A edição de 2026 do Vodafone Rally de Portugal conta com 23 provas especiais de classificação (PEC), num total de 344,91 quilómetros cronometrados, inseridos num percurso global de 1874,58 quilómetros. Entre estas PEC, destaca-se a especial mais curta, a super especial da Figueira da Foz, com apenas 1,93 quilómetros, enquanto Amarante surge como o maior desafio, com 26,24 quilómetros.

Uma prova dura, que continua a desafiar pilotos e máquinas, sendo de notar que nas primeiras dez provas especiais de classificação, os pilotos têm apenas uma zona de assistência remota, o que significa que terão de enfrentar muitos quilómetros sem uma vinda ao parque de assistência, onde têm à disposição todos mecânicos para lhes ajudar com o carro. Assim, entre a PEC 1 (Águeda/Sever 1) e a PEC 10 (Mortágua 2) , piloto e navegador, mais três mecânicos, têm de assistir a máquina de competição em Arganil, tendo à disposição apenas o que levam no carro.

O 24notícias falou com Armindo Araújo, sete vezes campeão de Portugal de Ralis (CPR) e duas vezes campeão do Mundo de Produção (PWRC), que explicou que o Rali de Portugal é uma prova de "resistência, uma das mais duras". Araújo, que venceu por três vezes o rali à geral (2003, 2004 e 2006), está a competir  em 2026 com um Skoda Fabia RS Rally 2, o que faz com que tenha de sair atrás da caravana do WRC, algo que proporciona um desafio extra.

"Os pilotos do CPR vêm atrás, o que significa que os pisos estão mais degradados. Isto faz com que tenhamos de ter uma postura diferente, mais defensiva. E esta postura só chega com a experiência. Desde muito cedo percebi que a forma de gerir uma prova que faz parte do Mundial de Ralis é diferente de gerir uma prova do campeonato nacional", explicou ao 24notícias.

Com uma vasta experiência na prova onde foi 13 vezes 'o melhor português' na classificação geral, Armindo Araújo revelou ao 24notícias que para tal tentam ter "uma afinação mais protectiva, de modo a que o carro sofra o menos possível. Claro que durante a prova nós também temos de gerir a mecânica do carro, pois são quatro dias de competição. Isso significa adotar uma pilotagem diferente, com trajetórias diferentes do habitual, para conseguirmos chegar ao fim e obter um bom resultado", afirmou o piloto português que tem dois objetivos bem definidos para a prova de 2026: "vencer o CPR e ser o melhor português" à geral.

Outro dos pilotos portugueses a enfrentar as especiais do Rali de Portugal é José Pedro Fontes. Campeão português em 2016 e 2017, o piloto tem um desafio redobrado, ao estrear uma nova máquina, o Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale, e tal como Armindo Araújo, Fontes nota a dureza da prova portuguesa.

"Os duros troços que vamos enfrentar são um teste de fogo a um carro ainda jovem e com muito a evoluir. Temos, porém, plena confiança nas capacidades da máquina. Queremos fazer uma grande prova, brindar o fantástico público português com o nosso melhor. É um dos pontos altos da temporada e queremos aproveitar ao máximo. O Rali de Portugal é sempre especial, é a nossa prova, aquela em que sentimos o calor dos adeptos em cada troço e onde a exigência é levada ao extremo", explicou em comunicado.

Para o CPR, a ação desenrola-se nos dois primeiros dias de competição, contando as primeiras dez especiais da prova portuguesa do WRC. O Rali de Portugal é a segunda prova prova do calendário nacional, após o Rali Terras d’ Aboboreira, onde o piloto açoriano Rúben Rodrigues, da Auto Açoreana Racing, chegou à sua primeira vitória no campeonato, liderando assim a tabela de pilotos, com mais dois pontos que Armindo Araújo.

Já o WRC conta com cinco provas feitas em 2026 e à chegada a Portugal, Elfyn Evans (Toyota) é o líder do campeonato de pilotos, com o galês a ter mais dois pontos que Takamoto Katsuta (Toyota). Em 2026, Evans saiu vitorioso apenas no Rali da Suécia, contanto mais dois pódios no Monte Carlo e nas Ilhas Canárias e maus resultados no Safari Rally Kenya e na Croácia. Em termos de Rali de Portugal, o galês compartilha uma vitória, na edição de 2021, com Thierry Neuville (Hyundai), que venceu em 2018. Já Sébastien Ogier soma sete vitórias em terras lusas, com a mais recente a chegar na temporada passada.

