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Embora sexta-feira e sábado devam ter condições relativamente estáveis, o cenário para domingo é bastante mais instável, podendo obrigar ao adiamento, interrupção ou até cancelamento da corrida antes mesmo de começar.

A principal preocupação não é apenas o impacto da chuva na pista, algo com que a Fórmula 1 historicamente consegue lidar, mas sim as implicações para a segurança, em particular no que diz respeito à operação do helicóptero médico. De acordo com os regulamentos da FIA, é obrigatório que exista sempre um helicóptero pronto a descolar e capaz de transportar rapidamente um piloto para um hospital especializado em caso de acidente grave.

Se as condições meteorológicas, como trovoadas, relâmpagos ou visibilidade reduzida, impedirem essa operação, a corrida não pode realizar-se. Esta exigência tornou-se absolutamente inegociável após o acidente fatal de Jules Bianchi no Grande Prémio do Japão de 2014, disputado sob chuva intensa, em que o piloto teve de ser transportado por ambulância devido à impossibilidade de voo do helicóptero. Apesar de mais tarde se ter concluído que isso não alterou o desfecho, o episódio levou a uma revisão profunda das regras de segurança e a uma postura muito mais conservadora por parte da FIA.

O cancelamento do GP de Miami é particularmente provável, sobretudo, devido à presença de relâmpagos, que representam um perigo direto para a aviação. Assim, mesmo que os carros consigam tecnicamente correr em pista molhada, a ausência de condições para evacuação médica aérea obrigaria os responsáveis a suspender ou cancelar a sessão. O precedente criado após 2014 torna claro que a Fórmula 1 não está disposta a comprometer este tipo de requisitos, independentemente da pressão mediática ou das expectativas dos fãs.

Claro que é expectável que a FIA evite este cenário a todos os custos, num ano que está a ser atípico na Fórmula 1. Importa lembrar que este Grande Prémio deveria ser já a sexta prova do calendário, mas a acontecer, será a quarta, depois do cancelamento dos Grandes Prémios do Bahrein e da Arábia Saudita devido à guerra no Irão. Esta interrupção criou um raro intervalo de cinco semanas sem corridas, algo invulgar num calendário normalmente muito apertado e difícil de reorganizar em cima da hora.

O risco de condições extremas em Miami evoca memórias recentes de corridas afetadas pela chuva, os fãs têm lembrado o controverso Grande Prémio da Bélgica de 2021, em Spa-Francorchamps, onde praticamente não houve corrida e, ainda assim, foram atribuídos pontos.

Desde então, as regras foram alteradas: é agora obrigatório completar pelo menos duas voltas em condições de corrida (bandeira verde) para que haja classificação válida, e a atribuição de pontos passou a depender da percentagem da distância total percorrida. Este enquadramento reforça a importância de garantir não só a segurança, mas também a integridade desportiva do evento algo que, face às previsões meteorológicas atuais, permanece altamente incerto para o fim de semana em Miami.

Antes da pausa, o início da época foi dominado pela Mercedes, que parece ter interpretado melhor as novas regras técnicas de 2026, especialmente no que diz respeito às unidades de potência. George Russell e Kimi Antonelli dividiram as vitórias nas três primeiras corridas, com o jovem italiano a liderar o campeonato após uma sequência consistente de resultados. A Ferrari e a McLaren têm mostrado sinais de competitividade, com pilotos como Charles Leclerc, Lewis Hamilton, Lando Norris e Oscar Piastri a conseguirem aproximar-se em alguns momentos, mas continuam globalmente atrás, sobretudo devido ao desempenho inferior do motor face à Mercedes.

As novas regras introduzidas em 2026 trouxeram também desafios técnicos significativos, em particular na gestão da energia híbrida. Com motores que dependem em partes iguais da combustão e da bateria, os pilotos têm sido obrigados a gerir cuidadosamente quando recarregam e utilizam energia. Isso deu origem ao fenómeno conhecido como “super clipping”, em que o carro pode perder velocidade mesmo com o acelerador a fundo, devido à necessidade de recarregar a bateria. Este comportamento estranho levou a FIA a introduzir pequenos ajustes regulamentares antes de Miami, reduzindo a quantidade de energia que pode ser utilizada por volta, numa tentativa de tornar o comportamento dos carros mais previsível e seguro.

Outras equipas enfrentam dificuldades mais estruturais. A Red Bull, por exemplo, com Max Verstappen longe dos lugares da frente, possivelmente devido ao excesso de peso do carro, um fator crítico numa era em que cada quilo adicional penaliza o desempenho. A Williams enfrenta problemas semelhantes, enquanto a Aston Martin vive uma situação ainda mais preocupante, com um carro lento e instável, agravado por uma parceria com a Honda que, até agora, não tem produzido resultados competitivos.

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