Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

Três tenistas do top 20, sete do top 40 e dois portugueses do top 100 são as credenciais desportivas da 11.ª edição do Millennium Estoril Open.

Numa lista de inscritos no quadro principal, há ainda quatro antigos campeões do pó de tijolo do Estoril e um ex-top 3 mundial, vencedor de três Grand Slams, que, no ano do adeus, vai pisar terra batida pela última vez na carreira no torneio português.

A somar a um naipe de 15 nacionalidades confirmadas até à data, pode juntar-se ainda um nome, provavelmente sonante, por anunciar por João Zilhão, diretor do único torneio português a integrar o principal circuito de ténis internacional.

Por fim, a marcar ainda o lado desportivo do evento que é muito mais do que ténis, há a habitual nova geração pronta a despontar, a estreia de um filho de um ex-campeão mundial de futebol e um tenista em cujo curriculum constam vitórias sobre três números 1 mundiais, Nadal, Alcaraz e Djokovic.

Seis milhões de euros, 43 mil bilhetes vendidos e camarotes esgotados

O evento tem um orçamento de “seis milhões de euros”, afirmou João Zilhão, diretor do Estoril Open, aos jornalistas à margem da apresentação do torneio português do ATP que decorreu no Hotel Palácio, no Estoril, unidade hoteleira de luxo que serviu de cenário ao filme "007 - Ao Serviço de Sua Majestade" (1969).

O valor obrigou a organização a “ir atrás de mais patrocínios, mais direitos televisivos, mais vendas, tudo teve de aumentar para poder fazer frente a este investimento colossal deste ano”, sublinhou.

Os tenistas com pedigree estão a despertar o entusiamo no público. “Já temos 83% dos bilhetes vendidos e esperamos receber 43 mil espectadores”, ao longo dos nove dias, anunciou.

“Os 57 camarotes já estão esgotados há muito”, regozijou, número impossibilitado de crescer por incapacidade logística no Clube de Ténis do Estoril.

“Neste momento temos seis das 12 sessões esgotadas. Acredito que vamos esgotar mais umas quantas”, indicou ainda o diretor do Estoril Open. No mais íntimo dos seus pensamentos está o desejo de esgotar as doze sessões do evento “pela primeira vez”, disse João Zilhão no decurso da demorada apresentação do evento.

O torneio português do circuito ATP distribuirá um prémio monetário (prize money) no valor “de 612 mil euros”, dos quais “mais de 90 mil” serão destinados ao vencedor na categoria de singulares, anunciou aos jornalistas.

Três top-20 mundiais

Os nomes da 11.ª edição Estoril Open deixam João Zilhão “muito orgulhoso”. O cartaz é de respeito. Casper Ruud, 12.º do ranking ATP, Andrey Rublev, 15.º da hierarquia mundial e Luciano Darderi, 16.º ATP, são as estrelas no Clube de Ténis do Estoril.

O italiano Darderi tem como credenciais ter sido semifinalista do Master 1000 Roma.

O russo Rublev, antigo número cinco mundial, vencedor de 17 torneios ATP — seis dos quais em terra batida, superfície na qual conquistou os seus maiores troféus em Monte-Carlo (2023) e Madrid (2024) —, regressa ao Estoril Open nove anos após não ter passado o "qualifying", na altura com 19 anos e fora do top-100.

Ruud, 14 títulos ATP, 12 em terra batida, é um dos antigos campeões do Estoril Open. O norueguês ergueu o troféu da Vista Alegre em 2023, pedestal onde também subiram o polaco Hubert Hurkacz (2024) e o espanhol Pablo Carreño-Busta (2017).

A despedida de um campeão

Entre os nomes que fazem parte da história do evento está Sam Wawrinka (102.º) e um dos tenistas convidados (wild card) da organização.

Para além de constar da galeria geral dos vencedores do pó de tijolo do Estoril Open, o suíço de 41 anos – que se impôs no evento do ATP Tour quando era jogado no Jamor (2013) — deixará ainda uma marca indelével em Portugal. No ano de despedida do circuito (em outubro, na helvética Basileia), o adeus definitivo à terra batida será dado em solo português.

O espanhol Alejandro Davidovich Fokina (23.º da hierarquia ATP), duas vezes semifinalista no Estoril, o chileno Alejandro Tabilo (número 33.º do mundo), vice-campeão do Rio Open 2026, o italiano Matteo Arnaldi, semifinalista de Roland Garros, e o belga Alexander Blockx (37.º), semifinalista do ATP Masters 1000 de Madrid, fecham o lote de top 40 do maior torneio de ténis em Portugal.

Borges e Faria num pouco habitual top-100 luso

O Estoril Open conta ainda com dois portugueses, Nuno Borges (47.º) e Jaime Faria(97.º), ambos no top-100, algo pouco comum na história do maior evento do ténis nacional.

Se Borges já estava confirmado no quadro principal, Faria recebeu um dos três convites da organização. O número dois nacional pode até nem necessitar de wild card. A poucos lugares fora do quadro principal (fechado no 82.º do ranking, no francês Luca Van Assche), arrisca beneficiar de eventuais desistências e pode, desta forma, deixar uma vaga em aberto para a outro tenista luso, Henrique Rocha.

Em relação aos nomes ainda em aberto para o último wild card, Zilhão foi claro: é uma decisão a tomar mais à frente no calendário e condicionada aos resultados dos três torneios que antecedem o Estoril Open — Open da Suíça, em Gstaad, o Open da Suécia (Bastade) e Open da Croácia (Umag), além do Kitzbuhel (Áustria), na mesma semana.

