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Apesar da chegada ao mercado britânico, o medicamento ainda não está disponível no Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS). A sua eventual inclusão dependerá de uma avaliação do organismo responsável por analisar a eficácia e o custo dos tratamentos para o sistema público de saúde.
Entretanto, a BBC fez um explicador sobre como será o futuro de quem tomar o medicamento em comprimido. O princípio ativo do Wegovy, a semaglutida, pertence ao grupo dos medicamentos chamados agonistas do recetor GLP-1. Estes fármacos imitam uma hormona produzida naturalmente pelo organismo após as refeições, atuando em zonas do cérebro responsáveis pelo controlo do apetite. O resultado é uma maior sensação de saciedade, menor fome e redução da vontade de consumir determinados alimentos.
A versão em comprimido mantém o mesmo mecanismo de ação da injeção, mas exige regras específicas de toma. O medicamento deve ser ingerido em jejum, depois de pelo menos oito horas sem comer, com uma pequena quantidade de água, até cerca de 120 mililitros, e pelo menos 30 minutos antes de qualquer alimento, bebida ou outro comprimido. A recomendação é que seja tomado sempre à mesma hora para criar uma rotina.
A principal diferença face à versão injetável está na conveniência. Para pessoas que ficam desconfortáveis com agulhas, o comprimido pode representar uma alternativa mais simples. No entanto, implica uma toma diária e a necessidade de cumprir um período de jejum antes da administração. Já a injeção é aplicada apenas uma vez por semana, embora necessite de conservação no frigorífico.
O medicamento não se destina a qualquer pessoa que queira perder alguns quilos. As indicações são semelhantes às da versão injetável, pode ser prescrito a adultos com um índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, considerado obesidade, ou a pessoas com IMC entre 27 e 30 que apresentem problemas de saúde relacionados com o excesso de peso, como diabetes tipo 2 ou hipertensão.
Antes de iniciar o tratamento, é obrigatória uma avaliação médica, seja presencial ou através de consultas online, para determinar se o medicamento é adequado e seguro para cada caso.
Os estudos realizados apontam para resultados semelhantes aos da versão injetável. Num ensaio clínico de 64 semanas, pessoas que tomaram Wegovy em comprimidos, combinado com uma dieta de redução calórica e aumento da atividade física, perderam em média 13,61% do peso corporal. No grupo que recebeu placebo, a perda média foi de 2,18%.
Ainda assim, especialistas alertam que estes medicamentos não devem ser encarados como uma solução rápida ou uma ferramenta estética para perder peso antes do verão. O Wegovy foi desenvolvido para o tratamento da obesidade enquanto doença crónica e deve ser utilizado como complemento de alterações no estilo de vida.
"Estes medicamentos têm potencial para serem utilizados a longo prazo, tal como acontece com tratamentos para a tensão arterial ou o colesterol", explicou Susan Jebb, professora de Dieta e Saúde Populacional na Universidade de Oxford. A especialista, contudo, alerta que os medicamentos, por si só, não resolvem o problema global da obesidade, que está também relacionado com fatores sociais e ambientais.
Como acontece com todos os medicamentos, o Wegovy pode provocar efeitos secundários. Os mais frequentes estão relacionados com o sistema digestivo, incluindo náuseas, vómitos, diarreia, obstipação e dores de estômago. Algumas pessoas podem ainda sentir dores de cabeça ou cansaço. Em casos mais raros podem surgir complicações mais graves, como inflamação do pâncreas, hipoglicemia ou reações alérgicas severas.
O tratamento não deve ser utilizado por menores de 18 anos, mulheres grávidas ou a amamentar, e requer acompanhamento médico em pessoas com outras doenças ou que estejam a tomar outros medicamentos.
Uma das grandes dúvidas prende-se com o preço. No Reino Unido, algumas farmácias estão a disponibilizar a dose inicial por cerca de 99 libras por mês, enquanto as doses mais elevadas podem chegar às 199 libras mensais. Ainda não está claro se o comprimido será mais barato do que a injeção a longo prazo, embora exista essa expetativa.
Outra preocupação das autoridades está relacionada com a venda de medicamentos falsificados. O aumento da procura por tratamentos para emagrecer levou ao aparecimento de redes ilegais que comercializam versões falsas de medicamentos como Wegovy. As autoridades britânicas e o fabricante, a farmacêutica Novo Nordisk, têm alertado os consumidores para recorrerem apenas a farmácias autorizadas e fontes oficiais.
O 24notícias entrou em contacto com o Infarmed sobre a previsão para a prescrição deste medicamento, em comprimido, em Portugal, mas a autoridade de saúde optou por não comentar.
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