Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
Presidente da FIFA dá prazo às federações para aceitarem novo modelo comercial. Quem aprovar a proposta poderá receber até 35 milhões de euros em receitas de desenvolvimento; quem rejeitar terá acesso a menos financiamento
A FIFA está a tentar avançar com uma das maiores mudanças na gestão comercial do futebol mundial: a venda de uma participação dos ativos do Campeonato do Mundo a investidores privados. A proposta apresentada por Gianni Infantino está a provocar uma forte reação internacional, com várias federações e organismos do futebol a questionarem o impacto da operação.
Segundo o jornal britânico The Times, o presidente da FIFA estabeleceu 19 de setembro como data limite para as 211 federações filiadas aprovarem o plano. Em troca, as associações nacionais que aceitarem poderão receber mais financiamento através de um novo programa de desenvolvimento.
O que propõe a FIFA?
A ideia passa pela criação de uma nova entidade comercial, chamada FIFA Forward Enterprise, que concentrará alguns dos principais ativos económicos da organização, incluindo direitos televisivos e contratos de patrocínio associados às competições da FIFA, como o Mundial.
O plano prevê a venda de cerca de 20% do capital dessa empresa a investidores privados, numa operação que poderá permitir à FIFA angariar mais de 4 mil milhões de dólares.
A organização estará a trabalhar com o banco JPMorgan para estruturar a operação e, segundo o The Times, o fundo Thrive Eternal, ligado a Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump, surge como um dos potenciais investidores.
Que dinheiro está em jogo para as federações?
Para convencer as federações a aderirem, Gianni Infantino apresentou um pacote financeiro superior ao atualmente previsto no programa FIFA Forward.
Caso aprovem a proposta, cada federação poderá receber até 40 milhões de dólares (cerca de 35 milhões de euros) entre 2027 e 2030.
O primeiro pagamento seria de 20 milhões de dólares, logo após a entrada em vigor do novo programa, prevista para 1 de janeiro de 2027.
Se as federações recusarem o plano, a FIFA mantém o programa atual, mas com um financiamento inferior: cerca de 2,7 mil milhões de dólares no total, em vez dos 10 mil milhões de dólares previstos com a nova estrutura.
Na prática, a FIFA coloca em cima da mesa uma escolha: aceitar a nova estratégia comercial e receber mais financiamento ou manter o modelo atual com menos recursos.
Porque está a proposta a gerar críticas?
A principal contestação prende-se com a possibilidade de o Mundial, uma das maiores competições desportivas do planeta, passar parcialmente para controlo de investidores privados.
Os críticos defendem que o futebol não deve ser tratado apenas como um ativo financeiro e questionam quem poderá beneficiar economicamente da operação.
A UEFA foi uma das organizações mais críticas, considerando que a proposta ultrapassa uma linha que as entidades que governam o futebol não deveriam cruzar.
“O futebol não pertence à FIFA para ser vendido”, afirmou o organismo europeu, defendendo que a governação da modalidade deve permanecer transparente e centrada nos adeptos, clubes e federações.
Também a Confederação da América do Norte, Central e Caraíbas (Concacaf) manifestou preocupação com o processo, alegando que as partes interessadas não foram devidamente envolvidas antes da apresentação da proposta.
Pode haver boicote ao Mundial?
A reação mais forte surgiu na Europa. Segundo a Sky Sports, várias federações da UEFA estão a discutir a possibilidade de um boicote ao Campeonato do Mundo caso o plano avance.
Os responsáveis europeus deverão realizar uma reunião para avaliar formas de oposição à proposta de Infantino.
A Federação Inglesa já revelou estar “profundamente preocupada”, sobretudo por afirmar que não teve conhecimento prévio do projeto.
Que papel poderá ter Infantino no futuro da empresa?
Outro ponto polémico está relacionado com o próprio presidente da FIFA.
A proposta prevê que Gianni Infantino possa assumir a liderança da nova entidade comercial em 2031, depois do final do atual mandato à frente da FIFA.
Os críticos levantam dúvidas sobre uma possível concentração de poder e sobre o facto de Infantino poder vir a beneficiar de uma estrutura comercial criada durante a sua presidência.
Qual é o próximo passo?
As federações têm até 19 de setembro para decidir se apoiam ou rejeitam o plano.
Para a criação da FIFA Forward Enterprise será necessário que mais de metade dos membros da FIFA aprove a proposta, além do apoio do Conselho da FIFA.
Se avançar, o projeto poderá alterar profundamente a forma como o Mundial é explorado comercialmente. Se for travado, manter-se-á o atual modelo de financiamento da FIFA.
A disputa coloca agora em lados opostos duas visões para o futuro do futebol: uma que defende maior capacidade de investimento através de parceiros privados e outra que teme que a lógica financeira passe a dominar uma competição considerada património global do desporto.
___
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários