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Paira na 125.ª edição de Roland Garros uma atmosfera sindicalizada por um número considerável de tenistas de elite, entre os quais os números 1 mundiais, Jannik Sinner e Aryna Sabalenka.
Novak Djokovic, antigo n.º1, atual 4.º do ranking mundial, está, contudo à margem das reivindicações que começaram antes de Paris e pode terminar em boicotes, no futuro. Em causa estão os prémios monetário a distribuir no Roland Garros, segundo Grand Slam da temporada.
A organização do torneio parisiense garantiu a distribuição de 61,723 milhões de euros, sendo 2,8 milhões atribuídos aos vencedores, em singulares, um acréscimo de 9,5% face aos 2,4 milhões da edição anterior. Os derrotados na primeira ronda recebem 87 mil euros.
O Project RedEye, assim se chama este movimento de tenistas de topo mundial liderado por Sabalenka, manifestou o descontentamento após o anúncio do prize-money para 2026. Este “sindicato” de elite considera que o aumento é insuficiente e criticam a percentagem 13 a 15% das receitas destinadas aos tenistas, especialmente quando comparada com os 22% já praticados pelos principais torneios ATP e WTA.
Ameaças de boicote, media day e entrevistas com jornalistas de duração mais curta e outras ações pairam sobre os courts de terra batida de Paris se nada se resolver na mesa de negociações, conforme explicou Sabalenka.
“Tudo isto não é sobre mim. É sobre os jogadores que estão mais abaixo no ranking, aqueles que sofrem”, disse Sabalenka, numa conferência de imprensa reduzida a 15 minutos.
“Não é fácil viver no mundo do ténis com a percentagem de dinheiro que recebemos”, avisou. “Como número um do mundo, sinto que devo dar o exemplo e lutar por essas jogadoras e jogadores”, acrescentou.
“Sinto que tenho de me levantar e lutar por esses jogadores. Pelos jogadores de níveis mais baixos, pelos que estão a regressar de lesões, pela próxima geração”, argumentou a tenista bielorussa. “A nossa posição é bastante clara e bastante justa para toda a gente. É disso que se trata”, realçou.
“Não é sobre querer mais dinheiro”, diz Fritz. “Não comento, nem participo”, sustenta Djokovic.
“Não é sobre querer mais dinheiro. É apenas querer o que é justo”, assinalou aos jornalistas Taylor Fritz, número 8 mundial. “À medida que os torneios gerem mais dinheiro, queremos, obviamente, que a receita distribuída aos jogadores reflita isso”, adiantou o tenista norte-americano.
O boicote é uma arma guardada na gaveta e Fritz não descartou a possibilidade de a usar futuramente. “Não quero usar a palavra “boicote” levianamente. É uma questão muito séria, e não acho que os jogadores devam fazer ameaças dessa magnitude se não estiverem realmente preparados para cumpri-las”, começou por avisar. “Mas chega um ponto em que algo precisa mudar se continuarmos a ser ignorados. Essa conversa provavelmente terá que acontecer”, alertou.
Na mesa de reivindicações, contudo, não se sentará Djokovic, antigo número 1. “Não fui consultado. Não fiz parte do processo, do plano ou da tomada de decisão. Por isso, não faço parte disso e não posso comentar, nem participar”, sublinhou o tenista sérvio no media day do torneio de terra batida em Paris.
Borges, Faria e Cabral em Paris
Negociações e prémios à parte, a bola amarela saltará em Roland Garros até 7 de junho no complexo de terra batida sito na zona oeste de Paris, no 16.º arrondissement, colado ao Bois de Boulogne (Bosque de Bolonha).
Nuno Borges e Jaime Faria, este último vindo da fase de qualificação, são, juntamente com Francisco Cabral, em pares, os únicos portugueses no quadro principal.
Nuno Borges, n.º1 nacional e 50.º do ranking ATP, repete a quinta presença nos courts do mediático torneio de Paris. No ano passado, alcançou a sua melhor prestação, terceira ronda. Completa o 17.º Grand Slam consecutivo no quadro principal.
Jaime Faria jogará pela segunda vez no torneio parisiense (entrada direta em 2025) e defrontará o canadiano Denis Shapovalov. O número 2 português e 117 mundial, alcança o sexto quadro principal de Grand Slam seguido, não falhando qualquer Major desde a estreia no Australia Open 2025. E torna-se o único tenista luso a entrar, via qualifying, nos quatro Grand Slams, Australia Open, em 2025 (eliminado na ronda 64) e 2026, Roland Garros, Wimbledon e US Open.
Cabral soma o quarto bilhete para Paris. Estará ao lado de Joe Salisbury, uma estreia da dupla num Grand Slam.
“(Borges) Tem experiência, jogo, é forte mentalmente e muito forte fisicamente.
Depende do sorteio (Tomas Etcheverry), se for bom, (Nuno Borges) pode chegar à terceira ronda, à 4.ª ronda, talvez quartos de final”, perspetiva Mats Wilander.
O antigo número um mundial, vencedor de sete Grand Slams, dos quais, três edições do torneio de Paris, considera o tenista maiato de 29 anos “muito perigoso”. O seu jogo “obriga os grandes jogadores a duelos intensos”, descreve ao 24noticias.
