À partida, em Beja, estavam o Castelo e a Torre de Menagem. À chegada, em Elvas, esperava o pelotão a maior fortificação abaluartada do mundo, conjunto que inclui o Castelo de Elvas, o Forte de Santa Luzia, o Forte da Nossa Senhora da Graça e o Forte de São João de Deus.
Pelo caminho, houve ainda tempo para avistar outros testemunhos da história militar e senhorial portuguesa no Alentejo, como o Castelo de Alandroal, o Paço Ducal de Vila Viçosa e a Fortaleza de Juromenha.
“Amanhã vai ser um dia especial”, anteviu Rui Oliveira, já a pensar na etapa que levará o pelotão para norte, até ao ponto mais alto de Portugal, na ligação entre Figueiró dos Vinhos e a Torre.
“Vai ser o último dia em que vou envergar esta camisola. Vou tentar desfrutar ao máximo, porque já é um sonho estar com ela vestida e chegar ao ponto mais alto de Portugal (Torre, Covilhã). É a primeira etapa mítica da Volta a Portugal”, antecipou o campeão olímpico em Paris 2024.
“Estar tão perto custa”
Rui Oliveira foi quinto classificado numa etapa ganha ao sprint pelo venezuelano Leangel Linarez (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), seguido pelo colega de equipa João Matias, melhor português do dia.
Terminou integrado no primeiro pelotão e esteve perto de alcançar aquela que seria uma vitória histórica na estreia na Grandíssima. O desejo ficou, porém, a escassos metros da meta.
“Obviamente, tento todos os dias. E hoje foi mais um”, assumiu o corredor, que se sente “afortunado” pelo carinho recebido na travessia pelas vilas e cidades portuguesas.
A vontade de ganhar esbarrou nos últimos quilómetros, quando a caravana já respirava a imponência do Aqueduto da Amoreira, uma das imagens de marca de Elvas e parte do conjunto de fortificações da cidade classificado como Património Mundial pela UNESCO.
“Foi uma chegada muito caótica. Aquela queda complicou um bocadinho as coisas”, justificou, lamentando ter ficado tão perto da vitória.
“Faltavam 500 metros. Tinha de continuar a arriscar. E foi isso que fiz. Estive na frente até aos últimos 100 metros”, suspirou o ciclista que, tal como no Prólogo de Lisboa, voltou a deixar-se cair no asfalto ao passar a meta.
“Estar tão perto, custa. Mas fiz tudo para não ter arrependimentos no final. Assumi que tinha nas minhas mãos a vitória”, acrescentou o ciclista natural de Vila Nova de Gaia.
Elogios ao Tavira
“Já houve dias em que podia ter feito as coisas de maneira diferente. Mas hoje, dadas as circunstâncias que tive pela frente, joguei da melhor maneira que pude”, explicou, antes de deixar elogios aos dois primeiros classificados.
“O João e o Linarez foram taticamente perfeitos e mais fortes”, reconheceu.
A vitória da equipa algarvia mereceu também elogios do corredor da formação líder do ranking mundial da UCI.
“Mostra que as equipas portuguesas estão bastante fortes. E esperamos que isto seja uma boa rampa de lançamento para, um dia, quem sabe, ter uma equipa no maior escalão”, afirmou, num caminho em que os patrocinadores poderão desempenhar um papel decisivo.
Ceder o passo até à Torre
Rui Oliveira sabe que a Camisola Amarela está por pouco tempo nas suas mãos. A subida à Torre, no domingo, deverá colocar um ponto final na liderança do português.
“Já tivemos muito desgaste neste início de Volta. Viemos com uma equipa bastante jovem, ambiciosa. Amanhã é o dia de deixar de esperar que outras equipas assumam alguma responsabilidade”, antecipou a estratégia da equipa dos Emiratos.
Resistir entra nos planos.
“Vamos quilómetro a quilómetro e tentar salvar um bocadinho as pernas até ao início da Covilhã e rodar o máximo pelo Adria, que merece”, explicou, referindo-se espanhol colega de equipa.
“E depois, tentar desfrutar ao máximo do público até à Torre”, finalizou o líder da 87.ª edição da Volta a Portugal.
Rafael Reis (Anicolor /Campicarn) está a nove segundos. Carlos Salgueiro (Tavira) fecha o pódio da classificação geral.
Anicolor-Campicarn lidera a classificação por equipas. Daniel Cavia (Burgos), é o Camisola Laranja (Pontos), Óscar Rota (Feira dos Sofás-Boavista), a Camisola Azul (Montanha) e Adria Pericas (UAE), a Camisola Branca (Juventude).
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