O Open da Austrália “beneficia” as características de Jannik Sinner. O tenista italiano, número dois do mundo, parte como “o grande favorito” a vencer o primeiro Grand Slam da temporada. Nuno Borges é um “jogador incrível” e tem o “respeito do circuito”. E Venus Williams mereceu, aos 45 anos, o wildcard. O regresso “surpreendente” 28 anos depois da estreia no AO terminou, para a mais velha tenista em ação num quadro principal, na primeira ronda.
Estas as linhas mestras de uma conversa telefónica de 10 minutos com Alex Corretja, antigo número dois mundial e atual comentador do Eurosport (canal que transmite o torneio) no lançamento do Happy Slam, a decorrer em Melbourne Park até 1 de fevereiro.
“Nuno é incrível, é um competidor muito bom e um jogador muito, muito disciplinado”, descreveu Corretja ao 24noticias.
Atento à carreira do tenista natural da Maia de 28 anos, reconhece que Nuno Borges “melhorou”, nos últimos anos, a “velocidade” e a “direita”, especificou.
Antes, “dependia um pouco mais dos rivais, era muito compacto e muito sólido no fundo do court”, reconheceu o espanhol, especialista em ténis.
Mas mudou. “Melhorou a velocidade, move-se muito bem, tem muita consistência e é cada vez é mais agressivo. Talvez lhe faltasse um pouco mais esse ponto, mais agressividade”, sintetizou.
Borges, 46.º do ranking ATP, defrontará Felix Auger-Aliassime, número 8 da hierarquia mundial. No histórico de confrontos entre os dois tenistas regista-se um único encontro, no Dubai ATP500, no ano passado (vitória do canadiano).
O português, a que se junta João Faria (na segunda ronda depois de eliminar Alexander Blockx) e Francisco Cabral, em dupla com Lucas Miedler (Fábián Marozsán/ Mattia Bellucci), cumpre o quarto ano consecutivo de entrada direta no torneio australiano.
No ano passado, foi derrotado pelo espanhol Carlos Alcaraz na terceira ronda. Um ano antes, foi afastado nos oitavos de final pelo russo Daniil Medvedev.
“Acho que confia mais nele. Começou no circuito com um pouco de dúvidas, de saber se o seu jogo iria fazer mossa nos adversários. Precisava disso, de acreditar em si mesmo”, sublinhou.
As vitórias arrastam a “confiança para poder, talvez, chegar a uma segunda semana de um Grand Slam, uns oitavos de final”, exemplificou.
“O circuito tem muito respeito por ele. Sabem que vai ser duro jogar contra o Nuno”, revelou. “É como acontecia com o Pablo Carreño (ex-n.º 10, em 2017). O Nuno ainda não está aí, mas essa mentalidade de jogadores que não estão na primeira linha, estão fora dos 30”, mas cuja qualidade leva os adversários a esperar dificuldades nos encontros, é algo que “o Nuno faz muito bem”, reconheceu.
Jogos noturnos benéficos para Sinner
Novak Djokovic é o Rei do torneio australiano. Tem 10 títulos, está a uma vitória de atingir as 100 partidas ganhas no AO e procura o 25.º Grand Slam. Pese embora o estatuto, em 2026 o favoritismo recai em Jannik Sinner, vencedor das duas últimas edições. Ou em Carlos Alcaraz, líder do ranking mundial. Pelo emparelhamento, os dois só podem encontrar-se na final.
“As condições na Austrália beneficiam Sinner, as sessões noturnas beneficiam o seu jogo, porque a bola não é tão alta, não faz tanto calor, fisicamente, talvez não seja tão exigente, é menos húmido”, contou Alex Corretja. “É o Grand Slam que mais se adapta ao seu estilo”, avançou.
Em virtude destes fatores e às estatística recente do italiano no piso duro de Melbourne Park, “provavelmente começa como o grande favorito e parte um pouco por cima dos outros, porque ganhou o último torneio do ano, ganhou duas vezes em seguida (no Open da Austrália) e sabe o que é ganhar aqui”, frisou.
O convite a Venus Williams termina na primeira ronda
Venus Williams, 45 anos, recebeu convite para a edição 2026, cinco anos depois da última aparição no Happy Slam e 28 anos após a estreia (1998 derrotou a irmão, Serena). A história do regresso da tenista mais velha a disputar uma partida do quadro principal da Era Moderna (pós 1968) terminou, contudo, na primeira ronda.
No John Cain Arena, a irmã Williams, 22.ª participação, 22 títulos, sete Grand Slams, quatro deles na Austrália, caiu aos pés de Olga Danilovic (69.ª), 24 anos, pelos parciais 6-7(5), 6-3, 6-4. Uma derrota após um dramático terceiro set quando liderava por 4-0 e permitiu a extraordinária reviravolta da tenista da sérvia.
A história em Melbourne ainda não acabou e Venus Williams continua no Open da Austrália, agora na variante de Pares ao lado de Ekaterina Alexandrova.
Em relação ao wildcard, Alex Corretja considerou ser “surpreendente” não o facto de lhe ter sido atribuído, mas sim que ainda “jogue e tenha vontade de competir, de treinar e de enfrentar as melhores jogadoras do mundo”, resumiu, entre elogios à norte-americana.
“Estou muito feliz!” Jaime Faria soma quatro vitórias em Melbourne
Vindo do Qualifying, Jaime Faria, 151.º do mundo, venceu lucky loser, Alexander Blockx (95.º), ao impor-se pelos parciais de 6-3, 3-6, 6-3 e 6-4.
“Estou muito feliz, como é óbvio”, exclamou o tenista português de 22 anos, apurado, pelo segundo ano consecutivo para a segunda ronda. “Mais uma vitória, já são quatro em Melbourne”, recordou em declarações via comunicação da Federação Portuguesa de Ténis.
“Já fui feliz no ano passado, estou a ser feliz este ano”, reforçou o tenista que na edição 2025 viria a defrontar e perder na ronda 2, no Rod Laver Arena, frente a Novak Djokovic.
“Senti-me a jogar muito bem, bem fisicamente, que é o mais importante”, disse, destacando o apoio de “toda a equipa que me está a ajudar, o Pedro e o Rodrigo” e “o apoio dos portugueses”, finalizou, admitindo desconhecer o adversário.
O nome sairá do vencedor do duelo entre Andrey Rublev (17.º) e Matteo Arnaldi (65.º), jogo marcado para esta madrugada.
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