José Luis Rodríguez Zapatero prestou, esta terça-feira, declarações durante cerca de três horas perante o juiz da Audiência Nacional José Luis Calama, no âmbito de uma investigação em que é acusado de sete crimes. No final da audição, o magistrado rejeitou a aplicação de medidas cautelares ao antigo chefe do Governo espanhol.

À saída do tribunal, Zapatero dirigiu-se brevemente aos jornalistas. "Sou completamente inocente e peço-vos confiança", afirmou.

Segundo fontes jurídicas citadas pelo jornal espanhol El Diario, o ex-líder socialista negou ter exercido qualquer influência para favorecer o resgate público da companhia aérea Plus Ultra, uma das questões centrais da investigação.

Ainda assim, o Ministério Público tinha solicitado a retirada do passaporte de Zapatero e a obrigação de apresentações periódicas num tribunal de 15 em 15 dias. Os pedidos não foram acolhidos pelo juiz.

Durante a audição, que decorreu entre as 9h10 e as 12h30, com uma breve interrupção, Zapatero reiterou que nunca recebeu qualquer comissão ou pagamento relacionado com o resgate da companhia aérea.

Para sustentar a sua posição, o antigo primeiro-ministro entregou ao tribunal uma "autorização universal voluntária", permitindo ao juiz verificar a eventual existência de contas bancárias, sociedades, produtos financeiros ou outros ativos no estrangeiro ligados ao seu nome.

"Não tenho absolutamente nada fora de Espanha", assegurou.

Paralelamente, a defesa de Zapatero recorreu da decisão do juiz de não adiar a parte do interrogatório relacionada com várias jóias encontradas num cofre localizado no seu gabinete na sede do PSOE, em Madrid.

O advogado argumenta que necessita de mais tempo para analisar o relatório pericial e explicar com rigor a origem e a data em que os objetos chegaram à posse do antigo governante.

As jóias foram apreendidas pela Unidade de Delinquência Económica e Fiscal (UDEF), que as encontrou num cofre das instalações do partido. Um relatório pericial solicitado pela Audiência Nacional avaliou o conjunto em mais de 1,3 milhões de euros.

Jóias avaliadas em mais de 1,3 milhões de euros agrava investigação de Zapatero
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O juiz investiga se poderá ter existido a prática de crimes de contrabando e de natureza fiscal relacionados com a alegada falta de declaração destes bens.

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