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Mais de 100 mil euros distribuídos por 24 instituições de solidariedade social ao longo de seis anos. Este é a marca alcançada na 6.ª edição do Softboard Heroes, evento de surf de cariz solidário a decorrer esta sexta-feira, 19, na Praia da Física, em Santa Cruz, Torres Vedras.
Criada em 2021, a iniciativa de impacto social liderada por Tiago Pires, ex-surfista profissional, acumulou 77, 500 mil euros nas anteriores edições. Este ano, entrega 22,500 euros de prémio solidário a quatro instituições que atuam e desenvolvem trabalho nas áreas de inclusão social, apoio a crianças, idosos, populações vulneráveis e pessoas com deficiência: SOUMA; Fundação do Gil; Centro de Acolhimento São Pedro da Cadeira, instituição local (Torres Vedras) e o CASCI – Centro de Ação Social do Concelho de Ílhavo.
Mais do que uma competição entre surfistas, o Softboard Heroes afirma-se como uma plataforma de solidariedade, sustentabilidade e mobilização comunitária.
O evento demonstra que o surf pode ir muito além da vertente desportiva e ambiental, preservação e respeito pelos oceanos, assumindo-se também como uma poderosa ferramenta de transformação social e catalisador de mudança de vidas.
“A grande génese deste evento é a solidariedade e a sustentabilidade”, explicou Tiago Pires, organizador da Softboard Heroes.
Uma galeria de arte que ajudou aos donativos
Ao longo das seis edições, o evento contou com a fidelidade dos parceiros originais. A Noah Surf House, rotulada de refúgio eco sustentável pelo jornal “The Guardian”, a Câmara Municipal de Torres Vedras e a Prio, este ano através da Fundação, permanecem umbilicalmente ligados como parceiros desde a primeira edição.
“Vamos mudando muito pouco de patrocinadores”, confessou Tiago Pires. “É um evento bem recebido, tem bons resultados, e, o importante, é contribuir para as instituições”, referiu.
Tiago Pires destaca “o grande apoio” do Noah e do empresário e acionista Gonçalo Alves, dono igualmente do Areias do Seixo, pelo compromisso assumido com “reutilização de materiais e sustentabilidade ambiental”, acrescentou.
A angariação das verbas a atribuir anualmente segue um processo normal de sponsorship (patrocínio) de marcas. “Estipulamos um objetivo e vamos a correr atrás”, adiantou ao 24noticias, Tiago “Saca” Pires, o primeiro surfista português a integrar o Circuito Mundial de Surf.
Esta tem sido a regra cuja exceção ocorreu na edição passada quando a organização promoveu “uma galeria de arte durante dois meses no lobby do hotel, com obras de artistas plásticos do país inteiro”. As receitas da venda das peças somaram à contabilidade dos donativos e foram repartidas entre “instituições (20%) e os artistas plásticos (80%)”, recordou.
A Pandemia como inspiração. 16 surfistas, quatro equipas
A ideia nasceu em 2021, no segundo ano da pandemia do COVID-19, período que viria a inspirar o modelo.
O formato, quatro surfistas por bateria, no total de 16 atletas (quatro equipas) permanece inalterado e mantém-se alinhado com as restrições da altura.
A competição arranca às 10h00, caso as condições de ondulação o permitam. Durará cerca de seis horas e terá 12 baterias (heats).
Cada equipa representa uma das instituições beneficiárias e os montantes atribuídos dependem da classificação final. A equipa vencedora garante o maior donativo.
Para Tiago Pires, um dos segredos da curta longevidade, é a junção de “surfistas profissionais”, alguns dos quais, campeões nacionais, Joaquim Chaves, em 2023 e Maria Salgado, recém-vencedora da Liga MEO e “surfistas amadores, celebridades que façam surf e ajudam a trazer visibilidade ao evento”, assumiu.
A escolha dos 16 “surfistas”, distribuídos por quatro categorias — Pros, Ladies, Juniors e Friends e divididos por quatro equipas no line-up, é feita pela twinfin, agência do ex-surfista de elite. As pranchas usadas são de um material (espuma) mais amigo do ambiente e alinhadas com os princípios de sustentabilidade do evento.
Embora não se trate de um “campeonato oficial”, reconhece, a avaliação das notas das ondas surfadas fica a cargo de juízes da Federação Portuguesa de Surf.
