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A seleção portuguesa masculina de râguebi estreia-se este sábado na Nations Cup, a nova competição internacional organizada pela World Rugby.
O encontro frente aos Estados Unidos da América, disputado este sábado, dia 4 de julho, no Dick's Sporting Goods Park, em Commerce City, nos arredores de Denver, Colorado, está carregado de simbolismo. O jogo disputa-se precisamente no dia em que os norte-americanos assinalam os 250 anos da Declaração da Independência.
A partida tem início às 18h00 locais (02h00 de domingo em Portugal Continental) e marca o arranque da competição que substitui os tradicionais test matches das janelas internacionais de julho e novembro.
A Nations Cup reúne 12 seleções do tier 2, todas apuradas para o campeonato do mundo da Austrália 2027, divididas em dois blocos geográficos. Portugal integra o Grupo B, composto por seleções da Europa, África e Ásia, mas defrontará exclusivamente equipas do Grupo A, formado por nações da América e do Pacífico.
Atualmente no 14.º lugar do ranking mundial da World Rugby e recém-coroado campeão do Rugby Europe Championship (REC), após vencer a Geórgia na final, a seleção portuguesa inicia a competição diante dos Estados Unidos, 16.º classificados da hierarquia mundial.
Depois da deslocação a Colorado, os lobos seguem para território canadiano ainda na ronda de julho. Dia 11 (2h00 do dia 12 da madrugada lusa) defrontam o Canadá (25.º), em Edmonton, capital da província de Alberta, e, uma semana depois, a 18, enfrentam o Tonga (19.º), em Winnipeg, Manitoba, às 21h45 de Portugal. Em novembro, Portugal será anfitrião diante o Chile (dia 7), Samoa (14 e Uruguai (21).
Estreia em dia de festa nacional
A coincidência entre a estreia da nova prova do calendário internacional e as celebrações do 4 de julho dar cor ao embate entre os EUA e o XV português.
Os Eagles apresentam um equipamento alusivo aos 250 anos, inspirado nas cores da bandeira das riscas e estrelas, pintado com as cores encarnada, azul e branca. E há ainda o aviso de fogo de artificio no final dos 80 minutos.
"É um dia especial para todos nós. Estamos agradecidos por representar o nosso país e a nossa comunidade", sublinhou Scott Lawrence, selecionador dos Estados Unidos.
O simbolismo da data e da efeméride não passou despercebido a Simon Mannix, responsável máximo dos Lobos. “É, obviamente, uma ocasião única para os americanos”, reconheceu o selecionador de Portugal, no cargo desde 2024.
Apesar do esperado ambiente festivo (e provável desfile de aviões), o técnico neozelandês garante que a preparação portuguesa não sofreu alterações.
“Preparamo-nos como fazemos para todos os jogos, concentrados em nós próprios e no que precisamos fazer para sermos competitivos”, assegurou ao 24noticias.
Altitude e preparação para o Mundial no horizonte
Festa patriótica à parte, Simon Mannix identifica a “altitude” da localização do Estádio em Denver, a 1600 metros acima do nível do mar , como outros dos “desafios” à espera os Lobos diante um adversário com quem, nos últimos três encontros, somam uma derrota (novembro de 2024), uma vitória (agosto de 2023, antes do Mundial França2023) e um empate (novembro de 2022, no encontro de repescagem para o campeonato do mundo).
As “dificuldades” da altitude é “mentalmente um grande desafio” admitiu Mannix, reconhecendo que a equipa “não teve tempo suficiente” para uma adaptação ideal.
Ainda assim, mostra confiança. “Sei que qualquer equipa de Portugal entra em campo a 100%”, disparou.
Os três adversários desta primeira fase, EUA, Canadá e Tonga, merecem respeito por parte de Simon Mannix. O selecionador considera igualmente que a digressão pela América do Norte representa uma oportunidade importante para preparar o Mundial de 2027.
“São jogos importantes, desafiantes e esta é a única oportunidade que podemos ter para fazer um tour (digressão) antes do campeonato do Mundo”, avisou.
Além da componente competitiva, Mannix acredita que a convivência prolongada permitirá consolidar e reforçar os laços no grupo.
"Vamos aprender mais sobre nós próprios e sobre a forma como vivemos juntos enquanto equipa”, sublinhou.
