Estar “um bocadinho mais atento (também) ao desporto”. Este, o pedido especial de Fernando Pimenta feito, pessoalmente, ao Presidente da República, António José Seguro, no segundo dia (ontem, quarta-feira) de presidência aberta pela Zona Centro, território afetado pelas tempestades do início do ano, e que incluiu uma visita ao Centro de Alto Rendimento (CAR) de Montemor-o-Velho, palco do Campeonato da Europa de Canoagem de velocidade, 12, 13 e 14 de junho.

“Acho que somos literalmente a imagem de Portugal, somos os embaixadores, um ativo positivo de todo Portugal", expressou ao 24notícias, à margem da assinatura de um protocolo entre o Comité Olímpico de Portugal (COP) e o Continente, novo Parceiro Olímpico Alimentar Oficial da Equipa Portugal.

“Seria para nós uma honra poder ter o nosso Presidente da República presente", nos Europeus de canoagem, antecipou Fernando Pimenta, ultramedalhado canoísta português, ao estender publicamente o convite ao inquilino do Palácio de Belém.

Em relação ao CAR, “estamos confiantes de que as coisas vão estar prontas para o Campeonato da Europa", avançou, embora admita a existência de “infraestruturas que vão demorar algum tempo a serem reabilitada”, disse aos jornalistas, na cerimónia de parceria decorrida esta quinta-feira, 9 de abril, na sede do COP, em Lisboa.

"Depois de tudo aquilo que aconteceu na região, nós, atletas, estamos a trabalhar para conseguir dar alegrias aos portugueses, mas também e, sobretudo, àquela região que foi devastada com as cheias e com a tempestade”, frisou.

Às quatro participações olímpicas – Londres2012, Rio de Janeiro2016, Tóquio2020 e Paris2024 -, Fernando Pimenta, 36 anos, medalha de prata em Londres e bronze em Tóquio, quer adicionar o último número da mão.

“O grande objetivo é conseguir pontuar para os Jogos Olímpicos”, traçou.  O caminho será “diferente do que era habitual”, fruto da alteração imposta pela Federação Internacional.

“Na minha disciplina, individual, vai contar os 200, 500, 1000 e os cino mil metros”, anuncia. A “qualificação é feita por ranking, o que pode beneficiar as maiores potências da modalidade”, explica. Favorece “os países com muito mais atletas e mais infraestruturas”, assevera. “(Esses países), já começaram à frente, porque vão ter, certamente, atletas de renome, e, em muitas das competições, até dois atletas por categoria, por distância, a lutar pelos pontos”, analisou.

Apesar de “triste” pela alteração, não baixa a guarda. “Tenho de aceitar, ir à luta, trabalhar todos os dias para isso e, espero, no final, ser um dos atletas ou um dos países contemplados com o lugar para os Jogos Olímpicos", sentencia.

Em 2026, Pimenta quer estar a “100% nas cinco competições internacionais, três Taças do Mundo, uma delas fora da Europa, o Campeonato de Europa em Montemor-o-Velho, a meio de junho, e depois o Mundial, em Poznan”, na Polónia, enunciou.

A lesão e a maternidade. As vidas de Patrícia Sampaio e Rochele Nunes

Para além do senhor 150 medalhas, marcaram presença na cerimónia de assinatura da parceria entre o COP e a cadeia de supermercados portuguesa, Patrícia Sampaio e Rochele Nunes (Judo), Agate de Sousa (Salto em Comprimento), Iúri Leitão (Ciclismo) e Diogo Costa (Vela), entre outros atletas da Equipa Portugal.

A recuperar da lesão, rotura no ligamento lateral interno do joelho esquerdo,  “melhor do que esperava”, Patrícia Sampaio (-87 kg) falou igualmente dos objetivos imediatos.

“Fiz esta semana dois meses de lesão, o prognóstico são três para estar a fazer judo, mas apontámos para competir só no final do verão, em agosto”, disse aos jornalistas a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos Paris-2024. Nos planos, está o Campeonato do Mundo, em Baku, no Azerbaijão, 4 a 10 de outubro.

“Tinha dois grandes objetivos para este ano, ser campeã da Europa e campeã do Mundo. Não podendo ser campeã da Europa, é na próxima semana, continuo a querer ser campeã do Mundo”, atirou a campeã europeia em 2025 e número 3 do ranking.

A maternidade e o filho de onze meses mudou, para melhor, a vida da judoca Rochele Nunes (categoria +78kg), 36 anos. Entre agradecimentos à família e ao clube, Benfica, alicerces que lhe permitem conciliar esta nova etapa da vida com a competição, sublinha que a “maternidade tem sido a parte mais prazerosa da minha vida”, confidenciou ao 24noticias.

“Tenho um marido maravilhoso que consegue viver este sonho olímpico comigo, mais uma vez, o meu pai veio do Brasil para me ajudar e o Benfica também me abriu as portas da creche, para poder deixar o filho e poder estar descansada a treinar”, reconhece a judoca para quem “é muito mais difícil ir aos Jogos Olímpicos do que ser mãe”, rematou a olímpica (Tóquio e Paris).

