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Simon Mannix, selecionador nacional de râguebi, não é um homem de muitos sorrisos. “Nunca sorrio. Riu-me quando vejo os meus filhos e a minha mulher”, confidenciou no arranque de conversa de antevisão da final do Rugby Europe Championship (Sport TV, 17h45, hora de Portugal Continental), frente à Geórgia, no Estádio Municipal de Butarque, em Leganés, nos arredores de Madrid.

Confissão à parte, o homem forte dos Lobos não escondeu a felicidade após a vitória na meia-final com a Espanha, na passada semana, no Estádio do Restelo, em Lisboa, e consequente carimbo para a decisão do título no Seis Nações “B”, segunda competição mais importante do râguebi europeu, frente ao todo poderoso XV georgiano.

“Estava, obviamente, muito feliz com os jogadores e o staff, porque fizemos um bom trabalho e preparámos muito bem o jogo. É bom quando isso acontece, mas neste trabalho não temos tempo para apreciar muito os sucessos. Rapidamente atiramo-nos na preparação do jogo seguinte e começámos a pensar na Geórgia”, explicou o neozelandês ao comando da seleção portuguesa de râguebi desde abril 2024.

“Tivemos um tempo para apreciar e os jogadores aproveitaram o tempo juntos depois do jogo. Mereceram, porque foram excelentes. Trabalharam muito duro e quando se trabalha duro, as boas coisas acontecem”, referiu.

“Tenho total fé e confiança na equipa”

As quatro vitórias no REC na fase de grupos (Bélgica, Alemanha e Roménia) e nas meias (Espanha), colocam os holofotes em Portugal no encontro com a “besta negra”.

A Geórgia, venceu os oito últimos troféus, tem 17 títulos em 23 edições do Seis Nações “B”, campeonato europeu revestido de várias versões. Portugal soma um título, em 2004, na equipa então comandada por Tomaz Morais e duas finais (2023, em Badajoz e 2024, em Paris) neste formato. A Roménia (vencedora em 2017), tem cinco.

“Tivemos 35 jogadores a preparar o jogo com a Geórgia completamente comprometidos com a equipa”, sublinhou. Esse compromisso foi “uma grande mudança”, adiantou o selecionador que não poupa elogios aos jogadores.

“Temos progredido com as nossas escolhas e tivemos a melhor defesa e o melhor ataque durante o REC (n-d.r., no caso do ataque, foi assim, até à fase de grupos, tendo a Geórgia ultrapassado Portugal)”.

Simon Mannix está ciente do desnível do histórico entre as duas nações. Na contabilidade de todos os confrontos, em 27 jogos frente à seleção do Leste europeu, os Lobos venceram somente quatro partidas (a última, em fevereiro de 2005) e alcançaram igual número de empates (18-18, no Mundial de França, em 2023).

“Todos os jogos contra a Geórgia são extremamente difíceis. Os resultados dizem que são difíceis. Vencemos a última vez em 2005. Estamos a falar há mais de 20 anos. Temos alguns jogadores que não eram nascidos em 2005”, chamou a atenção.

Centra-se no presente e no jogo decisivo. “Criámos a oportunidade para nós mesmos e merecemos a oportunidade de estar na final e ser campeões”, asseverou.

“A final é uma final, tudo pode acontecer, mas sabemos que este é uma equipa  extremamente boa, com atletas extremamente poderosos. E há uma razão pela qual eles ganharam tantos jogos contra Portugal e contra todos os outros”, assinalou.

“Tenho total fé e confiança na equipa que terão uma performance como às desempenhadas nos últimos oito a dez meses. Tem sido esse o compromisso durante este tempo todo. Jogar por cada um. Jogar de coração inteiro e tudo o mais para conseguir o resultado”, apontou.

Um cheiro a Mundial no europeu

O Rugby Europe Championship 2026 baixa o pano nas finais nos arredores da capital espanhola, mas os jogos frente à Espanha (17.º da hierarquia mundial) e Geórgia (13.º), deixaram no seio dos Lobos (16.º) um cheiro a Mundial, que, no caso português, será a terceira participação, a segunda consecutiva.

“Queria que sentíssemos intensidade e falei sobre isso. Foi uma semana de Mundial e a Espanha, que está a nossa frente no ranking, era o nosso Uruguai (no Mundial da Austrália os uruguaios estão no grupo de Portugal juntamente com Irlanda e Escócia).

“Sabemos que a intensidade e os níveis que enfrentaremos vão ser muito mais altos, estamos a cerca de 15 meses do Mundial e muito pode acontecer até lá”, perspetivou.

“Teremos muito râguebi para jogar, mais desenvolvimento físico e muito trabalho pela frente e sabemos que, culturalmente, essa mudança em termos de confiança entre a equipa e os jogadores, realmente ajuda e podemos ver isso no campo”, certificou.

As mudanças feitas e as vitórias trazem à tona algo que Mannix antecipava para o ano 2025-2026. “Provavelmente, estamos à frente da meta estabelecida, onde pensei que estaríamos, para ser honesto. Mas isso é bom”, resumiu.

A relação entre treinador, staff e jogadores é o segredo da mudança conforme já tinha referido Simon Mannix ao 24noticias. “Mudámos a cultura como trabalhamos. Exigimos muito mais dos jogadores. Fazemos muito mais contacto nos treinos nos últimos 10 meses, mais do que os jogadores estavam habituados”, adiantou.

“(Com a Espanha) Fizemos 226 placagens. Estou muito feliz pelo trabalho, a diferença é enorme”, exclamou. “Não sei se alguém na World Rugby falou sobre a defesa portuguesa. O número 9 espanhol disse-me que a nossa defesa é incrível”, desvendou.

“Estamos aqui para fazer o nosso trabalho e construir a equipa para o Campeonato do Mundo 2027 (Austrália)”, disparou. “Tenho de dizer, porque ninguém mais vai dizer, fizemos um bom trabalho. Jogadores, staff, fomos excelentes até este ponto”, elogiou.

O segredo? “Ter um staff onde todos têm a mesma compreensão, a mesma visão que a equipa e os jogadores têm a generosidade de fazer o trabalho duro”, detalhou.

Um trabalho onde foi integrado “um mental coach” para ajudar “a gerar essa cultura e transmitir ideias sobre como isso deveria funcionar”, referiu. “Tem sido um trabalho excelente, ajudou-nos a manter a nossa mensagem muito clara para com os jogadores”, rematou.

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