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A 16.ª edição da Liga MEO Surf, início marcado para o fim de semana de Páscoa, 2 a 4 de abril, na Figueira da Foz, na longa e famosa direita do Cabedelo, na margem sul do rio Mondego, arranca com uma certeza.

Francisca Veselko, campeã mundial júnior WSL e duas vezes campeã nacional (2021 e 2013), e Yolanda Hopkins, olímpica, campeã europeia da WSL (Qualifying Series), campeã nacional e vice-campeã mundial ISA, não entram para as contas do circuito que apura os campeões nacionais Open.

Kika, 22 anos e “Yo-Yo”, 27, que já vinha preterido, nas últimas duas temporadas, a prova doméstica em detrimento do sonho internacional, estão qualificadas para o Circuito Mundial de Surf (Championship Tour 2026) e, em virtude do regime de exclusividade imposto pelo CT, impossibilitadas de vestir a licra nacional.

Teresa Bonvalot, 26, campeã em título, bicampeã e seis títulos nacionais conquistados quatro dos quais desde 2020 (2014, 2015, 2020, 2022, 2024 e 2025), poderá ser igualmente “baixa de peso” caso se qualifique para a elite mundial na última etapa do Challenger Series (CS), a decorrer na Austrália, de 9 a 15 de março.

O 12.º lugar do ranking CS permite à surfista do Sporting alimentar esperanças em ser uma das sete qualificadas e carimbar uma das três vagas ainda disponíveis para entrar no principal circuito da Liga Mundial de Surf.

No masculino, Francisco Ordonhas parte com o estatuto de licra amarela Go Chill na qualidade de campeão em título . O campeão Europeu Pro Junior da WSL lidera a nova geração do surf nacional sequiosa por “assaltar” os títulos máximos do surf nacional.

Guilherme Ribeiro, campeão em 2022 e 2024, Joaquim Chaves (2023), Afonso Antunes, vice-campeão de 2025, Jaime Veselko, João Mendonça, Maria Salgado e Gabriela Dinis, completam o naipe de “jovens turcos” do surf nacional na luta por um lugar ao Sol.

Rota das ondas inalterada desde 2022

Seguindo a linha desenhada pela Associação Nacional de Surfistas (ANS), a competição nacional segue o princípio de complementaridade entre calendários nacionais e internacionais da Liga Mundial de Surf (World Surf League), Qualifying Series (QS) e Challenger Series (CS), evitando a sobreposição de datas e dando espaço a que os surfistas prossigam os objetivos fora de portas.

A Liga MEO 2026 arranca, desta forma, após a 7.ª e última etapa do Challenger Series, antecâmara de acesso ao World Tour (CT), a disputar na Austrália, 9 a 15 de março e a última etapa QS, circuito regional europeu de qualificação que se realiza em Marrocos (22 a 29 de março).

A rota para a conquista do título nacional está inalterada desde 2022. Do mapa consta as ondas do litoral Oeste, Centro, Norte e Açores. Visitará o Porto, Matosinhos (24-26 de abril), Ericeira, Ribeira d’Ihas, (22-24 de maio) e Ribeira Grande, ilha de São Miguel (12 a 14 de junho). Peniche (Supertubos), Capital da Onda, 6 a 8 de novembro é, à imagem dos últimos cinco anos, a estação final da 1.ª divisão do surf.

A Invicta e a Reserva Mundial de Surf, Porto e Ericeira, subsistem paragens obrigatórias desde que a competição assumiu o nome “Liga MEO”.

O contributo da 1.ª divisão do surf nacional para o sucesso internacional

“Esta é a casa do surf português”, sublinhou Francisco Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas (ANS), à margem da apresentação do calendário 2026 que decorreu na Quiksilver Boardriders Ericeira.

“É a primeira divisão do surf português, principal competição do surf nacional e, naturalmente, é o último passo da maturidade das carreiras desportivas dos surfistas portugueses. E é aqui que os valores são identificados”, frisou.

“Daqui saem várias flores para o mundo”, acrescentou o responsável pela organização do circuito nacional, referindo-se à qualificação de Yolanda Hopkins e Francisca Veselko para o CT. “Esperamos que a Liga tenha servido de plataforma e tenha sido um contributo positivo”, reforçou.

O presidente da ANS elogiou ainda a nova geração. Personalizou o elogio em Maria Salgado, de que se espera “histórias interessantes” e  Ordonhas, campeão nacional. “A renovação do surf português está a ser feita pela base, como tem de ser”, adiantou.

 Os amigos da praia na luta pelo título

 “No ano passado criei muitas expetativas, em especial no Challenger a nível dos resultados, queria qualificar-me no top-20, não consegui, abalou-me durante o ano e retirou-me a vontade de competir noutras ligas, incluído a Liga MEO”, confessou Afonso Antunes, 22 anos, vice-campeão nacional em 2025. “Este ano, será campeonato a campeonato, resultado a resultado, pensar no presente”, avançou.

O surfista do Ericeira Surf Clube aponta objetivos na “qualificação para o Challenger” e “ser campeão nacional”, alinhou. “Sem pressão”, elege um princípio. “Quero controlar o que posso, o que não posso, não vale a pena estar preocupado”, destacou.

A luta promete ser intensa e disputada. “A nossa geração não tem só um nome, tem vários, assim como a seguir à nossa, do Matias (Canhoto), Jaime (Veselko) e Salvador (Vala)”, detalhou. “Crescemos todos a competir uns contra os outros e é giro estar a competir pelo título uns contra os outros”, finalizou.

