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Primeiro, nasceu Associação Super XV - Rugby Portugal, em representação dos 12 emblemas juntos e unidos num momento histórico da modalidade.
Vai organizar o principal campeonato da bola oval durante os próximos cinco anos. Recebe das mãos da FPR a gestão, organização e comercialização da prova. Em sede federativa, permanecem as questões de Disciplina, Arbitragem e Justiça.
Ficou tudo preto no branco durante a assinatura do Protocolo entre as duas entidades, um acordo de delegação de competências da Federação para a Associação que se estende nos próximos cincos anos.
“Um momento que esperava há muito e que hoje se concretiza”, disse, aos jornalistas, Carlos Amado da Silva, presidente da Federação Portuguesa de Rugby (FPR) ao pronunciar-se sobre a delegação de tarefas.
“A responsabilidade é sempre da federação. O modelo foi sempre acordado com os clubes. A partir de hoje, passa a ser com a Associação”, antecipou, prometendo “dar todo o apoio necessário” no que toca à “organização do campeonato, logística, financiamento, receitas, despesas”, obrigações, agora, a cargo da Associação Super XV.
Esta, por sua vez, traçou uma nova linha de pensamento.
“Ter uma visão empresarial, tornar o râguebi mais atrativo, fazer de tudo para que haja mais público e arranjar um parceiro tecnológico e patrocinadores. A partir daí, vamos tentar valorizar a prova e tentar que haja mais receita, com um melhor produto e maior visibilidade”, afirmou Luís Lança de Morais, presidente Associação Super XV - Rugby Portugal.
“Quando um clube é campeão só gasta dinheiro”
Uma das ideias em cima da mesa é a criação de um prize money para premiar clubes e atletas de acordo com a classificação.
“Quando um clube é campeão só gasta mais dinheiro. Tem de pagar jantares e cerveja à malta toda. Hoje, quando os clubes ganham, têm mais despesa”, brincou Lança de Morais, insistindo na necessidade de aumentar a visibilidade mediática da competição.
“Queremos melhorar as transmissões e trazer mais público aos estádios para criarmos receita para os clubes”, reforçou o dirigente e presidente do Grupo Desportivo Direito há 14 anos, um dos clubes fundadores da Super XV.
A profissionalização continua, por enquanto, longe de ser uma realidade. Mas deixou de ser uma ideia afastada do horizonte.
Questionado sobre se é, ainda, utópico pensar na profissionalização da rugby português, Luís Lança de Morais foi direto.
“Muitas vezes fala-se que o râguebi será profissional em Portugal, mas onde está o dinheiro para pagar aos jogadores?”, questionou, sem contudo, fechar esse cenário num futuro a médio prazo.
“Há uma ambição, mas seria utópico começar com uma liga fechada. Estava condenada ao insucesso neste momento”, reconheceu.
Modelo da meritocracia
Benfica, campeão em título, Cascais, Direito, Belenenses, CDUL, São Miguel, Agronomia, Técnico, Académica, CDUP, RC Santarém e AR Setúbal vão disputar um novo modelo competitivo, para já, válido para a época 2026-2027.
O campeonato português tem sido fértil em mudanças desde o início do século, mas a fórmula agora apresentada pretende assentar numa ideia simples: competição aberta, subidas e descidas e uma fase final reservada aos oito melhores.
“O modelo competitivo que estamos a desenvolver é o da meritocracia, democrático, há subidas e descidas, não é fechado. O último classificado irá sempre descer”, detalhou Luís Lança de Morais, presidente Associação Super XV - Rugby Portugal durante a assinatura do Protocolo com a FPR.
Os 12 clubes vão defrontar-se numa única volta, abandonando o tradicional sistema de jogos em casa e fora. Os oito primeiros avançam para a fase final, que regressa depois de duas temporadas sem esta componente.
No Top 8, as equipas serão divididas em dois grupos de quatro, voltando a defrontar-se numa volta única. Os resultados determinarão os semifinalistas e, depois, os finalistas que irão disputar o título nacional.
A ausência do tradicional jogo em casa e jogo fora é uma das novidades do modelo.
“Os clubes fizeram essa reflexão e abdicam, se for preciso, do fator casa em benefício da modalidade e da competição”, explicou Lança de Morais.
“Todos jogarão em casa, portanto, a verdade desportiva está lá”, contrapôs Carlos Amado da Silva.
“Os clubes agora são obrigados a entenderem-se, é bom para todos nós: temos de aproveitar esta onda, vem aí o Campeonato do Mundo, vamos todos trabalhar mais e melhor pelo râguebi nacional. Há consonância de interesses, vamos trabalhar em conjunto”, afirmou o líder federativo.
Arranque a 10 de outubro, final a 15 de maio de 2027
A competição, ainda sem nome oficial definido, arranca a 10 de outubro e termina a 15 de maio de 2027.
O calendário foi desenhado tendo em conta os compromissos internacionais da Seleção Nacional, Nations Cup, em novembro, e o Rugby Europe Championship, entre fevereiro e março de 2027, num ano marcado pelo Campeonato do Mundo da Austrália.
A gestão do calendário é, por isso, uma das principais preocupações.
“Na fase final há um compromisso com a Federação e com a equipa técnica nacional: os jogadores ao serviço da Seleção, a partir de abril, estarão 100% disponíveis para os clubes”, revelou Lança de Morais.
A intenção é evitar que a competição doméstica fique fragilizada pela cedência dos principais jogadores à Seleção e garantir que as fases decisivas do campeonato possam contar com os internacionais portugueses.
“Temos de expurgar os maldizentes”
A união dos clubes foi uma das ideias mais repetidas pelo responsável que assumiu a presidência da associação (a duração e quem poderá ocupar a cadeira, se é rotativa entre presidências, ficou por esclarecer). Mas, por entre os apelos à convergência, também houve espaço para algumas farpas ao ambiente que rodeia a modalidade.
“O essencial é a família do râguebi estar unida”, pediu Lança de Morais. “A modalidade ainda é amadora, precisa da ajuda de todos. Vamos todos empurrar”, rogou.
O presidente da Associação Super XV assumiu ainda como objetivo deixar uma modalidade melhor do que aquela que encontrou.
“O nosso objetivo é não deixarmos um legado pior do que aquele que recebemos.”
E voltou à carga contra aquilo que considera ser um excesso de crítica.
“Vamos tentar, em conjunto, fazer algo pela modalidade em vez de estarem meia dúzia de pessoas a dizer mal. Não podemos continuar a dizer mal uns dos outros e depois nada acontece”, lamentou, endurecendo o discurso.
“Temos de expurgar os maldizentes da modalidade. Estamos sempre a falar dos bons valores do râguebi, mas depois há malta que se esconde atrás das redes sociais”, apontou, terminando com uma mensagem de esperança.
“Estamos aqui pela positiva, estamos construtivos. Aos poucos verão mudanças palpáveis. O interesse é fazermos melhor. Cá estaremos para partilhar as boas experiências — não as más”, finalizou.
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