Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

Os XXV Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina, Itália, decorrem de 6 a 22 do corrente mês. O Estádio Giuseppe Meazza, em Milão, recebe esta noite a cerimónia de abertura. Em simultâneo, decorrem desfiles de atletas em Predazzo, Livigno e Cortina d’Ampezzo. A Arena de Verona fechará o pano da competição olímpica.

Na 10.ª participação de Portugal a comitiva é composta por três atletas, José Cabeça, Esqui de Fundo, sprint e 10 km, e os irmãos Vanina e Emeric Guerillot, no Esqui Alpino. Integram ainda a Missão de Portugal, Pedro Flávio, Chefe de Missão, os treinadores Yannick Guerillot (Esqui Alpino) e Ragnar Bragvin Andresen (Esqui de Fundo) e Tiago Rosa, fisioterapeuta.

José Cabeça entra em ação dia 10 no Sprint e a 13 nos 10km Estilo Livre, no Tesero Cross-Country Skiing Stadium, em Val di Fiemme. Vanina irá competir em Slalom Gigante e Slalom, respetivamente a 15 e 18, no Tofane Alpine Skiing Centre, na zona de Cortina d’Ampezzo. Emeric cumprirá três provas, Super G (11), Slalom Gigante (14) e o Slalom (16) no Stelvio Ski Centre, em Bormio.

Cabeça, natural de Évora, e Vanina, lusodescendente, repetem a presença nos JO após a estreia em Pequim, em 2022. Emeric, 18 anos, irmão de Vanina, filhos de mãe portuguesa (de Atães, Guimarães) e pai francês, instrutor de esqui, estreia-se.

José Cabeça
José Cabeça José Cabeça entra em ação dia 10 no Sprint e a 13 nos 10km Estilo Livre COP

“O objetivo é melhorar os resultados das outras edições dos Jogos Olímpicos. É possível”, afirmou ao 24noticias, Pedro Flávio, Chefe de Missão e presidente da Federação de Desportos de Inverno de Portugal.

“O José Cabeça tem mostrado estar a um nível bastante melhor do que Pequim 2022”, adiantou. Há quatro anos foi 88.º nos 15 km de Estilo Clássico do calendário de Esqui de Fundo.

José Cabeça, 29 anos, é natural de Évora. Estreante em Pequim2022, cumpriu cinco meses de esquis nos pés antes da prova. Hoje, a residir em Oslo, Noruega, parte para Itália após um percurso de quatro anos de profissionalização (treinado pelo norueguês Rafnar Bragvin Andersen).

“Na qualificação olímpica, nos Mundiais, na Noruega, em Trondheim, fez um resultado bem melhor do que foi feito em 2021. E, isso, dá-nos uma boa perspetiva e, com toda a certeza, vai conseguir fazer um resultado bastante melhor do que aquele que fez na última edição dos Jogos Olímpicos”, perspetiva o Chefe de Missão aos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026.

A primeira portuguesa repetente tem a companhia do irmão

Vanina, 23 anos, professora de esqui, em França, treinada pelo pai, Yannick Guerillot, é também repetente no evento olímpico (43.ª classificada em Slalom Gigante em Pequim2022).

Será a primeira portuguesa a competir em mais do que uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, já que, Mafalda Queiroz Pereira, em 1998 e Camille Dias, em 2014, participaram numa só edição.

Vanina
Vanina Vanina, 23 anos, é também repetente no evento olímpico (43.ª classificada em Slalom Gigante em Pequim2022). COP

“É uma atleta mais experiente, está mais madura, mais crescida e face aos resultados tidos, tem possibilidades de fazer um resultado interessante”, assinalou.

Por fim, o estreante Emeric Guerillot, 18 anos, irmão de Vanina. “Conseguiu um efeito muito interessante para nós, que foi a possibilidade de Portugal voltar a participar no Supergigante (Super-G)”, destacou. “A última participação nas Provas de Velocidade, tinha sido em 1994, com o atleta Jorge Mendes, em Lillehammer”, recordou. É, por isso, “um motivo de orgulho”, frisou.

Tal como a irmã é treinado pelo pai, Yannick e surge em Itália com experiência em eventos olímpicos: Festival Olímpico da Juventude Europeia de inverno, em Bakuriani no ano passado e nos Jogos Olímpicos da Juventude de inverno, em Gangwon 2024, “onde obteve resultados interessantes”, referiu ao 24noticias, Pedro Flávio.

Quem poderia ter ido e pode ir para a próxima

José Cabeça e os irmãos Guerillot vestem cores lusas nos JO a decorrer em Itália pela terceira vez na história, na segunda visita a Cortina, sétima cidade repetente.

Outros atletas poderiam estar neste momento da Aldeia Olímpica. Jéssica Rodrigues, patinagem em velocidade, esteve muito perto de se qualificar. A madeirense de 19 anos, é campeã mundial júnior de Patinagem em Velocidade no gelo, inédito titulo para Portugal conquistado a prova de Mass Start em fevereiro de 2025, em Cortina.

