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Segundo o El País, centenas de mensagens foram identificadas em grupos de Facebook e WhatsApp onde se fala de uma possível nova entrada em massa em Ceuta no dia 15 de agosto. Um dos grupos acompanhados pelo jornal, dedicado a pessoas interessadas na migração de Marrocos para Ceuta, tinha cerca de 23 mil membros e cresceu em mais de 6 mil numa semana.

Nas publicações, milhares de jovens marroquinos discutem se a informação é verdadeira, se a tentativa será possível ou se poderá tratar-se de uma forma de atrair menores para situações de risco. Algumas mensagens incentivam a deslocação para o norte de Marrocos, enquanto outras apelam à prudência e alertam para as consequências de uma tentativa de entrada irregular.

A data de 15 de agosto surge repetidamente em diferentes grupos. O jornal espanhol refere o caso de um grupo de WhatsApp chamado “Migração para Ceuta e Melilla”, criado recentemente, onde uma mensagem menciona “irmãos, 15/8/2026”. Questionado em privado pelo El País sobre se o objetivo seria tentar entrar em Ceuta nesse dia, o criador do grupo respondeu que sim, acrescentando que poderia ser “até mais do que isso”.

Nas redes sociais, misturam-se mensagens de expectativa com comentários de desconfiança. Há utilizadores que escrevem “vemo-nos lá no dia 15” ou afirmam que irão deslocar-se de cidades como Marraquexe até ao norte do país, mas também há quem aconselhe a não avançar, considerando que a situação poderá ser perigosa e que as autoridades estarão preparadas.

O El País indica que teve acesso a cinco grupos de Facebook com cerca de 400 mil membros no total e a nove grupos de WhatsApp com várias centenas de participantes. Uma investigação da organização de verificação de factos Maldita encontrou dez grupos com 422.560 membros, além de outros grupos mais pequenos no WhatsApp e publicações isoladas no Instagram.

De acordo com o jornal, o rumor sobre o dia 15 de agosto poderá também estar a servir para atrair pessoas de outras cidades para a zona norte de Marrocos, onde algumas poderão acabar por recorrer a redes de tráfico para tentar atravessar o mar em embarcações clandestinas.

Nas conversas analisadas pelo El País surgem ainda debates sobre possíveis locais de passagem, como Fnideq (Castillejos), junto à fronteira com Ceuta, ou Beni Ensar, na entrada de Melilla. Alguns participantes perguntam como atravessar a fronteira ou a vedação, enquanto outros relatam experiências anteriores de tentativa de entrada e devolução pela Guarda Civil.

Paralelamente às mensagens sobre uma possível tentativa de entrada a 15 de agosto, circulam nas redes sociais fotografias de familiares desaparecidos e pedidos de informação sobre pessoas que tentaram atravessar. Entre as discussões estão também conversas sobre embarcações insufláveis utilizadas para atravessar o mar, com vários utilizadores a alertarem para os perigos das correntes, das ondas e da fragilidade desses meios.

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