A mudança não lhe retira qualquer pitada de aspirações desportivas. “A minha ambição continua alta”, indica. Embora reconheça que o regresso “está a ser um pouco mais difícil do que imaginava”, considera que “os meus treinos têm sido cada vez melhores”, confessou aos jornalistas a judoca cuja mira aponta “sempre o pódio”, lugar ao qual quer subir no Europeu, na próxima semana, em Tbilissi, na Geórgia.

“Já fui a quatro Europeus e obtive duas medalhas e dois quintos lugares. Acho que estou num caminho positivo para isso e é uma competição que gosto muito de competir”, disse. “Espero trazer mais uma medalha para Portugal”, manifestou a medalha de bronze nos Europeus de Praga e Lisboa, em 2020 e 2021, respetivamente. 

Iúri Leitão olha para o pelotão da Volta a França

Ciente que a qualificação olímpica, a decorrer debaixo de novos formatos, passa por 2027 e pode ir até bem próximo do evento, em Los Angeles, o velejador (classe 470) Diogo Costa aponta baterias ao Mundial, a decorrer em agosto, no Japão, no exato local da prova olímpica de Tóquio2020, no Porto de Iates de Enoshima, Fujisawa.

“É onde podemos renovar o Projeto Olímpico”, anunciou ao 24notícias o portuense que faz parelha com Carolina João, ambos de partida para a Semana Olímpica Francesa, em Hyères.

Ambições mais próximas estão na órbita de Iúri Leitão. O ciclista da espanhola Caja Rural alimenta o sonho de integrar o pelotão da Volta a França.

"A possibilidade existe, a minha equipa está convidada para a Volta a França”, adiantou o ciclista de 27 anos, medalha de ouro em madison e a prata em omnium nos Jogos Paris2024 à procura de estrear-se numa Grande Volta.

Num conjunto de “26 ciclistas” onde “só podem competir oito”, cabe à equipa “decidir qual o plantel mais vantajoso” para integrar o Tour. Perante a contingência, promete “simplesmente trabalhar para tentar merecer esse lugar”. Se não for escolhido, “não posso ficar triste, porque a minha equipa tem muitos ciclistas que merecem”, evocou.

Bater o recorde da inspiração. O mote de Agate de Sousa

Recém-campeã mundial do Salto em Comprimento indoor, Agate de Sousa, 25 anos, vive momentos gloriosos após os Mundiais de Torún, na Polónia.

“Tem sido algo novo para mim e, graças a Deus, tenho o apoio dos meus familiares, dos meus amigos, ajudam-me todos os dias e ajudaram-me, neste caso, a conseguir esta vitória”, relembrou ao 24notícias a atleta nascida em São Tomé e Príncipe, naturalizada portuguesa em 2024.

Regressada da competição internacional que consagrou também Gerson Baldé (ouro e novo recorde nacional, 8,46 metros), Agate de Sousa (6,92 metros) quer, já este ano, imitar o parceiro de seleção e tem em mente obter a melhor marca nacional, ao ar livre, ultrapassando a barreira dos 7 metros.

“O recorde nacional, recorde de Portugal, o recorde da Naide Gomes”, desejou, à margem do evento no COP, referindo-se à saltadora também ela nascida em São Tomé e Príncipe, com quem mantém contacto desde que pisou solo luso, ainda jovem.

“É uma atleta que me inspira, que me inspirou desde que que comecei a caminhar, comecei a fazer atletismo”, contou aos jornalistas. “A Naide foi uma das pessoas que me mostrou como é que poderia ser o caminho aqui em Portugal”, reforçou.

Agate vira atenções para a Liga Diamante, Campeonato da Europa, o “maior objetivo do ano” e Los Angeles2028. “Todos os atletas têm os Jogos Olímpicos como grande objetivo, por isso não sou diferente, não sou a exceção. Sem dúvidas, é um palco onde tenciono voltar”, prometeu.

Diminuir a dependência do Estado

O contrato estabelecido entre o Comité Olímpico de Portugal e a empresa Continente, “permite entregar (ano) o valor de 50 mil euros (em cartão) diretamente à Equipa Portugal reforçando de forma imediata e tangível o apoio aos atletas do Programa de Preparação Olímpica Los Angeles 2028”, desvendou Fernando Gomes, presidente do COP no discurso que antecedeu a assinatura da parceria.

É “o tipo de parceiro e de parceria que queremos promover no Comité Olímpico de Portugal”, considerou aos jornalistas ao alongar-se sobre o protocolo de parceria assinado com a empresa, a vigorar até LA2028.

“É importante ter outras fontes de financiamento, para que o COP e a preparação dos nossos atletas esteja menos dependente dos apoios do Estado”, destacou.

“Este conjunto de parcerias tem como objetivo associarmo-nos às empresas de referência em Portugal” e “criar uma base financeira de sustentabilidade, criando as condições para que a preparação dos atletas seja a melhor possível”, observou.

No cargo desde março 2025, Fernando Gomes, antigo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, não esqueceu igualmente os recentes apoios governamentais e o aumento “em 30% o plano de preparação olímpica para Los Angeles2028”, comparativamente ao ciclo que culminou em Paris2024.

O incremento permite, de acordo com o dirigente, “criar melhores condições às federações e centros de alto rendimento, para termos uma melhor preparação dos atletas e podermos reforçar essas condições", finalizou aos jornalistas.

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