O que aconteceu na Mata da Albergaria ficou, pelo menos por agora, na Mata da Albergaria

A sétima etapa da Volta a Portugal, entre Vieira do Minho e as Termas do Gerês, tinha 153 quilómetros e um ponto inevitável no mapa: os 11 quilómetros da Mata da Albergaria, área classificada pela UNESCO como Reserva da Biosfera desde 2009.

A passagem da caravana estava autorizada, mas sujeita a um conjunto de restrições impostas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

A organização preparou a travessia como quem atravessa uma fronteira invisível. Dos 34 automóveis que habitualmente acompanham as 17 equipas, apenas 17 foram autorizados a entrar na mata. Das 25 motas da caravana passaram 15. As dez viaturas da organização ficaram reduzidas a três e apenas duas das três ambulâncias puderam atravessar o troço protegido.

Os veículos publicitários ficaram de fora. Também não houve público, amplificação sonora ou estruturas fixas associadas ao prémio de montanha. A captação aérea de imagens — por helicóptero ou drone — foi igualmente proibida.

Foi por isso que, durante alguns quilómetros, a Volta apagou-se da televisão.

A transmissão da RTP ficou sem imagens da passagem pela Mata da Albergaria, justamente no momento em que o pelotão disputava o prémio de montanha de primeira categoria, conquistado por Fábio Costa, da Feira dos Sofás-Boavista, autor da fuga da etapa. A corrida continuou a avançar, mas para quem a seguia pela televisão restou um vazio entre o parque de campismo do Vidoeiro e a Portela do Homem.

Volta
Volta créditos: Rodrigo Rodrigues

A travessia, autorizada e condicionada por fortes restrições impostas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), fez estalar a polémica e provocou críticas de associações e movimentos ambientalistas desde o anúncio do percurso.

Associações e movimentos ambientalistas convocaram mesmo uma manifestação. Contudo, a contestação que prometia chegar à estrada não reuniu mais de 15 pessoas, conforme noticiou o Jornal de Notícias.

No final da etapa, a organização agradeceu à caravana o cumprimento das regras estabelecidas para a travessia da mata. Numa nota enviada às redações, destacou o “respeito escrupuloso” pelas normas e, em particular, o esforço dos corredores, que “se sujeitaram com a suspensão dos abastecimentos no troço da área protegida”, lê-se na nota enviada às redações.

Trio que acabou na frente da etapa ocupa a Geral

Após a breve passagem quase silenciosa, sem publicidade, sem público, sem helicópteros e, sem televisão, a Volta reapareceria para mostrar todo esplendor do Parque Natural Peneda-Gerês.

E apareceu com uma nova configuração na classificação geral. E, poderá mesmo, antecipar o que se poderá observar à chegada à avenida dos Aliados, no Porto, dia 16, no encerramento da edição 2026 da Volta a Portugal em Bicicleta.

Ainda com montanha suficiente no percurso, depois de uma incursão de 23 quilómetros por Espanha, o pelotão reentrou em território nacional para subir ao Alto de Germil, em Ponte da Barca, uma das novidades da Volta.

Neste percurso ingreme e empedrado, a corrida começou a ganhar forma.

Adrià Pericas, da UAE Emirates Team e Alexis Guérin, Artem Nych, ambos da Anicolor-Campicarn assumiram as despesas na montanha até chegarem isolados à vila do Gerês (Termas do Gerês).

O jovem espanhol Pericas – um Alcaraz do ciclismo que assinou contrato de Longo Termo com a equipa dos Emirados - seria o primeiro a cortar a meta (3h48m02s) entre os 102 corredores (6 desistências) que completaram a etapa terminada nas Termas do Gerês.

O vencedor da etapa impôs-se aos dois homens que ocupavam e ocupam os primeiros lugares da classificação geral.

O francês Guérin, foi segundo classificado e manteve a Camisola Amarela pelo quinto dia consecutivo. Nych, ciclista russo, vencedor das duas últimas edições da Volta a Portugal, foi terceiro e mantém a distância de 47 segundos do líder e colega de equipa.

Pericas – terceira vitória da UAE - , por sua vez, saltou para terceiro lugar da classificação geral, a 1m57s do Camisola Amarela e completa o pódio, um trio que pode manter-se nas restantes etapas da Volta.

Volta a Portugal
Volta a Portugal créditos: Igor Martins

A felicidade de estar no pódio, mas a Volta ainda não acabou

“Estou muito feliz, na verdade, é muito, muito especial. Uma etapa que também passava por Espanha, pela nossa casa”, comentou Adria Pericas aos microfones da RTP na zona de entrevistas.

Mas a Volta a Portugal não terminou no Gerês.

““(A Volta) Não acabou, na verdade. Estou feliz por estar no pódio, mas terei de continuar a lutar, tentar aguentar e tentar ir até ao final desta Volta”, afirmou.

A corrida segue agora para Melgaço e Fafe (oitava etapa). Depois virá Paredes-Mondim de Basto e, sobretudo, a dupla subida à Senhora da Graça.

Só depois a Volta poderá começar a responder à pergunta que o Gerês deixou no ar: se o pódio que se formou entre a montanha e a fronteira espanhola será também aquele que chegará à Avenida dos Aliados, no Porto, no dia 16.

Por enquanto, Alexis Guérin tem a Amarela, Artem Nych continua à espera do terceiro triunfo consecutivo e Adrià Pericas, o jovem espanhol que chegou ao Gerês como promessa, ocupa o terceiro degrau num dia em que a montanha do Gerês decidiu uma etapa e, talvez tenha começado também a decidir a Volta.

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