“(Nas qualificações) Ficou nas 24 primeiras do ranking, que era o mais difícil. Precisava de fazer um tempo numa das distâncias, tentou em Salt Lake City (EUA), uma pista em altitude, a mais rápida do mundo, mas infelizmente, não conseguiu”, lamentou.

“Muita pressão em cima dela, estava muita gente à espera que conseguisse, mas é uma atleta muito jovem e tenho a certeza que vai estar (nos JO) em 2030”, prevê.

Emeric
Emeric O estreante Emeric Guerillot, 18 anos, irmão de Vanina COP

Mas há mais. “Este ano tivemos a possibilidade de tentar qualificar uma equipa de Bobsleigh (bob 2)”, recordou. “Fizeram as Taças do Mundo”, contou.

O trabalho de equipa nasceu de uma colaboração de federações e junção de dois atletas, um da diáspora, outro, naturalizado e residente em Portugal.

“O piloto (Raphaël Ribeiro) é luso-francês, vive em França. Precisávamos de um empurrador e numa parceria com a Federação Portuguesa do Atletismo fomos buscar o Abdel (Kader Larrinaga), atleta dos 110m barreiras, que pelas suas características físicas, se adaptou muito bem”, especificou.

O projeto “está a crescer”, necessita ainda de “alguma consolidação”, mas é um desporto no qual “podemos também fazer um caminho”, antevê. A modalidade carece de um “investimento muito grande no equipamento”, um equipamento “complexo, difícil de transportar e com custos muito elevados para fora da Europa”, relembrou.

2026 ainda não arrancou e a edição de 2030 começa a ganhar forma. E há já atletas identificados. “Alguns já estão com apoios do Comité Olímpico, nas esperanças olímpicas”, revelou, avançando um exemplo. “Adele Vankerschaver, jovem atleta no snowboard, será uma esperança para Portugal em 2030”, identificou.

Do Canadá à Madeira, com passagem pela Serra da Estrela. O Portugal olímpico de inverno

“Estamos na fase de crescimento”, diz, sucintamente, Pedro Flávio, presidente da FDI-Portugal, numa análise macro dos Desportos de Inverno em Portugal.

O caminho faz-se, como se tem feito até à data, na procura de talentos entre a diáspora portuguesa e na promoção e desenvolvimento interno.

Neste trilho dual, a Federação de Desportos de Inverno reforça a estratégia de bifurcação. Por um lado, desenvolve, “um trabalho nas bases, nas academias em Portugal, de Hóquei no Gelo, de Patinagem Artística no Gelo, Esqui Alpino, onde os clubes fazem o seu trabalho”. A jusante, promove “essa ligação forte à diáspora portuguesa, que nos dá atletas em muitas modalidades”, apontou.

“A participação nestes Jogos é demonstrativa. Temos, por um lado, o José Cabeça, atleta nascido e criado em Portugal, que fez o seu caminho, depois temos os dois irmãos, nasceram na diáspora, em França, filhos de mãe portuguesa”, enunciou.

E é pelo sangue português espalhado pelo mundo que o xadrez no gelo, como é referenciado o Curling, tem tido um crescimento em Portugal.

Surge através de um empurrão vindo do outro lado do Atlântico. “Temos atletas que vivem no Canadá, têm sido as bases das nossas seleções e fizeram-nos criar um programa de desenvolvimento do Curling”, referiu.

“Cresceu um bocadinho, conseguimos um 3.º lugar nos atletas masculinos na divisão C do Europeu, subimos à divisão B, conseguimos estar ali mais uma época de manutenção na divisão B, isso é revelador dessa ligação com a diáspora”, avançou.

Atira para a conversa outro exemplo da mescla entre nascidos e residentes em Portugal e o sangue lusodescendente pulverizado no planeta.

Portugal fez-se representar com uma seleção de Hóquei no Gelo na inauguração de uma pista de gelo em Marrocos, em Rabat, a convite da Federação Marroquina.

“Levámos uma seleção composta por jovens atletas de 16 e 17 anos, formados em Portugal, que começaram a jogar hóquei na Serra da Estrela (no Serra da Estrela Ice Arena, pista criada para a prática de desportos de gelo em 2021, nas Penhas Douradas, Covilhã) que jogam com atletas de ligas europeias e que vivem na Suíça, na América do Norte e fazem parte da seleção nacional”, disse.

O casamento entre atletas nascidos e a treinar em Portugal e quem tem ascendência portuguesa “é um trabalho que queremos continuar a fazer”, assegurou.

“Devemos continuar a desenvolver as modalidades em Portugal, mas também aproveitar a diáspora e quem vive em locais onde têm todas as condições para serem bons atletas, serem identificados, fazer este trabalho connosco e representar Portugal”, finalizou Pedro Flávio, Chefe de Missão a Milão-Cortina 2026 e presidente da Federação de Desportos de Inverno.

___

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.