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O sorteio para o Campeonato do Mundo de Râguebi Austrália 2027, de 1 de outubro e 13 de novembro, perfilou os adversários de Portugal no Grupo D – Irlanda, Escócia e Uruguai – e o objetivo ficou, desde já, traçado.
“Vamos para fazer melhor do que fizemos em França (3.º classificado na fase de grupos, vitória diante as Fiji e empate frente à Geórgia). Não tenho dúvida nenhuma”, disse ao 24notícias Carlos Amado da Silva, presidente da Federação Portuguesa de Râguebi (FPR), no balanço da distribuição das 24 seleções que disputam a 11.ª edição do Mundial, a sétima desde que a modalidade assumiu o profissionalismo (1995).
Os nomes de Irlanda, atual quarta classificada do ranking da World Rugby, Escócia (9.ª) e Uruguai (14.ª) não retiram a ambição na terceira participação, e segunda consecutiva, portuguesa no Mundial (França2007 e 2023 e Austrália2027).
“A postura é igual para todos os jogos. A equipa mais difícil é a Irlanda. As outras, são para batermo-nos taco a taco. É para isso que lá vamos e mesmo com a Irlanda, vamos batermo-nos pelo resultado. Não podemos ter falta de ambição”, disparou, confiante. “Obviamente, o objetivo máximo é o apuramento para os oitavos de final e vamos tentar ficar apurados”, apontou. “Não há nenhum jogo fácil. Para ninguém”.
Amado da Silva não esqueceu as derrotas nos últimos 13 meses frente aos adversários que encontrará em 2027: a Escócia (56-10), em novembro de 2024, Irlanda (106-7), na Janela Internacional de Julho e, por fim, Uruguai (26-8), no primeiro teste do outono. “A preparação de vários meses permitirá que olhemos para o Uruguai como uma equipa para vencer”, anteviu o responsável. “É natural que as coisas venham a melhorar. Agora, sem preparação, não temos hipótese”, referiu.
A felicidade caraterizou a estreia da seleção nacional no alinhamento do sorteio, após a dupla entrada nas duas vezes anteriores em grupos então já definidos e que receberam as seleções saídas dos torneios de repescagem, como foi o caso dos lobos.
“Viu a apresentação?” “Portugal está em todo o lado. Os nossos meninos em todo o lado. Agora, temos responsabilidades”, reconheceu.
3,5 milhões para o CAR e salários pagos aos jogadores amadores ao serviço dos lobos
A cerca de 20 meses do Austrália2027 (estádios anunciados em fevereiro do próximo ano) urge o mãos à obra e a federação espera, desde logo, um comportamento distinto do atual executivo em relação ao verificado no Mundial de 2023, em França.
O governo de Luís Montenegro concedeu “apoio de 3,5 milhões de euros para o Centro de Alto Rendimento do Jamor”, investimento fulcral para a preparação das seleções, comentou ao falar da componente financeira que, a par da semi-profissionalização dos jogadores, é uma das traves-mestras do plano.
De São Bento, Carlos Amado da Silva, presidente da Federação, espera igualmente o “pagamento de ajudas e salários, através do IPDJ aos (jogadores) amadores, médicos, engenheiros”, ajudas sem quais “não é possível” preparar convenientemente a competição. “A federação paga, eles reembolsam”, sugeriu.
O presidente da FPR deixou ainda recados ao governo em exercício no França 2023. “Ficaram na dívida moral, pelo menos, mais de 200 mil euros. Foi expresso pelo primeiro ministro da altura (António Costa) que pagariam os salários dos jogadores que deixaram hospitais e consultórios para treinar. Foram quatro meses, não pagaram e pagámos tudo. Não pode voltar a acontecer e acho que não vai”, antecipou. “Não queremos ser penalizados por ter sucessos. Não faz sentido nenhum”.
“Temos a nossa política, está no programa eleitoral”
Os lobos, liderados por Simon Mannix, não têm saldo positivo nos encontros das janelas internacionais 2024 e 2025 com quatro derrotas e três triunfos. “Não estamos satisfeitos com os resultados, estamos satisfeitos com o trabalho”, realçou.
Afastou, contudo, perda de confiança no selecionador neozelandês, no cargo desde abril de 2024. “Temos contrato. Mas se as coisas não correrem de feição, evidentemente, teremos de alterar, mas não foi o caso até ao momento”.
Antes do maior evento desportivo de 2027, Portugal enfrenta duas edições do Rugby Europe Championship (REC) e a Janela Internacional de julho e novembro 2026, além da Super Cup, prova onde participam os Lusitanos, franquia da FPR.
Antes de liderar, pela segunda vez, a comitiva num mundial, Amado da Silva considerou ser “importante” o REC 2026. “Temos que começar a posicionar, porque os períodos experimentais também têm prazos”, alertou. Ter um grupo alargado de “30 a 35 jogadores contratados pela federação” não é novidade e deverá arrancar na conclusão do REC 2026 e anteceder a Nations Cup 2026, competição que envolverá 12 seleções do Tier 2, em julho e novembro.
“Vamos aos Estados Unidos, Canadá e Tonga, em princípio” e os jogadores “não podem estar a trabalhar no hospital e estarem ao mesmo tempo nisto”, observou.
“Já falámos com os clubes, tem a ver com a disponibilidade dos jogadores, não obrigamos ninguém e se alguém vier de fora, não há problema, desde que o queiramos”, avançou. “Há um representante dos jogadores, Vasco Uva, e terá esse papel de intervenção”, julgou.
A nova vida para as seleções resulta da receita desenhada na reeleição de Carlos Amado da Silva, 2023. “Temos a nossa política, está no programa eleitoral e finalmente chegou. A Espanha vai na dianteira, temos as ideias, eles fazem”, comparou e concluiu.
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