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Florentino Pérez convocou de forma inesperada uma conferência de imprensa em Madrid para responder à crescente polémica em torno da sua liderança no clube espanhol. O dirigente, de 79 anos, afastou qualquer cenário de demissão e revelou que a direção aprovou a abertura de um novo processo eleitoral apenas 16 meses depois do início do atual mandato.
“Lamento dizer-vos que não me vou demitir”, afirmou o presidente madrileno logo no início da intervenção, acrescentando que pretende recandidatar-se juntamente com a atual direção. “Quem quiser apresentar-se, que dê a cara”, desafiou.
A conferência acabou, no entanto, dominada pelas críticas de Pérez à imprensa espanhola, em particular ao jornal ABC e ao extinto portal desportivo Relevo, ambos ligados ao grupo Vocento. O presidente acusou vários jornalistas de conduzirem uma “campanha de desprestígio” contra a sua pessoa e contra o Real Madrid.
O momento mais tenso aconteceu durante uma troca de palavras com Rubén Cañizares, jornalista do ABC, depois de o diário ter publicado uma notícia segundo a qual Florentino Pérez teria confessado a pessoas próximas estar “muito cansado”. O dirigente reagiu com ironia e contestou a veracidade da informação.
“Por que mente o ABC?”, questionou perante os jornalistas presentes, anunciando depois que iria cancelar a subscrição do jornal, herdada do pai. “Queria honrar o meu pai, que lia sempre o ABC, mas tomei a decisão de cancelar a assinatura. Ele agradecer-me-ia”, afirmou.
Ao longo da conferência, Florentino Pérez repetiu várias vezes que existe uma tentativa organizada para afastá-lo da presidência. O dirigente referiu inclusivamente rumores sobre o seu estado de saúde, negando estar doente ou cansado.
“Disseram até que tenho um cancro terminal. É mentira. Continuo a liderar o Real Madrid e a minha empresa. Se estivesse nessa situação, toda a gente saberia”, declarou.
Ao referir-se a um artigo escrito por uma jornalista do ABC, afirmou que “nem sabe se ela percebe alguma coisa de futebol”. Já durante o período de perguntas dirigiu-se à jornalista Lola Hernández, da FOX, dizendo: “Essa menina também tem direito a falar”.
Florentino Pérez aproveitou ainda para abordar o caso Negreira, voltando a acusar a arbitragem espanhola de prejudicar o Real Madrid. “Ganhei sete Champions e sete Ligas, mas devíamos ter ganhado 14 campeonatos. Roubaram-nos sete”, afirmou.
O presidente revelou também que o clube está a preparar um “dossier importante” sobre o caso Negreira, que classificou como “o maior caso de corrupção da história do futebol”.
A instabilidade em torno do Real Madrid aumentou nos últimos dias após terem sido divulgadas informações sobre uma alegada discussão entre Aurélien Tchouaméni e Federico Valverde durante um treino. Pérez tentou desvalorizar o incidente, afirmando que “não é caos dois jogadores zangarem-se”.
O Real Madrid termina a temporada sem conquistar qualquer título importante pelo segundo ano consecutivo. A equipa ainda tem três jogos por disputar na Liga espanhola, começando já esta quinta-feira frente ao Oviedo, no Santiago Bernabéu, onde estão previstas manifestações de adeptos contra a direção do clube.
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