O passo em frente com a conquista do REC
A preparação portuguesa para esta digressão ficou marcada pela chegada faseada de alguns jogadores que atuam na Divisão de Honra e os que disputam os campeonatos semiprofissionais franceses. De notar aindaas ausências de Nicholas Martins e Rodrigo Marta, ambos recentemente contratados por clubes do Top 14, divisão de elite francesa— Racing 92 e Section Paloise, respetivamente.
José Madeira, capitão dos Lobos, respira confiança antes de entrar em campo. “Estamos preparados para ouvir o hino americano e até ver aviões a passar”, sorriu.
Depois de ajudar Portugal a conquistar o segundo Rugby Europe Championship da história portuguesa e de assinar pelo USA Perpignan, do Top 14, Madeira considera que a seleção vive um momento de crescimento sustentado.
“Foi um ano espetacular em termos individuais (50 internacionalizações) e coletivos. Demos um passo em frente espetacular ao conquistar o REC”, assinalou ao 24noticias.
Para o capitão, esse sucesso deve servir de ponto de partida para este novo torneio que substitui as partidas das janelas internacionais.
“Temos de tentar transportar essa conquista para a Nations Cup”, afirmou.
Formado no Belenenses, saído precocemente para a Pro2 francesa, Madeira acredita que a dimensão reduzida do râguebi português pode transformar-se numa vantagem.
“Temos uma nação em termos de dimensão pequena, o número de potencias atletas para a seleção é mais reduzido, mas isso pode jogar a nosso favor. Quando nos toca a reunir, conseguimos estar juntos”, asseverou.
Mundialista de 2023, um dos elementos do núcleo duro que transita da segunda aparição portuguesa em campeonatos do mundo para a caminhada do apuramento para o Mundial da Austrália, em 2027, José Madeira destaca ainda uma mudança estrutural no râguebi nacional.
“(Em Portugal) Antigamente, muitas vezes, fechávamos um capítulo, entrava tudo novo e voltávamos ao zero”, comparou. Hoje, assiste-se à manutenção de um núcleo que perdura entre ciclos. “O mais interessante nas equipas do topo do ranking é que conseguem manter o núcleo duro estruturado e construir a partir dessa base”, atestou.
João Granate à porta das 50 internacionalizações
João Granate, que está no XV inicial frente aos EUA, poderá alcançar as 50 internacionalizações caso participe em dois dos três encontros da digressão norte-americana. O feito, contudo, passa para segundo plano.
“Para ser sincero, o meu foco é o próximo jogo, jogar como se fosse o último”, disse, cumprindo a máxima de que o coletivo está sempre acima de qualquer individualidade.
A marca será sempre encarada como consequência de um percurso. “Se chegar às 50, é um orgulho, mas é só um patamar. Não é um fim, não é um motivo de festa, é, sim, uma recompensa de todo o trabalho, de todos os sacrifícios ao longo dos anos e, acima de tudo, um orgulho para a minha família, que me tem apoiado e orgulho para o meu clube (Grupo Desportivo Direito)”, afirmou.
“Todos os sacrifícios valem a pena. É passar a mensagem que isto vale a pena, seja 48, 49, cada jogo vale a pena e vale a pena, na soma dos jogos, pensar sempre como se fosse o primeiro e que possa ser o último”, rematou.
Deixa considerações individuais e parte para a leitura da tournée no continente americano. Considera que a Nations Cup permitirá à seleção simular algumas das condições que encontrará na Austrália em 2027.
“Vai ser um teste real, porque vamos estar três semanas fora de casa e conseguimos emular um bocado com o que se vai passar no Mundial”, antecipou.
Granate acredita que a criação da Nations Cup trouxe uma dimensão competitiva que faltava aos antigos encontros das janelas internacionais, limitados à contabilização de ranking. “Dá muito mais sentido à competição”, sustenta João Granate.
Depois da conquista do Rugby Europe Championship 2026, a ambição dos Lobos mantém-se inalterada.
“Queremos que esse passe a ser o nosso padrão. Sempre que entramos em campo por Portugal, queremos ganhar. É essa mentalidade vencedora que faz a diferença”, assegurou. “Estamos focados nestes primeiros três jogos, depois teremos os três jogos em Portugal e logo se vê”, finalizou.
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