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Pedro Sánchez reuniu-se em Pequim com o presidente chinês Xi Jinping num encontro de cerca de uma hora, seguido de banquete, no Grande Salão do Povo. O resultado mais concreto: a elevação das relações bilaterais ao "maior nível", com o estabelecimento de um "diálogo estratégico" entre Espanha e a China, um mecanismo que Pequim reserva apenas para os países com quem mantém laços mais estreitos e estáveis.
Xi Jinping recebeu o líder espanhol com um discurso de clara convergência diplomática. "A China e a Espanha são países de princípios que atuam com retidão moral, e ambos estão dispostos a situar-se do lado certo da história", afirmou o presidente chinês, apelando ainda a que os dois países rejeitem "o regresso do mundo à lei da selva" e defendam "um verdadeiro multilateralismo". Pedro Sánchez respondeu em sintonia: "Encontremos juntos formas de reforçar o sistema multilateral e o direito internacional, que está a ser minado de forma recorrente e muito perigosa quando são mais necessários do que nunca."
Ao longo da visita, a quarta de Pedro Sánchez à China em pouco mais de três anos, o presidente espanhol assumiu um papel de embaixador europeu perante Pequim, instando à construção de "um vínculo mais sólido entre a China e a União Europeia". "Se essas potências se entendem e cooperam, farão em benefício das suas sociedades e também em benefício da estabilidade, da paz e da prosperidade do mundo nesta conjuntura internacional tão delicada", sublinhou.
No plano económico, a visita traduziu-se na assinatura de 19 acordos, dez dos quais de natureza económica, com destaque para áreas como o comércio, as energias renováveis e a chamada economia inteligente. Sánchez salientou que um dos objetivos centrais do encontro foi alcançar "relações comerciais mais equilibradas" com a China.
Em declarações à imprensa, citadas pelo jornal espanhol El País, o chefe do Executivo espanhol não se esquivou à dimensão geopolítica do encontro, numa altura de tensão entre Madrid e Washington. "Ninguém se pode ofender com esta visita", afirmou, em resposta à leitura que os Estados Unidos possam fazer da aproximação espanhola a Pequim. Pedro Sánchez considerou mesmo que a China é um interlocutor insubstituível na resolução das crises no Irão e no estreito de Ormuz: "Parece-me muito difícil encontrar outros interlocutores que possam desatar esta situação além da China."
O governante espanhol aproveitou ainda a oportunidade para comentar a derrota de Viktor Orbán nas eleições húngaras do domingo, considerando-a uma vitória dupla, europeia e democrática, e ligou essa mensagem à cimeira que se realiza este fim de semana em Barcelona, com a presença de líderes como o brasileiro Lula da Silva e a mexicana Claudia Sheinbaum.
Para além do encontro com Xi Jinping, Pedro Sánchez reuniu-se também com Zhao Leji, presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, e com o primeiro-ministro Li Qiang, junto de quem supervisionou a assinatura dos acordos bilaterais. A visita decorreu sem alterações ao programa, apesar de Begoña Gómez, mulher do presidente, ter recebido a notícia das acusações em Tribunal.
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