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O Papa Leão XIV chega este sábado a Madrid para uma visita de sete dias a Espanha, numa deslocação que, segundo o The Guardian, já está a marcar a vida pública do país antes mesmo do início oficial da agenda.
A imagem do primeiro pontífice norte-americano está espalhada pela capital espanhola, surgindo em cartazes, autocarros, cartões comemorativos e ecrãs digitais do metropolitano. Na Praça de Cibeles, decorrem os preparativos para a missa que o Papa celebrará no domingo perante uma multidão que poderá atingir um milhão de fiéis.
A visita acontece num contexto diferente daquele que marcou a última deslocação de um Papa a Espanha, em 2011, durante o pontificado de Bento XVI. Embora a percentagem de espanhóis que se identificam como católicos tenha diminuído significativamente ao longo dos últimos anos, existe expectativa em torno da presença de Leão XIV, incluindo entre os mais jovens.
O pontífice encontrará também um país profundamente polarizado politicamente. Questões como a habitação, a imigração, os serviços públicos e as sucessivas denúncias de corrupção têm contribuído para um ambiente político particularmente tenso.
O programa da visita combina compromissos institucionais, religiosos e sociais. Além dos encontros com o rei Felipe VI, a rainha Letizia e o primeiro-ministro Pedro Sánchez, Leão XIV passará por Madrid, Barcelona e pelas Ilhas Canárias. Entre os momentos mais relevantes da agenda está a inauguração da torre de Jesus Cristo da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona.
O Papa deverá igualmente dedicar parte da visita ao contacto com sem-abrigo, migrantes e profissionais que trabalham com estas populações. Na quinta-feira, visitará o porto de Arguineguín, na ilha da Gran Canária, onde se reunirá com pessoas que atravessaram a perigosa rota migratória atlântica entre África e a Europa.
A defesa dos direitos dos migrantes e requerentes de asilo tem sido uma das marcas do pontificado de Leão XIV. Segundo o The Guardian, esta posição aproximou-o politicamente do Governo socialista liderado por Pedro Sánchez, que continua a defender os benefícios económicos e sociais da imigração e está a avançar com a regularização de pelo menos 500 mil migrantes indocumentados e requerentes de asilo.
Sánchez e o Papa
Após um encontro no Vaticano, realizado no mês passado, Sánchez elogiou o Papa, classificando-o como uma “bússola moral na luta contra a injustiça”, acrescentando que ambos partilham uma “visão humanista da migração”.
A convergência de posições entre o pontífice e o Governo espanhol tem sido criticada pelo partido de extrema-direita Vox, que se opõe ao processo de regularização e também às posições assumidas pela Conferência Episcopal Espanhola sobre a imigração.
O líder do Vox, Santiago Abascal, contestou recentemente declarações de responsáveis da Igreja sobre o acolhimento de migrantes, defendendo que as consequências da imigração ilegal devem ser consideradas. Apesar de afirmar respeitar a Igreja Católica, admitiu que dificilmente apoiará o discurso que o Papa fará perante o Congresso espanhol.
A posição do Vox assume particular relevância devido à sua crescente influência sobre o Partido Popular (PP), que as sondagens apontam como favorito para vencer as próximas eleições gerais, embora sem maioria absoluta, cenário que poderá obrigar os conservadores a depender do apoio parlamentar do partido de Abascal.
A visita do Papa surge também num momento politicamente delicado para Pedro Sánchez. O irmão do chefe do Governo espanhol, David Sánchez, está a ser julgado por alegado tráfico de influências e utilização indevida de cargo público. Já a mulher do primeiro-ministro, Begoña Gómez, foi acusada de peculato, tráfico de influências, corrupção em negócios e apropriação indevida de fundos, estando prevista a sua comparência perante um juiz a 9 de junho.
Tanto David Sánchez como Begoña Gómez negam quaisquer irregularidades. Também o antigo primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero rejeita as acusações que motivaram uma investigação por alegado tráfico de influências e outros crimes.
Paralelamente, decorrem investigações sobre alegações de que elementos ligados ao Partido Socialista Operário Espanhol terão tentado dificultar investigações policiais e judiciais consideradas prejudiciais para os interesses do partido ou do Governo.
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