“Têm todos quadros muito bons e temos de ver algum jogador que ainda não esteja inscrito e quer adicionar uma semana”, avançou ao 24noticias. “Tenho alguns nomes sonantes que estão lesionados agora e podem querer voltar, vou deixar em aberto, porque quanto mais tarde decidir, melhores decisões tomo”, assegurou.

O tomba-gigantes e o filho do campeão do mundo... de futebol

Botic van de Zandschulp, número 52 da hierarquia, é um dos possíveis agitadores no Centro de Ténis do Estoril.

O neerlandês transporta no curriculum ter sido o carrasco do fim da carreira profissional de Rafael Nadal (eliminou o espanhol nos quartos de final das Finais da Taça Davis, em Málaga, em novembro de 2024), afastou o sérvio Novak Djokovic no Master 1000 de Indian Wells (2025) e triunfou sobre Carlos Alcaraz no US Open (2024).

E como estamos em período do mundial de futebol e a viver a loucura dos retângulos colados nas cadernetas do Mundial FIFA 2026, o Estoril Open apanha o comboio e estreia os “cromos” do ténis. Uma curiosidade que coincide com a presença de Andress Burruchaga, filho de uma antiga estrela da seleção argentina de futebol, Jorge Burruchaga, campeão do mundo no México 1986, o célebre mundial da “Mão de Deus”.

O primeiro verão do Estoril Open

Depois da “pequena partida” do ATP, ao rebaixar o Estoril Open para a categoria de challenger, em 2025, o pó de tijolo do Estoril regressa ao calendário do circuito principal (ATP250) após uma edição marcada por um “apagão e as chuvas das meias-finais”, recordou João Zilhão durante a apresentação em que se falou muito daquilo que passa para lá dos courts.

Um regresso, numa estação inédita, o verão, de 18 a 26 de julho, depois de 35 anos edições primaveris entre abril e maio.

O deslizamento no calendário pós-Wimbleton (relva) provocou desafios à 3LOVE, empresa organizadora do evento.

“Estou há 25 anos a negociar (a vinda) de jogadores de ténis, desde o Jamor até hoje, e não foi fácil negociar jogadores para a terra batida na época de julho”, confessou.

Quase fechada a temporada de relva, com Wimbleton atrás das costas e a anteceder o piso rápido americano à porta, que culmina no US Open, “conseguimos trazer um plantel de luxo, grandes nomes do ténis, estrelas da atualidade e campeões do passado”, destacou João Zilhão.

Questionado sobre a mudança para o pico do verão, Zilhão não se mostra preocupado.

“Temos 10 anos de histórico das temperaturas no Estoril em julho, nada é preocupante, há torneios onde há muito mais calor, onde os jogadores realmente estão a sofrer” recordou na conversa com os jornalistas, dando como exemplo Roland Garros e os problemas de calor que afetaram o líder mundial, Yannick Sinner, em Paris.

“Vamos ter tudo o que é possível para os jogadores estarem mais protegidos do calor, mas obviamente vão estar a jogar em temperaturas um bocadinho mais elevadas do que eram em abril”, assumiu.

A mudança no calendário ATP levou ainda a organização a alterar os horários. As meias-finais de sábado e a final de singulares de domingo são arrastadas para as 17h30, após a final de pares, potenciando o ambiente de sunset e o convívio fora dos courts.

“As meias-finais [vão ser] transmitidas no Eurosport, a final em simultâneo no CNN e no Eurosport”, sinal passado em “mais de 169 países, mais de 3000 horas de visualização, pelo mundo fora”, avançou. “Não sei se há muitos eventos em Portugal que tenham uma transmissão tão ampla”, avisou durante a apresentação do torneio.

Estrelas Michelin

À espera de que as bolas oficiais, ainda “em trânsito”, cheguem, e para lá do peso das estrelas nos courts, a organização engendrou estratégias para atrair novos e mais públicos.

Entre tempo e local dedicado à Responsabilidade Social, exposição de quadros para venda da CERCICA, a presença da Academia Champs e as visitas de escolas de ténis, há espaços dedicados para reuniões de patrocinadores e parceiros (são mais de 100 marcas presentes) e novos lugares instalados atrás dos painéis publicitários — mesmo em cima dos tenistas e prontos para "cheirar" o pó de tijolo.

Além disso, 14 marcas de foodcourt invadem a cidade do Ténis montada no CTE, reforçando a gastronomia como um dos eixos mais importantes do evento.

O Slice Lounge — a gigante tenda VIP por onde “passaram 10 mil pessoas no ano passado” — terá “um conceito completamente inovador”. Ajustado à nova realidade do verão, será este ano ao ar livre, mas sem descurar as zonas de sombra. Já a tenda das refeições (onde foram servidas 9 mil refeições em 2025) será fechada e beneficiará de ar condicionado para manter os Very Important People à margem das temperaturas elevadas.

Tiago Pernambuco, Ricardo Costa Rui Paula, João Oliveira, Rodolfo Lavrador, Sebastião Coutinho e Felipe Carvalho desfilam as suas receitas carimbadas com estrelas Michelin, numa espécie de festival de verão da gastronomia com dia e hora marcada.

“É um evento de referência para o entretenimento em Portugal. Goste-se ou não de ténis, o evento acopla todo o tipo de gastronomia, música, arte e cultura. Acho que isso é muito importante, quem vai ao evento sai de lá enriquecido”, transmitiu ao 24notícias.

“Os nomes sonantes falam por si. Estoril Open, mas é muito mais do que ténis”, sublinhou. “Obviamente também tem um bocadinho de ténis”, adiantara João Zilhão durante a apresentação da 11.ª edição do Estoril Open.

___

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.