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Boavista Futebol Clube não procedeu ao depósito de 149.680 euros na conta da massa insolvente, valor considerado essencial para assegurar as despesas correntes do clube e iniciar a regularização das dívidas vencidas, segundo um requerimento enviado ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia pela administradora de insolvência, Maria Clarisse Barros. A informação foi avançada pela agência Lusa, citada pelo Notícias ao Minuto.

De acordo com o documento a que a Lusa teve acesso, a verba em falta corresponde a 53.680 euros destinados às despesas mensais do clube e a 96.000 euros relativos à prestação de janeiro, a primeira de três parcelas acordadas para a regularização de créditos vencidos e não pagos.

O Boavista tinha efetuado, a 22 de dezembro de 2025, um depósito de 55.000 euros, respeitante às despesas correntes desse mês. Ficou então definido que, até ao dia 10 de janeiro, fevereiro e março, o clube teria de entregar aos credores mais 96.000 euros em cada mês, acrescidos dos montantes necessários para suportar os custos operacionais.

Perante o incumprimento agora registado, a administradora de insolvência poderá ordenar o encerramento imediato da atividade do clube portuense, com efeitos práticos 15 dias após a decisão, sem necessidade de nova assembleia de credores.

“Nos termos deliberados na assembleia de credores, a administradora de insolvência iniciará de imediato as diligências com vista a encerrar o estabelecimento e a atividade da insolvente”, lê-se no requerimento, que acrescenta que a evolução do processo será comunicada ao tribunal e à comissão de credores.

Segundo a agência Lusa, a 16 de dezembro, o Boavista tinha alcançado um acordo com os credores que permitia a continuação da sua atividade. Na altura, a direção presidida por Rui Garrido Pereira anunciou estar em negociações com entidades públicas e investidores privados para viabilizar um plano de recuperação financeira, numa fase em que o clube se encontrava sem equipa sénior de futebol há cerca de dois meses e meio.

Dois dias depois, foi lançada uma campanha pública de angariação de fundos, com contributos entre os 40 euros e os 40 mil euros, que permitiu liquidar a tranche referente ao mês anterior dentro do prazo.

Apesar disso, a administradora de insolvência já tinha solicitado, há dois meses, o encerramento da atividade do clube, cuja liquidação foi aprovada em setembro, alegando que a continuidade estava a gerar prejuízos adicionais para a massa insolvente.

Atualmente, o Boavista detém 10% do capital social da SAD, que deveria competir na II Liga em 2025/26, mas que deixou de ter equipa profissional no verão. A sociedade foi relegada administrativamente para o principal escalão da Associação de Futebol do Porto, onde ocupa o 18.º e último lugar, realizando os jogos no Parque Desportivo de Ramalde, uma vez que o Estádio do Bessa se encontra inutilizado desde maio.

O clube chegou a inscrever-se na última divisão distrital, mas acabou por abdicar da competição em outubro, devido à sua responsabilidade solidária pelas dívidas da SAD, que soma sete impedimentos de inscrição de jogadores junto da FIFA.

Despromovido da I Liga em maio, depois de terminar a época 2024/25 no último lugar, o Boavista encerrou um ciclo de 11 temporadas consecutivas no principal escalão, mantendo-se, ainda assim, como um dos cinco clubes campeões nacionais, graças ao título conquistado em 2000/01.

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