Francisco Ordonhas, 20 anos, campeão nacional em título, bebeu as palavras de Afonso Antunes, que “tocou num ponto importante”, e afirmou ter expetativas “altas, mas não demasiado altas”.

Nesta gestão, assina por baixo dos desejos do amigo Afonso Antunes e promete lutar por “renovar o título e tentar a qualificação para os Challenger”, afirmou.

“Ter surfistas da mesma geração puxa sempre uns pelos outros, somos todos amigos e estamos a lutar pelo mesmo”, vincou Ordonhas, surfista dos Lombos, Carcavelos.

“As minhas expetativas para este ano são altas e tenho o objetivo de ser campeã nacional”, atirou, de forma telegráfica, Maria Salgado, 19 anos. “Não sinto pressão nenhuma”, garantiu a surfista da Sealand, Santa Cruz, Torres Vedras, campeã europeia júnior em título e top 3 feminino da Liga MEO Surf 2025.

Ausente da conferência de imprensa, Teresa Bonvalot deixou expresso, numa mensagem vídeo, a sua vontade para 2026, quando está a poucos dias de decidir o futuro competitivo, na Austrália, na derradeira etapa do CS.

“Quero estar no World Tour. Tem sido meses intensos e vamos para a última etapa e depois logo vejo como será o resto do ano”, deixou no ar, desejosa de cumprir a exclusividade exigida pela elite.

Recuperado do calvário da grave lesão no tornozelo, Frederico Morais, ex-top mundial da WSL e campeão nacional de 2013, 2015 e 2020, promete apresentar-se “com outro ritmo, outra felicidade dentro de água e outro entusiasmo” na corrente temporada.

“Sabemos ao nível que o surf mundial está, se uma pessoa não está a 100%, a 110%, a 80% não vai conseguir ganhar àqueles que estão ao mais alto nível”, comparou.

A aposta imediata de Kikas, 34 anos, está na qualificação para o CS. Para tal, vai disputar a derradeira etapa do QS, em Marrocos (Pro Taghazout Bay, 22 a 29 de março), circuito de qualificação europeu.

A opção saiu após as contas feitas entre as possibilidades de manter-se no circuito secundário, onde é 65.º e onde necessitava de ficar no top-20 ou garantir a qualificação na prova europeia, competição em que segue na 13.ª posição e com reais hipóteses de se qualificar.

Veterano na competição doméstica, o surfista que representa a Quinta dos Lombos, olha para a geração emergente como “um ótimo desafio”, considerou.

A quem já entrou no Circuito Mundial, Veselko e Hopkins, o que ainda pode entrar, Bonvalot, Frederico Morais deixou palavras elogiosas e abre a porta.

“Temos ótimos surfistas, é irem atrás, serem aguerridos, trabalhadores, não desistir, nada é impossível, por isso, estou aqui a torcer por eles, se puder ajudar de alguma forma, ajudo e se de alguma forma tiver algum conselho para dar e eles estiverem dispostos a ouvir, sou o primeiro a ajudar”, conclui.

Prémios para fora e para dentro

À semelhança da temporada passada, os campeões nacionais em título, Francisco Ordonhas e Teresa Bonvalot, vão participar, por convite de Jeremy Flores, ex-top mundial francês, no Quiksilver Surf Festival 2026, competição especial internacional, que se realiza anualmente em setembro em Hossegor, França.

Mas os convites não se ficam por aqui. Francisco Ordonhas, Jaime Veselko, João Mendonça, Maria Salgado e Lua Escudeiro, vão participar no Surf Camp Better Portugal, em Peniche, 2 a 7 de Março, campo de treino liderado por Leandro Dora, pai e mentor do campeão mundial em título Yago Dora, iniciativa que tem o suporte de Visit Portugal.

 A “Onda bem sacada by Pingo Doce” (melhor onda), Montebelo Expression Sessions (melhor manobra) e o Allianz Triple Crown, melhores na soma das três etapas patrocinadas pela seguradora (Figueira da Foz, Ericeira e Ribeira Grande), Bom Petisco Girls Score, prémio exclusivo para a competição feminina, Waversby Round, melhor performance desportiva na paragem três (Ericeira), “Turismo do Centro Award”, destinado aos sub-18, masculino e feminino, oriundos dos clubes da região centro e prémios reservados aos melhores surfistas locais nas etapas da Figueira da Foz, Ericeira, Ribeira Grande e Peniche, completam o quadro de prémios.

Campeões Nacionais nos últimos 6 anos

2025 – Francisco Ordonhas e Teresa Bonvalot

2024 – Guilherme Ribeiro e Teresa Bonvalot

2023 – Joaquim Chaves e Francisca Veselko

2022 – Guilherme Ribeiro e Teresa Bonvalot

2021 – Vasco Ribeiro e Francisca Veselko

2020 – Frederico Morais e Teresa Bonvalot

Calendário da Liga MEO Surf 2026

Liga #1 – 2 a 4 de Abril – Allianz Figueira Pro

Liga #2 – 24 a 26 de Abril – ANS Porto Pro

Liga #3 – 22 a 24 de Maio – Allianz Ericeira Pro

Liga #4 – 12 a 14 de Junho – Allianz Ribeira Grande Pro

Liga #5 – 6 a 8 de Novembro – Bom Petisco Peniche Pro

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