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Na Argentina, a utilização de Lionel Messi, que leva cinco golos em dois jogos no Mundial, pela seleção nacional continua a não gerar qualquer debate relevante sobre a gestão dos seus minutos em campo, com a imprensa desportiva a sublinhar que o capitão mantém um estatuto intocável enquanto peça central do modelo de jogo, numa realidade que contrasta com a discussão mediática em torno de Cristiano Ronaldo, onde a sua utilização continua a ser alvo de análise crítica e contestação mais frequente.

Jornalistas de referência da imprensa desportiva argentina confirmam esse enquadramento. Em declarações ao 24notícias, Gastón Edul, da TyC Sports, "não existe um debate real sobre se Messi deve jogar menos, existe sim a convicção de que ele continua a ser o jogador mais determinante da seleção, mesmo numa fase mais avançada da carreira. O debate que existe em Portugal em torno de Ronaldo não tem paralelo na Argentina".

No mesmo sentido, Sebastián Vignolo, comentador e apresentador da ESPN Argentina, sublinha que "a gestão de Messi não passa por uma discussão pública, mas por ajustes naturais dentro do jogo. Enquanto ele estiver disponível, joga, porque muda o rendimento coletivo da equipa".

Também Héctor Chiapparo, jornalista do diário Olé, reforça que o contexto argentino é singular. "Messi não é tratado como um jogador em fim de ciclo. É visto como uma extensão da identidade da seleção. Isso elimina qualquer debate sobre minutos ou rotação por princípio. Ronaldo é provavelmente mais questionado em Portugal do que Messi na Argentina. Isso tem a ver com expectativas, com a idade e com a transição geracional que Portugal está a tentar fazer", revela.

"Não existe um debate real sobre se Messi deve jogar menos, existe sim a convicção de que ele continua a ser o jogador mais determinante da seleção, mesmo numa fase mais avançada da carreira"Gastón Edul, jornalista da TyC Sports
Portugal vs Croatia
Portugal vs Croatia créditos: Lusa

Segundo Diego Latorre, ex-jogador e atual analista da ESPN Argentina, "a seleção foi construída durante anos em torno da sua presença". "Não há substituto equivalente, por isso a discussão sobre minutos simplesmente não se coloca. Cristiano Ronaldo gera debate, Messi não. Em Portugal há uma discussão constante sobre se Ronaldo deve ser titular ou não. Na Argentina isso não acontece com Messi, porque a seleção ainda gira muito em torno dele em termos emocionais e competitivos", salienta.

O cenário contrasta assim com o debate recorrente em torno de Cristiano Ronaldo em Portugal e noutros contextos europeus, onde a sua utilização tem sido frequentemente alvo de análise crítica, por ex-jogadores e especialistas. Na Argentina, a leitura é consistente, Messi continua a ser considerado um elemento estrutural do modelo de jogo, independentemente da fase da carreira.

"Claro que não pode jogar 90 minutos em todos os jogos, na seleção ou no Inter Miami. Há, e tem havido, sempre uma gestão. Mas o seu lugar nunca está, ou esteve, em causa. Não é mesmo um tema"Sebastian Vignolo, comentador da ESPN

Nos programas desportivos argentinos, o tema surge apenas de forma marginal, normalmente associado à gestão de jogos ou ao calendário competitivo, nunca como crítica à sua titularidade.

"Claro que não pode jogar 90 minutos em todos os jogos, na seleção ou no Inter Miami. Há, e tem havido, sempre uma gestão. Mas o seu lugar nunca está, ou esteve, em causa. Não é mesmo um tema. Há uma gestão física pela sua idade, claro, mas se acrescenta menos do que fazia há alguns anos, isso não se discute neste momento", completa Sebastián Vignolo.

Refira-se que Lionel Messi leva 169 minutos disputados, com cinco golos marcados em dois jogos. Na primeira partida, diante da Argélia, o capitão albiceleste marcou três golos (vitória por 3-0) em 79 minutos jogados, tendo feito os 90 minutos no triunfo sobre a Áustria, tendo também ele voltado a apontar os únicos dois golos do confronto.

Esta tarde, pelas 18h00, é a vez de Cristiano Ronaldo, que leva oito golos marcados em cinco mundiais (2010, 2014, 2018, 2022 e 2026), voltar a entrar em campo com a camisola das quinas, diante do Uzbequistão. O líder da seleção irá tentar fazer o gosto ao pé pela primeira vez, sendo que a sua titularidade, pelo menos para o selecionador Roberto Martínez, não se discute. Para já.

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