Para Ogier, Portugal tem "um lugar especial na minha carreira e é um rali que gosto muito. Os adeptos criam uma excelente atmosfera e claro o objetivo é continuar a vencer uma prova em que sou recordista. A nossa posição na estrada pode ser benéfica, num rali onde as condições podem ser incertas, com a perspectiva de chuva", explicou o atual campeão do mundo de ralis em comunicado.

Os rivais da Toyota, a Hyundai, apontam para o Rali de Portugal como o ponto de viragem na sua campanha de 2026, mas, tal como já dito, a equipa sul coreana sabe que a prova portuguesa é muito dura e difícil.

"Portugal é um evento com muita história no WRC. É um rali que coloca pressão adicional na fiabilidade do carro. Um desafio importante é o facto de os pilotos começarem na quinta-feira à tarde, percorrem dez especiais até sexta-feira à noite, com apenas uma paragem de assistência, remota, em Arganil", explicou Andrew Wheatley, diretor desportivo da Hyundai Motorsport no WRC.

Assim, na equipa liderada por Wheatley as esperanças de um bom resultado recaem sobre o piloto espanhol Dani Sordo, que regressou à competição no WRC na ronda das Ilhas Canárias, quinta prova do WRC em 2026, e que é o campeão de 2025 do CPR. Assim, para Sordo, "o objetivo é claro, trazer um bom resultado para a equipa e, no mínimo, lutar pelo pódio" à geral.

"É difícil passar do asfalto para a terra, especialmente porque os meus últimos ralis no Campeonato de Portugal, além das Canárias (WRC) e de La Llana (prova do campeonato espanhol de ralis de asfalto), foram todos em asfalto. Fizemos um dia de testes em piso de terra antes do Rali de Portugal e a sensação é completamente diferente. Foi difícil no início, mas está a ficar mais fácil. Estamos confiantes de que temos um bom carro e que seremos muito mais competitivos do que fomos nas Canárias. Quero ter um bom desempenho perante os adeptos portugueses", explicou, em comunicado, o vencedor de três ralis no WRC.

Na hostes da M-Sport, o Rali de Portugal é um desafio bem-vindo. Para Richard Millener, diretor de equipa, estas variações no calendário do WRC sempre boas, explicou ao 24notícias.

"São muitas peças em movimento, temos de ter os veículos todos no sitio certo, todas as rodas, os pneus, no sitio certo, há hora certa", o que se junta ao serviço remoto mecânicos que ao invés de estarem a trabalhar nos carros estão a "arrumar camiões".

"É um desafio de coordenação logística. Tendo em conta que tivemos alguns ralis relativamente consecutivos, muitos na equipa não têm ido a casa no último mês, mês e meio, por isso é mesmo um grande desafio. Mas, é boa esta variação no calendário, em ralis deste tipo", explicou Millener.

A prova vai para a estrada já a partir desta quinta-feira, dia 7. De maneira a manter os elevados padrões de segurança exigidos pela FIA, a Guarda Nacional Republicana (GNR) mobiliza mais de três mil militares, com foco principal "na componente da segurança de equipas e público, quer nas zonas de espetáculo, como na gestão do trânsito nas principais vias de ligação dos concorrentes".

Em conferência de imprensa, realizada na terça-feira, Francisco Martins, tenente-coronel da Divisão de Comunicação e Relações Públicas da GNR, reforçou a ideia de que "esta operação policial para o Rali de Portugal, a Guarda pretende garantir a segurança de todos os intervenientes, sejam eles pilotos ou espectadores que se encontrem em todos os itinerários, nos acessos e nas classificativas". Vamos "desenvolver uma operação de segurança na manutenção da ordem pública e de regularização de trânsito, desenvolvendo um conjunto de ações em vários pontos da região Centro e Norte de Portugal, com particular incidência nos distritos do Porto, Aveiro, Braga, Coimbra, Viseu, Viana do Castelo e Vila Real", referiu Martins.

Referindo que o Rali de Portugal é o maior evento desportivo nacional, o tenente-coronel sublinhou que "a prova carece de especial preocupação, tanto da parte da organização como da GNR, para esta manifestação desportiva que é a maior operação policial desenvolvida no ano de 2026".

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