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Há torneios que começam na segunda ronda. É esse ponto de viragem que o Estoril Open, único evento ATP em Portugal, atravessa.

A primeira metade da semana da 11.ª edição do Millennium Estoril Open, a decorrer no Clube de Ténis do Estoril, deixou histórias para contar e recordar.

A primeira, desde logo, teve como personagem principal Stan Wawrinka. Na temporada de despedida, o tenista suíço de 41 anos, ex-número 3 mundial, três Grand Slams no currículo, saiu cedo dos courts do Clube de Ténis do Estoril.

No último jogo oficial da carreira de Wawrinka em terra batida, onde ganhou sete dos 16 títulos, Estoril Open 2013 e Roland Garros 2015 incluídos, caiu aos pés de Roman Burruchaga (60.º), logo na primeira ronda.

A eliminação do tenista, convidado pela organização e que deixou o estádio Millennium debaixo de uma homenagem que suplantou o protocolo, retira ao torneio parte do seu peso emocional, mas não a sua força narrativa.

Uma força que começa a ser escrita em português e reforçada pela entrada em cena dos candidatos ao título, até então sentados na bancada a assistir.

Borges, Jaime Faria e Tiago Torres. O inédito trio na terra batida

Se, na primeira ronda, o ténis nacional já tinha escrito uma página de ouro ao colocar, pela primeira vez, na estatística do torneio, seis portugueses, a metade que segue em frente acrescenta um novo capítulo inédito à bola amarela lusitana no Estoril Open.

Enquanto decorria um conto que não foi de fadas e tinha o suíço Wawrinka como protagonista, Jaime Faria decidiu virar para si uma parcela das atenções.

O número 2 nacional e 88.º do ranking mundial afastou Botic van de Zandschulp, sexto cabeça de série do torneio português.

À terceira foi de vez. Depois de eliminado em duas ocasiões no primeiro jogo do quadro principal, Jaime Faria passou à segunda ronda, onde enfrentará, na quinta-feira, Gonzalo Bueno (180.º), peruano vindo da fase de qualificação.

O triunfo colocou ainda Jaime Faria no seu melhor registo de sempre no ranking mundial. Ocupa, virtualmente, a posição 84.ª.

Para além da vitória e do feito pessoal, Faria contribui para um registo singular no ténis nacional no Estoril Open.

Ao lado do surpreendente Tiago Torres  (afastou, na segunda-feira, Nikoloz Basilashvili) e de Nuno Borges (venceu Orlando Luz), Faria soma-se ao inédito trio de portugueses que, pela primeira vez na história do Estoril Open, competem na segunda ronda do torneio.

É um capítulo para mais tarde recordar no Estoril Open, cuja história desta edição começou a ser escrita antes da primeira bola de jogo, no regresso do único torneio português ao circuito principal de ténis (ATP250), depois de um ano no Challenger.

Borges, número 1 nacional, quinto cabeça de série e número 52 do ranking ATP, mede forças hoje (Estádio Millennium) com o argentino Roman Burruchaga, filho do antigo campeão mundial de futebol Jorge Burruchaga.

O menino bonito do público português tentará qualificar-se pela segunda vez para os quartos de final no pó de tijolo do Clube de Ténis do Estoril.

A seguir, no mesmo palco, Tiago Torres, o herói acidental da semana, enfrentará Alejandro Tabilo (30.º da hierarquia mundial), terceiro cabeça de série do Estoril.

Os tenistas que chegam com bilhete comprado

O tenista chileno, tal como o russo Andrey Rublev (14.º ATP), primeiro cabeça de série, o italiano Luciano Darderi (21.º), segundo pré-designado, e o belga Alexander Blockx, 38.º mundial e quarto cabeça de série, ficaram isentos da primeira ronda.

A benesse concedida pelo Estoril Open estava, contudo, reservada a Casper Ruud, Alejandro Davidovich Fokina e Matteo Arnaldi, três dos quatro nomes do top 20 anunciados que não voaram para Lisboa.

Rublev e Darderi, cabeças de série de topo, aterram no Estoril com um tira-teimas por resolver. Ambos foram protagonistas da final de Båstad — 75.ª edição do torneio sueco —, vencida pelo russo no fim de semana passado.

Sem terem ainda trocado uma única bola no Estoril Open, os espectadores e leitores terão de esperar mais um dia para ver o primeiro serviço dos favoritos Rublev e Darderi.

Na quinta-feira, Andrey Rublev, 18 títulos de carreira, de regresso à terra batida do Estoril, estreia-se nos oitavos de final perante o cazaque Timofey Skatov (163.º).

Por sua vez, Luciano Darderi, seis títulos, sobe ao palco principal para defrontar o espanhol Pedro Martinez (159.º).

Mais do que meros nomes numa folha, é a partir desta fase que justificam o lugar que ocupam na hierarquia e o rótulo de favoritos.

Apresentadas as personagens, a partir de agora, o Estoril Open começa a decidir quem está preparado para escrever o último capítulo e inscrever o nome na história dos campeões da terra batida.

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