“Ainda não tem as armas suficientes para ultrapassar os top-5 em qualquer superfície, mas tem a habilidade de bater-se com eles”, realça. “E de vencer o resto”, enfatiza.
“Não deverá perder para tenistas abaixo do seu ranking e pode bater acima do ranking”, avança o antigo tenista sueco de 61 anos, comentador do Eurosport. “As expetativas são altas porque tem a experiência, jogo, é forte mentalmente e muito forte fisicamente”, conclui Mats Wilander.
Faria está entre os melhores porque merece
“Nunca me tinha qualificado aqui em Paris e esta qualificação foi especial para mim. Estou muito feliz por ter conseguido sofrer em campo e ultrapassar as adversidades”, confessou Jaime Faria, numa declaração enviada aos jornalistas, após eliminar Lukas Neumayer na terceira ronda de qualificação de Roland Garros.
Pela frente, domingo, tem duelo marcado com Denis Shapovalov (37.º ATP). “Sinto que tenho boas oportunidades contra qualquer adversário porque estou a jogar bom ténis”, assumiu em declarações ao site Bola Amarela após eliminar o tenista austríaco.
Se no ano passado a entrada foi direta em função do ranking da altura, em 2026 teve de ultrapassar três rondas, em três dias de competição.
“O Jaime de 2025 tinha melhor ranking, mas não estava tão bem preparado. Não me sentia numa boa fase e estava a tentar perceber se tinha lugar nestes palcos e no top 100. Não estava confiante e estava muito mal fisicamente”, recordou.
Este ano, sente-se melhor “preparado” com “mais experiência e clareza daquilo que tem de fazer”, explicou, realçando que está entre os melhores não “por acaso”, mas sim, “porque mereço”, adiantou ao Bola Amarela.
“Hoje, parece que ninguém consegue bater Sinner”
Sem Carlos Alcaraz, vencedor no ano passado, todos os olhos fixam-se, no quadro masculino, em Jannik Sinner. De esguelha, espreitam Alexander Zverev (n.º3 mundial) ou o monstro da terra batida (295 vitórias e 73 derrotas de acordo com o Infosys ATP Win/Loss Index), Novak Djokovic, vencedor de três torneios de Roland Garros (101-14), e que procura em Paris o 25.º título de Grand Slam.
No feminino, os olhares dividem-se por quatro tenistas. Coco Gauff (n.º 4 do WTA), vencedora em título, Aryna Sabalenka, número um mundial e finalista em 2025, Elena Rybakina (n.º2), vencedora do Australian Open e Iga Swiatek (n.º3), tetracampeã em Roland Garros (2020, 2022, 2023 e 2024).
“Hoje, parece que ninguém consegue bater Sinner, está a jogar o melhor ténis da sua vida”, anuncia. “Está a elevar o ténis a outro limite”, anota. Considera tal realidade de “bom”, já que considera que “a forma do ténis evoluir é ter este tipo de jogadores”, permitindo “elevar o nível do jogo cada vez mais alto”, sublinha Mats Wilander.
“Mas, a história ensina-nos, não dura para sempre. Tivemos Federer, Nadal, depois Federer e Nadal, Novak e depois apareceu Sinner e Alcaraz”, recordou.
A norte-americana Coco (Gauff) “pode vencer de novo em Roland Garros”, admite Mats Wilander. No entanto, “não tenho a certeza que tenha melhorado, manteve-se a mesma. Mantém-se consistente em todos os jogos, tem altos e baixos, a direita desaparece e aparece, assim como o serviço”, descreve.
“Se não jogares o melhor ténis, não consegues bater Coco, mas se jogares, podes vencer a Coco”, regista. “O ténis feminino está a ir numa direção melhor e há hoje mais tenistas que podem bater a Coco em comparação com o ano passado”, assinala, numa conferência via zoom, ao 24noticias.
Mats Wilander deixa uma receita para jogar, e tentar ultrapassar a norte-americana. “Tens de encontrar a agressividade na direita de Coco, assim como tens de ser agressivo contra a direita de Ika. Se fores agressiva e jogar bem neste ponto, podes bater ambas”, antecipa.
Cãibras não dever ter “tratamento especial”, diz ex-número 1
As cãibras de Sinner no Master 1000 de Roma não foram esquecidas. Questionado pelo 24noticias sobre a polémica do pedido de assistência médica, Mats Wilander opinou.
“Algumas regras no desporto estão na área cinzenta”, analisa. “Ter cãibras acredito que se deve à sobrecarga física que os tenistas são expostos, estão mais cansados”, refere o atual comentador do Eurosport.
No entanto, considera que “não deve haver tratamento para cãibras”. Argumenta ser “muito difícil para o juiz de cadeira decidir se são ou não cãibras”, tal como é igualmente “difícil para os jogadores saberem, logo, se esticaram o músculo ou é mesmo uma cãibra”, conta o antigo tenista que “teve poucas” na carreira.
“É um julgamento do juiz, umas vezes acerta, outras, irá errar”, sintetiza. “Por vezes é óbvio, a regra é muito difícil de seguir e o juiz terá de fazer o seu melhor”, sintetiza.
“Não acho que devemos ter um tratamento especial”, finalizou.
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