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A Meta negou as alegações, descrevendo-as como “categoricamente falsas e absurdas”, sugerindo que o processo visa apoiar a NSO Group, empresa israelita de spyware usada contra jornalistas e ativistas, que perdeu recentemente um processo movido pelo WhatsApp.

O processo foi apresentado pela sociedade Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan, citando como fonte alegados denunciantes da Austrália, Brasil, Índia, México e África do Sul. A mesma sociedade representa a NSO num recurso contra uma decisão judicial dos EUA que a obrigou a pagar 167 milhões de dólares ao WhatsApp por violar os seus termos de serviço com o spyware Pegasus.

Um porta-voz da Meta afirmou ao The Guardian que o processo “não tem mérito” e visa apenas obter atenção mediática. Por seu lado, Adam Wolfson, parceiro da Quinn Emanuel, afirmou que a defesa da NSO não tem relação com os factos alegados no processo, e que a empresa espera avançar com as reclamações, notando que as negativas do WhatsApp são cuidadosamente redigidas de forma a não refutar diretamente a alegação central: que a Meta tem a capacidade de ler mensagens, apesar da encriptação ponta-a-ponta.

Especialistas em segurança, como Steven Murdoch da UCL, consideram o processo “estranho”, baseado principalmente em whistleblowers cuja credibilidade é desconhecida, e apontam que, se a Meta realmente lesse mensagens, seria quase impossível manter segredo dentro da empresa.

O Departamento de Comércio dos EUA não confirmou as alegações de investigação, considerando-as “não fundamentadas”.

O WhatsApp garante encriptação ponta-a-ponta, que teoricamente impede que mensagens sejam lidas por terceiros ou pelos próprios servidores da plataforma, ao contrário de apps como o Telegram, que permitem encriptação apenas entre o utilizador e os servidores da app.

Especialistas em tecnologia reconhecem que, embora a encriptação do WhatsApp seja forte, a recolha de metadados (informações sobre contactos e comunicações) deixa a privacidade incompleta. No entanto, aceder retroativamente ao conteúdo de mensagens encriptadas individualmente é considerado “uma impossibilidade matemática”.

A Meta reiterou que a encriptação do WhatsApp continua segura e afirmou que continuará a lutar contra tentativas de negar o direito dos utilizadores a comunicações privadas.

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