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26 pilotos portugueses alinham na partida do prólogo, este sábado, 3 de janeiro, em Yanbu, nas margens do mar Vermelho, da 48.ª edição do Dakar.

A prova de todo-o-terreno que percorre, pelo sétimo ano consecutivo, a Arábia Saudita, termina dia 17, no ponto de partida, Yanbu.

O percurso de oito mil quilómetros de extensão, 4901 cronometrados ao longo de dunas e planícies desérticas, não inclui, este ano, a passagem pelo deserto do Empty Quarter, nem a etapa maratona de 48 horas onde Homens e máquinas tinham de passar a noite no deserto.

Os mais de 800 pilotos, 69 nacionalidades e um total de 431 veículos à partida enfrentam 13 etapas e um dia de descanso, dia 10, após a sexta etapa.

Antes do arranque da mítica prova que abre as competições FIA e FIM World Rally-Raid Championship (W2RC) o 24noticias falou com dois portugueses: Alexandre Pinto, acompanhado pelo navegador Bernardo Oliveira (Polaris RZR Pro R Sport/Old Friends Rally Team), e Gonçalo Guerreiro, “escoltado” por Maykel Justo (Polaris RZR Pro R/Loeb Motorsport-RZR Factory).

Alexandre Pinto (número 400) e Gonçalo Guerreiro (404), estrearam-se no ano passado na mais exigente competição do desporto motorizado. Competem na categoria SSV (4) e partem com ambições de serem candidatos à vitória.

Entre ganhar e pontuar. O equilíbrio de Alexandre Pinto

A participação em 2025 no Rali Dakar serviu de manual de aprendizagem para Alexandre Pinto. “Fez-me aprender, acreditar, ver várias coisas, como por exemplo, que muito trabalho dá frutos, ser resiliente, não desistir e respeitar o próximo, porque um dia vamos ser nós a precisar de ser respeitados”, enumerou o recém-campeão do Mundo de Rally Raid na categoria de SSV (W2RC), caminho triunfal iniciado, curiosamente, com a vitória no deserto, nas dunas e nas areias da Arábia Saudita.

“É preciso ter muita calma, perdoar rápido, ter a cabeça no sítio para conseguir levar as coisas para a frente com calma ... muitas vezes, o barco vira devagar, mas vira, e se formos de pressa, vamos encalhar”, continuou, o piloto de 26 anos natural de Pegões.

Primeiro português a conquistar um título da Federação Internacional do Automóvel (FIA), na disciplina de Todo-o-Terreno, Alexandre Pinto enfatizou que a época transata revelou-se importante para o seu regresso ao Dakar.

“Foi um acumular de bagagem de experiências que não tínhamos e aprendemos muito mais sobre o que são as corridas Rally Raid e as corridas no deserto. Há muito para aprender e este campeonato ajudou-nos”, frisou ao 24noticias a partir do bivouac.

Pinto volta a ter a mesma companhia na máquina, o jovem navegador Bernardo Oliveira, 20 anos. Ciente “das partidas” que o Dakar “pode pregar”, à imagem dos demais competidores, o maior desafio “é terminar todas as etapas e ter menos problemas possíveis”, desejou o vencedor do W2RC SSV (Pódio absoluto SSV) e 1º Lugar do ranking FIA Rookie Challenge, na edição passada.

Para a edição 48 do Dakar, o objetivo “é ganhar”. Mas também é conseguir “pontuar para o campeonato e chegar ao fim, que é a nossa prioridade”, assinalou. “É um equilíbrio para conseguir andar na frente, mas não deitar tudo a perder”, anotou Alexandre Pinto.

Define-se como um piloto “cada vez mais racional”, embora reconheça não ter sido assim no início da carreira. “Consigo ser frio para tomar as decisões certas e há que ganhar cada vez mais calo neste ponto. Consigo ser racional e mesmo quando a temperatura esquenta, não é fácil, consigo respirar fundo ...”, sublinhou.

Para o final de conversa, abre o mapa dos conselhos. Para entrar na lista dos eleitos do Dakar, um piloto “necessita de ter muitos meios reunidos, uma equipa, um orçamento e gostar do que faz”, avançou. É necessário ainda “muita dedicação e preparação em termos de treino para conseguir encarar a prova e chegar ao fim”, concluiu.

 O suficiente não basta para Gonçalo Guerreiro

Gonçalo Guerreiro tem tido ascensão rápida. “Espero que seja apenas o começo”, sorriu o piloto. Entra no segundo Dakar, agora numa equipa oficial.

