Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
Portugal, 1.º classificado do Grupo B, e Espanha (2.º do Grupo A) defrontam-se este domingo (15h00, Sport TV), no Estádio do Restelo, em partida das meias-finais do Rugby Europe Championship 2026 (REC 2026).
Os Lobos, comandados pelo neozelandês Simon Mannix, procuram chegar à final, a realizar em Madrid, dia 15, num domingo reservado ao dia das finais, para determinar do vencedor ao oitavo classificado.
“A meia-final vai ser um jogo muito difícil, um grande desafio, uma tarefa enorme contra uma equipa excelente” destacou ao 24notícias.
“Estão no 15.º lugar do ranking mundial, nós estamos em 19.º. A outra opção era defrontar a Geórgia, que está em 13.º lugar”, comparou na antevisão de um eterno duelo ibérico iniciado a 14 de abril de 1935 e cuja balança inclina para o lado de Espanha, com 27 vitórias. A seleção nacional triunfou em 15 ocasiões e há a registar dois empates.
Recuando um ano, a Espanha afastou Portugal da final do REC 2025. “Sei o quão bem estamos a trabalhar, conheço o compromisso dos jogadores e a mudança de atitude em relação há um ano. Não tem nada a ver, esta não é a mesma equipa. Portanto, espero uma exibição da qual o râguebi português se possa orgulhar”, prometeu.
Do lado espanhol, Pablo Bouza, selecionador dos Leones, que defrontou Portugal nas meias-finais do REC 2005, antecipa um duelo renhido entre os dois vizinhos. “Será uma partida muito equilibrada e que se pode decidir nos últimos minutos”, analisou.
Em declarações ao site da Federação Espanhola de Râguebi destacou o crescimento do XV luso durante toda a competição, especialmente devido à utilização de grande parte dos seus jogadores. “Portugal manteve quase 90% da equipa durante o campeonato e está mais completo do que no passado”, comparou.
“Vamos continuar criticar o râguebi em Portugal?
Depois de uma fase de grupos imaculada, tal como no REC 2025, os Lobos terminaram como a melhor defesa (36 pontos sofridos) e melhor ataque (159 marcados) entre as 8 equipas da fase de grupos e três jogadores no top 5 de marcadores, Samuel Marques (32), ausente da partida, Manuel Marta (25), Domingos Cabral (23).
Perante os números, Mannix não compreende o persistente ruído existente à volta da seleção portuguesa.
“Vamos continuar criticar o râguebi em Portugal? Provavelmente, porque é o que as pessoas gostam de fazer. Apenas tento fazer o meu trabalho o melhor que posso”, sustentou o selecionador que, frente à Roménia, terceira partida do grupo B, somou a quinta vitória consecutiva entre jogos da Janela Internacional de Novembro da World Rugby (EUA e Canadá) e Rugby Europe Championship (Alemanha, Bélgica e Roménia).
Assume lidar “mal” com “a falta de alinhamento entre clubes e federação”, uma relação que tem impacto nas convocatórias para jogos dos Lusitanos (franquia federativa que disputa a Super Cup, prova organizada pela Rugby Europe) e dos Lobos.
“Tivemos uma final dos Lusitanos (“bem perdida” contra a franquia espanhola dos Iberians) e não tivemos acesso aos jogadores que estavam a disputar o Top-6 (Divisão de Honra)”, lamentou.
“Tenho que aprender e aceitar isso, é assim que é, tenho que continuar a fazer o meu melhor”, rematou, deixando um recado relativo às relações federação e clubes.
“Se pudéssemos alinhar melhor, ajudaria a melhorar, se não, corremos o risco de ficar atrás do Uruguai, Chile e Hong Kong. A Espanha, têm acesso total aos seus jogadores, e não há dúvida, esse é o caminho. Sei que temos um presidente que trabalha duro para tentar fazer isso acontecer”, comentou.
“Descobrimos muitos jovens jogadores, o que é ótimo. É ótimo vê-los no campo”
O neozelandês de 54 anos, contratado em abril de 2024 para liderar os Lobos, reforça o trabalho realizado após os desaires em 2025 diante o Uruguai (derrota por 26-8, em novembro do ano passado), nação que defrontará no Mundial da Austrália2027, e a Irlanda (106-7), a maior derrota sofrida, e maior diferença de pontos (99), pela seleção portuguesa de râguebi no seu historial.
“Primeiramente, tive que mudar a equipa, ter um staff com quem me sinto confortável, conhecido e que fosse alinhado com o que estamos a fazer”, relembrou Simon Mannix. “Ainda temos um longo caminho, sabemos disso, mas isso foi um grande mudança”, sublinhou.
A “mudança de atitude” e o trabalho feito “na defesa” são os pontos mais destacados pelo selecionador nacional. “Temos a melhor defesa do REC, isso é algo que não se fala, Portugal tem uma ótima defesa”, enfatizou.
“Tradicionalmente, (Portugal) temos um ótimo ataque, muito bom e emocionante, mas construímos uma defesa sólida”, uma evolução que se reflete na “fisicalidade do jogo, onde acredito que fizemos grandes melhorias”, frisou.
“Descobrimos muitos jovens jogadores, o que é ótimo. É ótimo vê-los no campo. Está a acontecer um trabalho excelente na retaguarda”, deixa o elogio, sem esquecer a importância do trabalho feito com os Lusitanos, caminhada onde foram utilizados “58 jogadores”, especificou.
“Há muita crença, há muitos jovens jogadores e os jogadores estão sentindo a competição por lugares, e isso faz uma grande diferença, é importante”, referiu.
Deixa alguns exemplos.
“Vemos o (Tomás) Appleton e o Gui (Guilherme Vasconcelos). O Appleton regressou de lesão, mas sabemos que o Gui pode sair do banco. O José Monteiro tem sido excelente, desde que entrou, espicaçou o João Granate a melhorar o treino e a condição física”, confessou.
Continua. “O Gui Costa (Guilherme) está a trabalhar muito bem e isso coloca pressão na segunda linha. O Luís Lopes fez um percurso incrível durante o programa dos Lusitanos, o António Prim, estão todos a trabalhar duro”, realçou.
“Há uma mudança de atitude, acho que se tornou um ambiente muito seguro para os jogadores expressarem-se e isso é muito importante também”, finalizou Simon Mannix.
Hoje, Portugal procura chegar à terceira final do atual formato do REC. O torneio tem sido totalmente dominado pela Geórgia (17 títulos), contra 1 troféu conquistado por Portugal (2003/2004) e cinco da Roménia (os romenos viajam até Tibilisi, capital georgiana, no outro jogo das meias).
Geórgia, Roménia e Portugal são as três únicas nações com títulos “europeus” de um campeonato da Europa sem a participação das seleções que integram as Seis Nações, torneio privado reservado à Inglaterra, Irlanda, Escócia, País de Gales e Itália.
__
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários