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Presente na bandeira, nas notas e no brasão do Zimbabué, o chamado "Pássaro do Zimbabué" é um dos símbolos mais marcantes da identidade nacional. Representado como uma águia de pedra-sabão pousada sobre um pedestal, este elemento carrega, no entanto, uma história marcada por saque, deslocação e restituição.
Segundo a BBC,a mais recente escultura, a última que permanecia fora do país, regressou ao Zimbabué após 137 anos, num momento classificado pelo presidente Emmerson Mnangagwa como “o retorno de um ícone nacional”. A peça encontrava-se na África do Sul, depois de ter sido retirada do seu local original e vendida ao imperialista britânico Cecil Rhodes durante o período colonial.
A entrega oficial decorreu na terça-feira e incluiu também a devolução de oito conjuntos de restos mortais humanos. Estes tinham sido exumados no Zimbabué entre o final do século XIX e o início do século XX por investigadores coloniais e posteriormente doados a um museu sul-africano.
Durante a cerimónia, o ministro da Cultura da África do Sul, Gayton McKenzie, condenou o que descreveu como uma “pseudociência colonial mal orientada”, responsável pela remoção dos corpos. “Não são abstrações, são pessoas… retiradas das suas sepulturas, das suas comunidades e da sua terra natal sob a lógica de que os seus corpos eram dados”, afirmou.
O regresso destes elementos é visto como particularmente significativo para o Zimbabué, que continua a exigir a devolução de outros vestígios históricos, incluindo os crânios de líderes anti-coloniais do século XIX, alegadamente ainda no Reino Unido.
Este caso surge num contexto internacional de crescente pressão sobre antigas potências coloniais para devolverem artefactos e restos humanos retirados de África. Países como França, Países Baixos, Alemanha e Reino Unido têm liderado a maioria das restituições.
Ainda assim, esta repatriação destaca-se por um motivo invulgar, foi conduzida por um país africano.
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