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A primeira participação portuguesas nos Jogos Olímpicos de Inverno recua até Oslo1952 durante a 6.ª edição do evento desportivo global de Inverno.
País e clima sem tradição de desportos de neve, a Serra da Estrela abriu as portas da estreia nacional na competição dos oitos anéis.
Aberta a entusiastas há quase 100 anos, é no segundo ponto mais alto de Portugal que começa a história da participação lusa nos JO de Inverno.
Duarte Espírito Santo e Carlos Gonçalves, amigos e esquiadores habitués de outras montanhas (Alpes suíços e austríacos) mais finas, despertaram a atenção quando deslizavam nos dois mil metros do manto branco continental.
“(Na Serra da Estrela) Conhecemos o Raymond Noelke, instrutor de esqui austríaco que nos desafiou a participar nos Jogos”, recordou Espírito Santo ao Diário de Notícias (12 de Fevereiro de 2012) acerca da estreia de Portugal num palco olímpico de Inverno.
Dos amigos, só aterrou na capital da Noruega.
Carlos Gonçalves não chegou a fazer as malas. Duarte Espírito Santo, tal como o nome indica, carregava um apelido colado a uma instituição bancária, sem apoio, nem acompanhamento do Comité Olímpico de Portugal (COP), pagou 10 contos (50 euros) para custear a ida aos JO Oslo1952 e tornar-se o primeiro português no evento olímpico de inverno. A odisseia no Esqui Alpino saldou-se num 69.º lugar (em 72).
A entrada dos portugueses pelo mundo
Se a elite económica portuguesa foi a primeira a pôr o pé na neve, a falta de matéria-prima leva a prospeção na Europa e na América.
36 anos depois é a diáspora portuguesa a entrar porta adentro desta competição quadrienal. Será ela, a partir de então, em larga maioria, a manter acesa a chama da participação olímpica. Dos 16 olímpicos, seis nasceram em Portugal, dos quais dois, emigraram.
António Reis, de Vila Nova de Gaia, emigrado aos sete anos no Canadá, enfiou-se num Bobsleigh descoberto em Cortina d'Ampezzo (e posteriormente comprado pelo Príncipe Alberto do Mónaco) com João Pires, João Poupada, Jorge Magalhães e Rogério Bernardes, todos radicados no Canadá.
Entraram no Jogos Olímpicos Calgary1988, edição histórica que contou com a presença da Jamaica, momento eternizado no filme “Jamaica abaixo de zero”.
O quarteto em representação da terra do Fado terminou em 25.º, à frente da equipa do país de Bob Marley. Reis e Poupada fizeram ainda um duo, mas não finalizaram.
Natural de Riba de Mouro, Monção, e residente em França, George Mendes, Esqui Alpino, foi o senhor que se seguiu, em Lillehammer 1994, Noruega. Qualificado, mas ausente por lesão, em Albertville1992, numa exceção à regra do intervalo de quatro anos entre cada evento, foi 41º no Downhill e 32º no Slalom Gigante.
A primeira mulher e o melhor resultado: Mafalda Queiroz Pereira
Em Nagano98, Mafalda Queiroz Pereira, filha do industrial Pedro Queiroz Pereira, nascida no Brasil, atingiu o mais alto patamar da consagração olímpica para Portugal. Porta-estandarte no Japão, foi 21.º no esqui acrobático (em 24 atletas).
A primeira mulher das missões olímpicas nacionais foi acompanhada por um atleta da diáspora, Fausto Marreiros (Patinagem).
Natural dos Países Baixos, filho de pai português e mãe neerlandesa, foi primeiro patinador de velocidade português a classificar-se para os Jogos de Inverno (31º nos 5000m).
No mapa-mundo do lastro de sangue português, da Europa para os Estados Unidos, Nova Jérsia. Danny Silva (esqui de Fundo) representou Portugal em Turim 2006 (Itália) e Vancouver 2010 (Canadá), transportando bandeira nacional nas respetivas cerimónias de abertura e de encerramento.
Em território transalpino teve companhia extradesportiva. As mascotes oficiais “Neve” e “Gliz” nasceram das mãos do designer Pedro Albuquerque.
Do Vietname para Macau, da Ásia para o Canadá
A partir de 2004, do evento realizado na cidade da FIAT, a Missão Portugal não falhará mais nenhuma edição e preenche a quota em cinco desportos: Esqui Alpino, bobsled, Esqui Cross-Country, Esqui Estilo Livre e Patinagem de Velocidade.
No Sochi2014, sem atletas nascidos em Portugal foi a diáspora a honrar a Pátria. Para a Rússia viajaram dois “emigrantes”, Arthur Hanse (não completou) e Camille Dias (59ª no slalom gigante e 40.ª no slalom), ambos em esqui Alpino.
Hanse, natural de Paris, com dupla nacionalidade (avô, de raízes leirienses, nasceu em França), representou as cores gaulesas em jovem, mas optou por ir de Quinas ao peito à Crimeia.
Arthur Hanse voltou a inscrever o nome em Pyeongchang2018, na República da Coreia, alcançando o 38.º e 66. º no slalom e slalom gigante, respetivamente.
Kequyen Lam estreou-se. Ex-snowboader, entra na esfera da portugalidade por via de um caminho muito em voga nos tempos mais recentes.
Filho de pais chineses fugidos do Vietname para Macau durante a Guerra sino-vietnamita, a família viveu num centro de acolhimento para refugiados.
Lam nasceu, na altura, em território debaixo de administração portuguesa, mudou-se, quase de seguida, para Abbotsford, na Colúmbia Britânica, no Canadá e adquiriu nacionalidade portuguesa em 2006.
Porta-bandeira na Cerimónia de Abertura fechou a participação no 109º nos 15km (esqui cross-country).
Por terras orientais, Pequim2022, penúltima edição dos Jogos Olímpicos a portuguesa nascida em França, Vanina Guerillot, fez a estreia 43.ª no slalom gigante e tornou-se a segunda mulher a representar Portugal nos JO de Inverno.
A tendência da Diáspora manteve-se mas, excecionalmente, foram os nascidos em Portugal a completar o tridente de atletas. Os eleitos foram José Cabeça, alentejano de Évora (88.º nos 15km de esqui cross-country) e Ricardo Brancal (37.º no slalom gigante e 39.º no slalom), nascido no berço da neve em Portugal, na Covilhã, cidade situada aos pés da Serra da Estrela, montanha onde tudo começou.
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