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Jaime Faria e Tiago Torres, em singulares, não chegaram ao fim de semana decisivo do Millennium Estoril Open (ATP250), mas a sua história nos courts de terra batida do Clube de Ténis do Estoril perdurará muito além do que os resultados sugerem.
Desde logo, porque a presença de dois tenistas portugueses nos quartos de final do quadro principal não acontecia desde 2010, no Jamor (Frederico Gil e Rui Machado).
Tiago Torres, vindo da fase de qualificação e na estreia num torneio ATP, levou longe o conto de fadas, interrompido no antepenúltimo dia do torneio. Depois, o destino bateu à porta de Jaime Faria, que volta a falhar a primeira meia-final da carreira no principal circuito de ténis.
“É aqui que todos os jogadores querem estar, principalmente os portugueses”, expressou Tiago Torres, 24 anos, campeão nacional absoluto.
Entrou no Estoril na posição 467 do ranking ATP, numa competição que só “não queria passar vergonha” e termina a semana cerca de 100 lugares abaixo (374.º). Afastou Nikoloz Basilashvili e Alejandro Tabilo, terceiro cabeça-de-série, mas viria a ser afastado por Hugo Gaston.
Pelo caminho, arrecadou 18 mil euros de prize-money em singulares e mais 5650 em pares, repartidos com João Domingues, quase metade do que tinha ganho de prémios em toda a carreira.
“Se me dissessem no início da semana que ia passar uma ronda, ou jogar o quadro principal ficaria surpreendido. Se me dissessem que eu ia estar chateado por perder nos quartos de final do Millennium Estoril Open, diria que eram malucos”, admitiu.
O tenista do ACE Team espera que a “vida mude a partir daqui” e tem como próximo sonho “conseguir jogar um Grand Slam, qualificação obviamente”, rematou.
Jaime Faria, número dois nacional, ainda salivava frustração na eliminação diante o italiano Luciano Darderi, 21.º do ranking.
Considerou a passagem pelo Estoril Open, onde nunca tinha vencido no quadro principal, como “um bom torneio” e adiou o sonho, pela quarta vez, de aceder às meias-finais de um torneio ATP.
Despediu-se “triste por não conseguir dar uma vitória aos portugueses”, mas com a entrada no top 80 mundial praticamente assegurada.
Borges/Cabral perseguem 2022 e animam Estoril
Torres e Faria saem da folha de jogos em singulares, mas o Estoril Open não fica órfão de tenistas portugueses. O sonho de reescrever história na terra batida do único torneio português do ATP consubstancia-se a dobrar.
Francisco Cabral e Nuno Borges, vencedores da edição de 2022, vindos então da qualificação, estão nas meias-finais depois de baterem o norte-americano Vasil Kirkov e o neerlandês Bart Stevens por 6-2 e 6-3.
Do outro lado da rede do Estádio Millennium, estarão os franceses, Titouan Droguet e Kyrian (114.º) e Kyrian Jacquet (134.º), repescados para o quadro principal.
Para Cabral e Borges, parelha 100 por cento portuguesa e nortenha, será a terceira presença nas meias-finais em quatro edições.
Caso permaneçam mais um dia no Estoril Open, se seguirem para a final, enfrentam os brasileiros Orlando Luz e Rafael Matos, segundos cabeças de série e responsáveis do afastamento de Tiago Torres e João Domingues.
Um campeão inédito
Em singulares, a meia-final mais aguardada tem sotaque italiano. Luciano Darderi chega ao penúltimo dia do Estoril depois de perder a final de Bastad no fim de semana passado, diante Andrey Rublev (14.º, ex-top 5).
Terá pela frente o belga Alexander Blockx (38.º), quarto cabeça de série, que superou o argentino Román Andrés Burruchaga, filho do antigo campeão mundial de futebol (1986), Jorge Burruchaga.
A outra meia-final aguarda duelo geracional francês: Hugo Gaston (109.º), de regresso a umas meia-final ATP pela primeira vez desde outubro de 2024, defronta Luca Van Assche, posição 78 da hierarquia e carrasco do cabeça de série do torneio, o russo Rublev. O tenista dos Países Baixos atinge as primeiras meias-finais da carreira num ATP250.
Independentemente dos dois finalistas, há uma certeza que antecipa a entrada dos tenistas que disputam o título de futuro campeão e o cheque de 93 mil euros.
Quem vencer, será o 11.º campeão em 11 edições disputadas nos courts do Clube de Ténis do Estoril.
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