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Os árbitros do futebol profissional decidiram não iniciar esta sexta-feira a primeira ação de reciclagem e avaliação da nova temporada e admitem mesmo boicotar a Supertaça Cândido de Oliveira, exigindo um pedido de desculpa público do presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença.
A decisão surge na sequência da divulgação de áudios em que o líder federativo critica a arbitragem portuguesa. Segundo informações conhecidas esta sexta-feira, vários árbitros consideram que as declarações colocaram em causa a credibilidade da classe e entendem que não estão reunidas as condições para retomar a atividade sem um esclarecimento por parte de Pedro Proença.
Numa nota enviada à comunicação social, os árbitros explicam que optaram por não iniciar os trabalhos da ação de reciclagem e avaliação, um encontro de formação obrigatório promovido pelo Conselho de Arbitragem (CA) da FPF.
"Os árbitros do futebol profissional informam que decidiram não iniciar a primeira ação de reciclagem e avaliação de arbitragem, por entenderem que, face aos acontecimentos que têm envolvido a arbitragem nacional, não estão reunidas as condições necessárias para o arranque dos trabalhos."
A ação de formação decorre até domingo, em Tomar, e inclui avaliações físicas, teóricas e técnicas dos árbitros, numa altura em que falta pouco mais de uma semana para o arranque da I Liga e da II Liga.
O impasse pode ainda colocar em causa a realização da Supertaça Cândido de Oliveira, marcada para este sábado, em Coimbra, entre FC Porto, campeão nacional, e Torreense, vencedor da Taça de Portugal. O encontro tem arbitragem inicialmente atribuída a André Narciso.
Entretanto, Pedro Proença terá contactado alguns árbitros, manifestando disponibilidade para se deslocar a Tomar e prestar esclarecimentos sobre os áudios divulgados.
As gravações, tornadas públicas esta semana, remontam a 2024, quando Pedro Proença liderava a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e preparava a candidatura à presidência da FPF. Nos excertos divulgados, o dirigente faz críticas à qualidade da arbitragem portuguesa, refere processos judiciais envolvendo o Benfica e aborda o então presidente do Conselho de Arbitragem, José Fontelas Gomes.
Na quarta-feira, Pedro Proença reagiu à divulgação dos áudios, classificando-a como "ilegal e imoral". O presidente da FPF defendeu que se tratam de conversas privadas, retiradas do contexto e divulgadas de forma seletiva, admitindo recorrer aos meios legais para responsabilizar os autores da divulgação.
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