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Nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, realizados em fevereiro, foram recolhidas mais de 3.000 amostras de cerca de 2.000 atletas, sem que tenha sido registada qualquer violação das regras antidopagem, avança a BBC.

Trata-se da primeira edição desde Nagano 1998, no Japão, sem resultados positivos durante a competição, num contraste com o passado recente, marcado por escândalos e desqualificações. Após os Jogos de Londres 2012, por exemplo, 31 medalhas foram retiradas e 46 redistribuídas devido a testes positivos.

Apesar dos resultados encorajadores, as autoridades alertam que ainda é cedo para considerar estes Jogos como os “mais limpos”, uma vez que as amostras são conservadas durante 10 anos, permitindo novas análises com técnicas futuras.

Testes reforçados antes dos Jogos

Um dos fatores apontados para a ausência de resultados positivos é o aumento significativo dos testes realizados antes da competição. Segundo a Agência Internacional de Testes, 92% dos atletas foram testados pelo menos uma vez nos seis meses anteriores aos Jogos, no que foi descrito como o programa mais abrangente de sempre.

Ainda assim, o período pré-olímpico não ficou totalmente isento de suspeitas. A biatleta italiana Rebecca Passler foi suspensa provisoriamente após um teste positivo a um metabolito de letrozol, substância utilizada para reduzir os níveis de estrogénio e frequentemente associada ao tratamento do cancro da mama. A atleta recorreu da decisão e acabou autorizada a competir, mantendo-se o caso em análise pelas autoridades italianas.

Segundo responsáveis do setor, o modelo de controlo evoluiu significativamente nas últimas décadas, passando de testes concentrados durante os Jogos para uma monitorização contínua ao longo do período de qualificação.

Apesar dos progressos, persistem críticas ao sistema e às consequências da dopagem. O britânico John Jackson recorda o caso da equipa de bobsleigh do Reino Unido, que terminou em quinto lugar nos Jogos de Sochi 2014, mas acabou por receber a medalha de bronze quase seis anos depois, após a desqualificação de atletas russos.

A distinção tardia, entregue em 2019, não compensou a ausência do momento no pódio nem as oportunidades perdidas, como financiamento e patrocínios. “Nunca recebemos a medalha no pódio”, lamentou o atleta, sublinhando o impacto mais amplo no desporto.

Jackson defende medidas mais duras para combater a dopagem, incluindo a aplicação de suspensões vitalícias, argumentando que apenas consequências mais severas poderão dissuadir de forma eficaz os infratores.

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