“Tentamos ser tão democráticos e justos quanto possível”
Forma disruptiva de doar dinheiro, ao longo de uma mão cheia de edições, a Softboard Heroes apoiou diversas associações com fins e missões diferentes. Entre elas, a SURFaddit, associação portuguesa de surf adaptado, Fundação Infantil Ronald McDonald, Make-A-Wish Portugal, Ajuda de Berço, APAV, Refood ou Operação Nariz Vermelho.
A escolha de quem recebe os donativos não é aleatória e segue critérios definidos por um júri composto pela organização e patrocinadores. “Escolhemos as instituições e tentamos ser tão democráticos e justos quanto possível”, assegurou.
Nesse quadro, tentam selecionar projetos credíveis, “minimamente estruturados” com diferentes áreas de intervenção, “que tenham boa comunicação e website”, enquanto evitam “repetições das missões” de cada um deles, detalhou.
“Não gostamos de ir às instituições muito grandes, nem gostamos de ir àquelas que ainda não estão minimamente estruturadas”, avisou.
Os dois principais parceiros do evento têm a possibilidade de indicar uma instituição beneficiária, enquanto com a Câmara Municipal de Torres Vedras “há uma obrigatoriedade de ter sempre uma instituição local”, avançou. “Queremos devolver à comunidade onde estamos inseridos”, justificou. O Centro de Acolhimento de São Pedro da Cadeira é o beneficiário este ano.
Até à data, só por uma vez Tiago Pires entregou um cheque a uma instituição que conhecia a missão e as pessoas envolvidas. “Foi no ano passado, edição de 2025, a SURFAddit, da Teresa Abraços”, confessou.
Nesta distribuição, reconhece navegar “ano para ano, conforme a conjuntura” para listar novos beneficiários. “Recebemos pedidos, emails de instituições e, com todo o gosto, procuramos analisá-los para uma próxima oportunidade”, prometeu.
Crescer sem perder a identidade
Ultrapassar os 100 mil euros em seis anos em donativos representa um marco simbólico para a organização.
Crescer ou deslocar, foram ingredientes aflorados para possível receita futura. No entanto, a fórmula de sucesso, cujos resultados estão à vista, é para continuar.
“Tivemos essa conversa internamente algumas vezes, mas, sinceramente, é mesmo uma equipa vencedora que devemos não tentar mexer”, partilhou o pensamento.
A ligação a Santa Cruz continua a ser um dos pilares do evento. “Gostamos de aliar a parte social à sustentabilidade, cultura. Santa Cruz, o nosso parceiro hoteleiro e logístico, acaba por ter a melhor oferta no país”, elogiou.
Por agora, a intenção é permanecer na Praia da Física. “Não quer dizer que não se possa fazer noutro sítio”, mas por agora, preferem “devolver um bocadinho daquilo que é a aposta de Santa Cruz em nós”, sintetizou. Uma permanência “até que as marés nos levem para outro destino”, suspirou.
Tiago Pires olha para o Softboards Heroes como “um dia de celebração do surf” e uma oportunidade de retribuir à modalidade após quase duas décadas de profissionalismo. “É uma forma de devolver um pouco daquilo que o surf me deu”, salientou.
No final do dia, um objetivo permanece acima de todos. “Provar que se consegue fazer um grande evento produzindo muito pouco, produzimos somente as bandeiras das associações beneficiárias, e poluindo muito pouco o planeta”, acrescentou.
Com uma pegada ambiental reduzida, assente na reutilização de materiais e norteada por uma forte consciência ecológica, o Softboard Heroes quer continuar a crescer. Não necessariamente em dimensão física, mas sobretudo na sua capacidade de gerar impacto social e aumentar os donativos atribuídos às instituições que, ano após ano, entram em competição por uma causa maior do que qualquer resultado desportivo.
16 surfistas, quatro equipas, quatro associações beneficiadas
Cada uma das quatro associações escolhidas será representada por equipas compostas por surfistas, celebridades e jovens atletas. Serão distribuídos pelas categorias Pros, Ladies, Junior e Friends. Os donativos que cada uma recebe dependem da pontuação. A equipa vencedora leva o maior prémio.
- SOUMA: Joaquim Chaves, Mafalda Lopes, Jaime Veselko, Joana Alegre
- Fundação do Gil: Arran Strong, Teresa Pereira, Martim Fortes, Vasco Santos
- Centro de Acolhimento São Pedro da Cadeira: Tomás Valente, Suri Rodrigues, Mário Leopoldo, José Fidalgo
- CASCI – Centro de Ação Social do Concelho de Ílhavo: Jéjé Vidal, Maria Salgado, Pietro Garroux, Francisco Lufinha
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