“Tenho uma grande sorte, e espero que continue, sou um sortudo, porque vou integrar um projeto oficial. E quando estás num projeto oficial, pouco te importas com as coisas que os privados não conseguem oferecer”, explicou ao 24noticias antes da partida para a Arábia Saudita. “A sorte faz-se caminhando e acho que é isso que tenho vindo a fazer. Com grandes resultados e muita humildade”, reconheceu.

O sucesso tem vindo a sorrir-lhe na carreira. 2025 foi um “ano espetacular a nível desportivo” admitiu. “Os resultados falam por si. Não sou melhor que ninguém, mas os resultados acabam por falar pelo piloto”, repetiu. “Não sei se fiz alguma coisa diferente dos outros”, realçou. “A sorte calhou-me a mim” disse, humildemente, “mas nada está ainda conquistado”, ressalvou o piloto de Cascais, 25 anos.

“Não se pode parar e não se pode estar contente com aquilo que é o suficiente. Porque o suficiente nunca basta”, considerou Gonçalo Guerreiro, piloto que rejeita ter um discurso demasiado humilde. “É a minha forma de ser e de estar neste mundo. Não sou melhor que ninguém, mas estou ciente do meu caminho”, disse.

“Conquistei grandes resultados com máquinas inferiores aos demais. Tenho trabalhado muito para ter uma máquina competitiva para a categoria 4 (SSV). Agora, se é possível ganhar às categorias superiores, supostamente não o deveria ser, mas o que é certo é que temos feito grandes coisas com máquinas inferiores. Portanto, ninguém pode apagar aquilo que fizemos este ano (2025)”, destacou ao 24noticias.

“Até agora, ainda não sei qual é que é o limite, gostava de saber onde me encontro perante os melhores do mundo. Até hoje, ainda não pude sabê-lo porque ainda não estou na categoria máxima”, afirmou. “É um caminho muito difícil de lá chegar, por vezes impossível”, frisou. “Como a Fórmula 1, é muito difícil de chegar”, comparou.

No trajeto não se cansa de elogiar o apoio da família, pai e irmã, do negócio familiar (oficina que prepara carros de competição), da equipa JB Racing e da Polaris. Diz “respeitar o caminho” e não ter “forçado as coisas”, salientou. “Não quero acelerar o passo e é por isso que a minha carreira desportiva tem sido tão fantástica. Tenho feito as coisas com os mínimos recursos possíveis”, apontou o campeão nacional SSV, em 2022 e Absoluto, em 2025.

Para Gonçalo Guerreiro, a estreia no Dakar, em 2025, “foi como voltar à competição em 2018”, recuou. “No ano passado, não fazia a ideia ao que ia, as imagens, as únicas que tinha na minha mente, eram as da televisão”, recordou.

“Tive muita sorte por estar no projeto que estava, com pessoas fantásticas e um carro fantástico que permitiu-me fazer um grande resultado”, reconheceu. Depois do segundo lugar no Dakar 2025, “agora já sei exatamente para aquilo que vou”, alvitrou. “Com apoio de fábrica, torna as coisas diferentes e mais competitivas”, antecipou.

Para enfrentar as 13 etapas, “seja nível físico ou mental, o segredo é nunca estar parado”, algo que tem feito “desde 2018”, contou.

Numa conversa com jornalistas na despedida para o Dakar, na Palaphita, na Casa da Guia, em Cascais, assumiu estar “mais confiante que nunca” para o Dakar. “Tenho a certeza que tenho a máquina e perfil para vencer”, disparou o piloto que assume ter o “coração na boca”, embora, a característica se manifeste cada vez menos.

“Quando temos um capacete é difícil, as coisas passam muito rápido e estamos contra o tempo. Acho que tenho evoluído e sido mais calmo, mais ponderado”, definiu.

“Não sou perfeito, longe disso. Ninguém o é. Mas, aos poucos e com mais idade, mais corridas em cima, tenho sido melhor e cada vez mais racional”, observou. “Um piloto é mais completo quando consegue ter tudo sob controlo. E tento educar-me olhando para os outros que alcançaram mais coisas como piloto”, rematou.

Diz que “felizmente” já não faz contas à vida para entrar no Dakar. Embora não faça futurologia, “enquanto tiver oportunidades como estas, vou claramente agarrá-las, porque é uma coisa muito difícil de conquistar”, finalizou a conversa com o 24noticias.

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